Nos arredores de São Petersburgo (25 km) em uma cidade que à época se chamava Tsarskoye Selo, hoje Pushkin, foi construído em 1717 o Palácio de Verão de Catarina I, da Rússia.
Catarina I foi a mulher do Czar Pedro, o Grande e o palácio foi um presente para ela.
Em 1756, o palácio foi todo remodelado pela filha deles a Imperatriz Elizabeth, que foi, por assim dizer, “sogra” de Catarina II, “A Grande”, já que Elizabeth era tia de Pedro, marido de Catarina II e os trouxe para viver com ela, pois como não tinha filhos, escolheu o sobrinho Pedro para ser o herdeiro do trono.
Fui visitar o palácio na parte da manhã, de carro, com a super querida guia Nádia (@passeio.petersburgo) que contratei por 3 dias para passeios em São Petersburgo.
Eu e Nádia em uma das salas do Palácio
Elizabeth adorava o luxo e revestiu as paredes e tetos do palácio com mais de 100 kg de ouro.
Precisa colocar protetor nos pés para não arranhar o chão
E a selfie no espelho do nosso “grupo”, saudade desse dia
A maior atração do Palácio de Catarina, sem dúvida, é a Sala de Âmbar roubada pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial, que foi totalmente reconstruída.
Âmbar é uma resina fóssil proveniente dos pinheiros da região às margens do Mar Báltico. De cor que varia do amarelo ao vermelho é muito usado em objetos ornamentais, decorativos ou jóias. Embora pareça uma pedra semi preciosa, um mineral, a sua origem é vegetal.
E advinhem? Não pode fotografar!!! A beleza da sala que foi integralmente reconstruída como a original, com âmbar verdadeiro (não são cópias) é realmente espetacular. Comprei um catálogo e fiz a foto abaixo. As paredes são inteiras cobertas com peças de âmbar das mais diversas tonalidades que vão do amarelo claro, passando pelo laranja até chegar ao vermelho bem intenso, criando um efeito incrível.
A história da sala começa em 1716 quando o Rei da Prússia Frederico Guilherme I presenteou o Czar Pedro I com painéis de âmbar. Em 1755, sua filha, a Imperatriz Elizabeth resolveu instalar os painéis na sala do palácio acrescentando espelhos e outros ornamentos. Até que na segunda guerra mundial ela foi encoberta com panos, para protegê-la, porém os alemães descobriram, desmontaram os painéis e os roubaram, desaparecendo para sempre.
Na década de 1980 o governo de Moscou resolveu reconstituir a sala e após mais de 20 anos de trabalho, utilizando 500 mil placas num total de 6 toneladas de âmbar, foi inaugurada em 2003. Os alemães doaram 3,5 milhões de dólares para ajudar. Estima-se que a sala valeria 250 milhões de dólares o que a torna a mais valiosa obra de arte desaparecida do mundo. É de arrepiar! (Fonte: Livro “A Sala de Âmbar” de Catherine Scott-Clark e Adrian Levy – Ed. Record)
O palácio possui alguns móveis, objetos, vestuário e retratos da família imperial, não está com a totalidade de seus aposentos abertos para visitação porque ele ainda não foi completamente restaurado.
Salão de JantarVestido da Imperatriz ElizabethO último Czar: Nicolau II
Os jardins do palácio são muito lindos e o dia de sol e céu azul limpo de verão em agosto deixou o cenário ainda mais perfeito.
Após o Palácio de Catarina fomos almoçar em um restaurante incrível – Podvorye – dica da Guia Nádia, que comentarei no post exclusivo sobre os restaurantes que fui na Rússia.
À tarde, a outra atração que eu tinha mais vontade de conhecer em São Petersburgo, depois do Museu Hermitage: o Palácio Peterhof.
Li que o ideal seria conhecer cada palácio em um dia, por causa da distância e do tamanho. Cada viagem é muito pessoal, mas no meu caso, ter conhecido os dois no mesmo dia funcionou muito bem. Se você vai conhecer essas atrações sozinho é possível que perca muito tempo no deslocamento, na compra de ingressos e na própria visitação em si já que não conhece a “logística”. O trajeto entre eles também pode ser complicado.
Como fui com guia e motorista, saímos de St. Peters às 9h, chegamos em menos de 1 hora em Pushkin e 2 horas foi tempo suficiente para conhecer o Palácio de Catarina. O motorista nos deixou praticamente na porta do palácio, não peguei fila para comprar ingresso (a guia já tinha comprado) ou para entrar (salta fila), o tempo rende. Em Peterhof foi o mesmo esquema (fica a 38 Km de Pushkin), tanto que sobrou tempo para no final de tarde fazer um tour pelas estações de metrô – bônus que não estava no programa. Depois, no verão, anoitece às 22h o que faz o seu dia render muito mais.
O Palácio de Peterhof ou o Palácio de Pedro, que dista 30 km do centro de São Petersburgo foi inaugurado em 1723, seguindo as instruções de construção em vários esboços feitos por Pedro, o Grande que foram guardados, já que ele planejava construí-lo desde 1705.
Entrada de Peterhof
O que são essas cúpulas? Quase surtei quando cheguei aqui. E muitas fontes lindas pelo caminho.
Fonte Tritão
Fonte Adão e Eva
Também tem fontes secretas. Pedro, o Grande queria “brincar” com seus convidados e inventou construir jatos de água escondidos pelo jardim, no chão ou em construções, para quando as pessoas passassem por elas seus pés acionassem o mecanismo e ficariam molhadas, de surpresa, no susto! Eu iria odiar essa brincadeira, mas as crianças amam e se divertem muito.
Abaixo um parador para descansar, que na realidade é uma fonte surpresa.
Passeamos pelos seus jardins
E existem outros palácios menores no complexo do Peterhof.
Palácio Monplaisir
Então chegamos no Mar Báltico, com vista para o Golfo da Finlândia
Depois subimos para conhecer o “coração” de Peterhof: a sua cascata de fontes. Abaixo, ao fundo.
Reservei essa viagem e marquei esse dia de passeio com meses de antecedência, e pensei: tem que dar sol, faz toda a diferença! E fez!!! Que sol, que céu, que dia mais lindo, foi demais!!!
A Grande Cascata em frente ao palácio possui 200 estátuas e esculturas de bronze dourado (cobertos com folha de ouro), 16 vasos e 29 baixo relevo em mármore. As 64 fontes não usam bombas para funcionar e sim a genialidade de cálculos de queda d’água que fazem com que a pressão dê força para impulsionar os jatos.
O Palácio Peterhof foi por 200 anos a residência de verão da família imperial russa. Muito atingido nos bombardeios da 2ª Guerra Mundial foi reconstruído e reaberto em 1964. Sua fachada possui 260 metros e seu parque 102 hectares.
A quantidade de pessoas que visitam o Peterhof na alta temporada é enorme. Não tive interesse de conhecer o palácio por dentro (foi todo reconstruído fielmente). O interior é lindo, vi nas minhas pesquisas, vale a pena, teria tempo, mas realmente fui para curtir a sua área externa que é espetacular. A gente não consegue parar de admirar a cascata, não dá vontade de ir embora. Estava um dia tão lindo, felicidade que não cabia em mim!
Fonte de Sansão
As estátuas de bronze roubadas pelos nazistas, também foram fielmente refeitas com camadas de folhas de ouro. Na fonte de Sansão, que está lutando e abrindo a boca de um leão, seu jato chega a altura de 20 metros.
No alto do terreno, no platô do palácio com a vista do Mar Báltico
As águas das fontes desaguam no Mar Báltico lá embaixo.
As fontes ficam no verão ligadas até às 17h. No inverno não funciona, voltam no final de abril. A visita ao palácio pode ser feita o ano todo.
Foi um dia muito intenso, só que tão agradável na companhia da guia Nádia, que não foi cansativo, então ela ofereceu, de bônus, um passeio pelas estações de metrô e topamos.
O sistema de metrô de São Petersburgo iniciou suas atividades em 1955. É um dos mais profundos do mundo.
Assim como em Moscou, que futuramente mostrarei, as estações parecem palácios. Abaixo a estação AVTOVO que possui 46 colunas, sendo 16 revestidas de vidro esculpido.
A estação KIROVSKIY ZAVOD homenageia as indústrias de base do período socialista
Busto de Lenin
Estação NARVSKAYA é dedicada a bravura do povo soviético e possui 48 esculturas que retratam 12 profissões.
A profundidade das estações é impressionante, não chegava no topo nunca!
Detalhes e beleza por todo lado
Vale a pena acrescentar mais um dia de viagem para conhecer os palácios de Catarina e Peterhof, considero este último, em especial na primavera/verão, um dos roteiros indispensáveis para quem visita São Petersburgo.
Impossível ir a São Petersburgo e não visitar o Museu Hermitage. A sua atração mais importante, ouso dizer que fui a cidade por causa dele, para mim era um sonho conhecer.
A construção do prédio principal, o Palácio de Inverno, ocorreu entre 1754 a 1762 por ordem da Imperatriz Elizabeth, filha de Pedro, o Grande, e foi a residência oficial dos czares. Em estilo rococó, nas cores verde e branco, Catarina, a Grande foi a primeira czarina a ocupá-lo. Fica as margens do Rio Neva, possui 1786 portas, 1945 janelas e 460 aposentos.
Em 1764 a czarina Catarina II adquiriu 225 pinturas flamengas e alemãs dando início a coleção, mas o museu só foi aberto ao público em 1852.
O museu possui no total 10 edifícios, sendo que 6 deles podem ser visitados, entre eles: o Grande Hermitage, o Pequeno Hermitage, o Novo Hermitage, o Teatro Hermitage e o Palácio do Estado Maior (impressionistas e arte contemporânea). Este último eu não visitei.
Fiz um grand tour guiado com Nádia (@passeio.petersburgo) e fiquei extasiada. Já comentei aqui São Petersburgo – Parte I que fui em agosto e a cidade estava lotada de turistas, no museu não foi diferente. Então tem que ter muita calma e paciência para conseguir ver e principalmente fotografar. A “sorte” é que a maioria dos turistas faz o tour curto, para ver só as principais obras, assim em muitas salas que visitei estava bem tranquilo.
O Museu Hermitage possui 1.000 salas e conta com 3 milhões de peças no seu acervo. Possui a maior coleção de pinturas do mundo. Em tamanho só perde para o Louvre, em Paris.
Os edifícios são interligados, só por informação da guia é que eu sabia em qual parte estava. Começamos pelo Palácio de Inverno com a visita a Capela.
As salas e corredores são espetaculares, é o tipo de museu que a sua arquitetura concorre em importância e beleza com o próprio acervo.
O Armorial Hall, um salão para cerimônias oficiais e concertos.
St. George’s Hall, a Grande Sala do Trono
E a atração mais visitada de todo o museu: Peacock clock – o Relógio de Pavão. Adquirido por Catarina, a Grande, em 1781 é uma peça incrível com pássaros de tamanho real. O relógio funciona até hoje, mas para preservá-lo só em dias específicos é colocado em funcionamento. Ao seu lado tem um telão com vídeo que mostra ele em ação. É lindo demais!
Não me perguntem como eu consegui fazer essas fotos, porque simplesmente deveria ter uns 3.759.653 asiáticos em frente ao relógio. E um batedor de carteira também, depois avisaram.
Sentiram o drama para chegar em uma obra famosa?
Cheguei!!! Obra de Leonardo da Vinci – La Madonna Benois (Virgem com o menino Jesus) de 1478-1482.
E Madonna Litta, também de Leonardo da Vinci de 1490.
Mais salas e corredores espetaculares pelo trajeto
O Corredor de Rafael, cópia fiel dos afrescos de Rafael que se encontram no Palácio Papal no Vaticano. Realizado por artistas italianos por ordem de Catarina II em 1780.
Salão das Pinturas Italiana e Espanhola, decorado com vasos e lampadários de malaquita e lapis-lazuli
Cavalos do Czar originais
O tamanho dos vasos, mesas, comparado com a altura das pessoas é impressionante
Salão Dourado e Estúdio Carmesim
Biblioteca do Czar Nicolau II
Mais aposentos, onde o foco é o mobiliário
E chegamos na Escadaria Jordan, a entrada do Palácio de Inverno onde os convidados para recepções e funções de estado passavam. Aqui enfrentamos mais uma da série: Expectativa X Realidade. Queria uma foto minha nessa escada maravilhosa, me sentindo a própria convidada de honra do Czar e o que eu consegui:
Eu no meio de 5.862.692 chineses! É de chorar!
Dica: quer uma foto sozinho na escadaria? Vá em janeiro! Você corre o risco de morrer congelado, mas pelo menos tem uma foto exclusiva, vale a pena!
O teto da Escadaria Jordan
E por fim, para compensar, quando cheguei na sala do Vaso Kolyvan estava quase vazia, um espanto! O vaso foi encomendado pelo Czar Nicolau I em 1828. Foi feito de um bloco único de Jaspe Verde e levou 14 anos para ser lapidado. Tem 2,5 metros de altura, eixo de 4,5 metros e pesa 19 toneladas. A sala só foi concluída depois da colocação do vaso, porque seria impossível para ele entrar. A origem de seu nome é a cidade siberiana de Kolyvan de onde a pedra foi extraída.
Visitei o museu em aproximadamente 4,5 horas. Foi tempo suficiente para conhecer os seus aposentos e peças importantes, mais outros não tão concorridos. Como contratei serviço de guia ela comprou o ingresso antecipadamente e não peguei fila para entrar. Claro que é perfeitamente possível visitar o museu sozinho, mas o serviço de guia ajuda a entrar mais rápido e fazer o roteiro em um trajeto lógico, coisa que nem sempre conseguimos sozinhos. O tempo rende.
No dia anterior, passeando pela praça do museu fiz algumas fotos. Abaixo com a coluna de Alexandre, em homenagem ao Czar Alexandre I, que reinou de 1801 a 1825. Inaugurada em 1834, possui 48 metros de altura.
A fachada do Pequeno Hermitage
E o Palácio do Estado Maior, do outro lado da praça e faz parte do complexo do Hermitage.
Depois do museu almoçamos ali perto e no final de tarde fizemos um passeio de barco. O pier da Neptun Company fica bem próximo ao Hermitage (500m da Praça do Palácio) no Moyka River, emb 26. O ingresso compra na hora, como fui no verão tem 5 horários de saída: às 13h, 15h, 17h, 19h e 21h. O passeio dura uma hora. Por essa empresa tem áudio guide em inglês e espanhol.
O barco tem parte interna e externa, como estava um dia lindo, sem vento, fomos na parte externa, muito melhor para fotografar.
A Fortaleza de São Pedro e São Paulo
Fiquei uma semana na Rússia em agosto e peguei um clima maravilhoso. Choveu um pouco, em apenas um dia, quando estávamos no Hermitage em St. Peters e uma manhã de céu nublado em Moscou quando fomos ao Kremlim. Todos os dias foram de sol e céu azul, temperatura variável, mas agradável, de manhã e à noite frio (16/20 graus), à tarde esquentava (23/26 graus) foi simplesmente perfeito. A minha Rússia foi azul!
Colunas Rostral – direcionavam os navios que entravam no Rio Neva
Catedral de St. Isaac
A fachada do Hermitage pelo Rio NevaPonte Blagoveshchensky
Os palácios às margens do Rio Neva são lindos demais, residências da nobreza russa, herança da época dos czares.
Dá para ver uma parte da Catedral do Sangue Derramado, que, infelizmente, estava com a sua cúpula principal em restauro. E também não precisava ter esse tapume na frente não é mesmo? Ainda mais com pichação, que tenho verdadeiro horror, acaba com uma cidade.
E voltando para o pier no Rio Moyka.
No próximo post, vou mostrar o passeio que fiz nos arredores de São Petersburgo para visitar os Palácios de Catarina e Peterhof, outras atrações imperdíveis para quem vai à Rússia.
E chegamos na Rússia em agosto de 2019! Foram 4 dias em São Petersburgo (3 dias em Moscou), muita coisa para contar e mostrar, então vou dividir os posts.
A ansiedade para chegar na Rússia era imensa. Um mix de curiosidade com medo e nervosismo, sei lá, todo lugar que vou pela primeira vez me deixa bastante apreensiva, estudo muito antes e às vezes acho que é pior (hehehe) porque se lê tanta coisa ruim, relatos que acabam assustando a gente. Mas, como o meu mantra é: vou sem medo, mas se eu tiver medo, vou mesmo assim. Me joguei!
Pela janela do carro – St. Petersburgo
Fui para São Petersburgo a partir de Helsinque de trem (Allegro), super tranquilo. A Estação da Finlândia é muito organizada e o serviço de bordo excelente.
Trem Helsinque – St. Petersburgo
Porém, a minha maior apreensão era fazer a imigração no trem com os temidos agentes russos. Não tem nada disso! Durante o trajeto dão um formulário para preencher bem simples, com informações básicas (motivo da viagem, duração, etc) depois passa o agente para verificar o passaporte e pronto: mais um carimbo para a conta! Os brasileiros não tem qualquer restrição de entrada na Rússia. A única pergunta que me fizeram e eu estranhei foi se eu tinha vindo da Alemanha. Imagino que deve ser pela questão dos imigrantes.
A unica coisa chata é guardar a metade do formulário para devolver na saída. E o medo de perder? Deixei guardado no cofre dos hotéis. Tem pessoas que dizem que tem que andar com o passaporte e o formulário porque se algum policial te aborda na rua precisa mostrar. Não concordo, deixei o passaporte e o formulário sempre guardados no hotel, andava com uma cópia do passaporte por segurança, nunca ninguém me pediu.
O clima estava ótimo, temperatura agradável, dias de sol e céu limpo na maior parte do tempo e o que eu mais gosto no verão da Europa, anoitece super tarde, perto das 22:00 horas, uma delícia, o dia rende muito.
Achei São Petersburgo uma cidade muito segura. Bom, para nós brasileiros praticamente qualquer lugar do mundo é mais seguro. Andamos muito a pé, à noite, e por ser alta temporada, verão (agosto) a cidade estava lotada, mas durante a noite diminui muito o fluxo de pessoas e mesmo assim não vi qualquer problema, não me senti insegura ou com medo em nenhum momento. Só precisa cuidar da bolsa em lugares aglomerados por causa dos batedores de carteira.
Contratei uma guia por 3 dias para fazer os passeios: Nádia Khristova que indico muito, seu insta é @passeio.petersburgo. Super querida, calma, extremamente culta, fala um português perfeito, serviço muito profissional com o motorista Boris, não esperamos em nenhum lugar, nos deixava na porta ou o mais próximo possível quando carro não podia entrar, serviço de precisão que fez o nosso tempo render e aproveitar muito mais e melhor a cidade.
Boris e Nádia serviço de excelência
Quanto ao hotel, por ser a comemoração do aniversário de 60 anos do marido, resolvi escolher um para ficar na memória, então o eleito foi o Hotel Four Seasons Lion Palace, como o próprio nome já diz: um palácio. Super bem localizado, ao lado da Catedral de St. Isaac e bem próximo ao museu Hermitage, de bons restaurantes, com um staff muito gentil, além de ser lindo demais.
Fiz a reserva pelo http://www.grandluxuryhotels para o superior room (quarto básico) e recebi um upgrade para um quarto com cama king size e terraço
O terraço do quarto tinha vista para a Catedral de St. Isaac
Vista do terraço do quarto – colado na Catedral de St. Isaac
As áreas comuns do hotel são extremamente agradáveis principalmente o restaurante que serve o café da manhã e refeições rápidas – The Tea Lounge – anexo ao lobby.
O Hotel Four Seasons Lion Palace conta com dois restaurantes e dois bares.
Sintoho – restaurante asiáticoPercorso – restaurante italianoBar do restaurante PercorsoXander Bar
No post sobre restaurantes na Rússia falarei melhor sobre eles.
São Petersburgo foi o sonho e a realização de Pedro I, o Grande. Pertencente a dinastia Romanov, Pedro I nasceu em 1672, se tornou Czar em 1682, mas assumiu realmente o poder em 1694 e faleceu em 1725. A paixão por navegação fez ele encontrar uma região às margens do Rio Neva e do mar Báltico (conquistada dos suecos na Guerra do Norte) propícia para a Marinha Russa criada por ele.
Pedro I decidiu transferir a capital da Rússia (Moscou) para essa nova cidade em 1703, que recebeu o nome de São Petersburgo até 1914. Também já se chamou Petrogrado (1914 a 1924) e Leningrado (1924 a 1991), voltando a se chamar São Petersburgo desde 1991.
Não só por sua altura, ele media 2,03 m, mas por todas as suas realizações, o homem que modernizou a Rússia passou para a História como Pedro – O Grande.
Cavaleiro de Bronze – Monumento em honra a Pedro o Grande feito por Catarina a Grande
São Petersburgo foi construída nos moldes europeus, assim, a maioria dos seus edifícios tem essa arquitetura ocidental. Brinco que São Petersburgo não é Rússia. Segunda maior cidade do país, possui 5.323 milhões de habitantes.
Após fazer um reconhecimento pelos arredores do hotel, na primeira noite fui assistir um balé no Teatro Mariinsky que para minha felicidade, nos dias que eu estava na cidade, estava apresentando o Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky.
O balé na Rússia em uma parte do verão entra em férias, geralmente no mês de agosto. O Bolshoi, em Moscou, já estava fechado. Uma semana depois de sair de St. Peters, o Mariinsky também entrou em férias.
O ballet de St. Petersburgo foi fundado no século XVIII e era originalmente conhecido por Ballet Imperial Russo, sendo uma das principais companhias do mundo. Em 1934 passou a se chamar Ballet Kirov, sendo que nos anos de 1950 e 1960 teve como dançarinos mais célebres Rudolf Nureyev e Mikhail Baryshnikov.
Após o fim do regime comunista, a companha de ballet de St. Petersburgo passou a ter o mesmo nome do teatro onde está instalado, Mariinsky, porém, no meio artístico continua a ser conhecido e chamado pelo nome de Kirov.
Comprei o bilhete para o espetáculo meses antes no site do próprio teatro o http://www.mariinsky-theatre.com Após a compra, enviaram um email pedindo algumas informações (em inglês). O ingresso é remetido por email para impressão, não é necessário trocar na bilheteria do teatro.
Fui na apresentação no prédio principal do Mariinsky (Main Stage) que é lindo! Precisa prestar atenção na hora de comprar, porque tem espetáculos em outro prédio, o Mariinsky II que é moderno, não é tão bonito.
O prédio atual foi inaugurado em 1860 e foi uma emoção muito grande estar lá. Fiz aula de dança quando era criança e adolescente e sempre tive paixão pelo balé. Foi um sonho realizado poder assistir uma companhia dessa importância no cenário mundial e ainda mais sendo o espetáculo o Lago dos Cisnes. Durante a apresentação, por óbvio, não pode fotografar. Fiz alguns registros do teatro.
O marido não gosta de ballet, então fui sozinha, lá conheci um casal carioca muito simpático que fez algumas fotos minhas. A gente sempre encontra anjos pelo caminho.
No outro dia, encontramos a guia Nádia no hotel e fomos fazer o roteiro programado.
Primeira parada: Catedral Naval de São Nicolau, construída entre 1753 a 1762, às margens do canal Kriukov, seu estilo é o barroco russo. A fachada azul e branca com colunas coríntias.
A igreja é dedicada a São Nicolau dos Milagres, padroeiro dos marinheiros.
Campanário da Igreja de São Nicolau
Na saída fizemos um pedido no encontro das 6 pontes do canal Kriukov, que segundo a nossa guia Nádia dá sorte.
Canal Kriukov
Abaixo o Rio Neva, com 74 Km de comprimento é o terceiro maior rio da Europa em volume de água. Vai até o Golfo da Finlândia.
Em frente a Academia de Belas Artes vemos duas estátuas de esfinges do Faraó Amenofis III, do século III a.c. Originais do Egito, de granito, pesam 23 toneladas cada uma.
A Fortaleza de São Pedro e São Paulo é o marco inicial da cidade, de 1703, fica na ilhota de Zayachy e foi construída para impedir uma nova invasão sueca. São Petersburgo começou aqui.
O meu maior interesse na fortaleza era para conhecer a Catedral de São Pedro e São Paulo onde estão os túmulos dos czares.
Quando entrei havia esse mar de gente! Em Agosto as atrações são superlotadas na Rússia.
Mas, com paciência, sempre se dá um jeito de fotografar. Abaixo o altar
Estão enterrados aqui quase todos os czares da Rússia, desde Pedro, o Grande, passando por Catarina II, a Grande (na foto abaixo) até Nicolau II, o último czar.
Em uma sala separada, visível por uma porta, onde sempre há uma fila enorme, estão enterrados o czar Nicolau II, a czarina Alexandra e três de seus cinco filhos: as grã-duquesas Olga, Tatiana e Anastácia, assassinados em 1918 pelo regime bolchevique.
Os corpos, enterrados em uma floresta em Ecaterimburgo, foram descobertos somente no ano de 1979. Porém, naquela época, ainda sob o regime comunista os corpos ficaram escondidos. A partir da década de 1990, cientistas americanos, ingleses e russos, com o avanço da medicina genética e dos testes de DNA começaram a pesquisa científica e conseguiram comprovar que a ossada encontrada pertencia realmente a última família imperial russa.
Em 1998 aconteceu o enterro na Catedral de São Pedro e São Paulo e no ano 2000 toda a família foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa como santos mártires, por terem passado grande sofrimento com abnegação, paciência e humildade.
Os restos mortais dos outros dois filhos só foram descobertos em 2007, em uma cova próxima do resto da família e apesar de estar comprovada a identidade das ossadas de Maria e Alexei, estes ainda não foram enterrados junto com a família.
A Fortaleza possui alguns museus, mas não tinha interesse. Abaixo no portal de saída.
De todas as igrejas de São Petersburgo com certeza a mais famosa é a Catedral do Sangue Derramado. Do ano de 1907, ortodoxa russa, seu nome oficial é Igreja da Ressurreição do Salvador.
A Catedral é conhecida pelo nome de Sangue Derramado e foi erguida neste local porque foi aqui, em 1881 que o Czar Alexandre II foi assassinado ficando seu sangue nas pedras da rua. Foi inspirada na Catedral de São Basílico em Moscou.
O seu interior é magnífico, uma das igrejas mais lindas que eu já vi na vida! E olha que eu conheço muitas! No interior da igreja não tem bancos, na religião ortodoxa os fiéis ficam em pé e as suas paredes são todas de mosaicos.
O altar é uma obra de arte e o entalhe é feito em mármore
A Catedral do Sangue Derramado é uma das únicas igrejas no mundo que tem uma representação (imagem) de Jesus adolescente (desconheço outra).
O único pedido do marido em St. Peters foi conhecer o Palácio Yusupov, como é conhecido o Palácio Moika, residência do príncipe Félix Yusupov, pois neste local foi assassinado Rasputin.
O Palácio foi construído em 1760 e posteriormente reconstruído em 1830. A família Yusupov era a segunda mais rica da Rússia, atrás apenas da família imperial.
Fachada do Palácio Moika – Foto: Wikipedia
A fortuna da família Yusupov vinha de grandes extensões de terras na Sibéria, minas de carvão e comércio de peles. O sobrenome era de sua mãe, adotado pelo pai de Felix no casamento, para que o importante nome não desaparecesse.
O príncipe Félix Yusupov nasceu em 1887, era bissexual e gostava, às vezes, de se vestir de mulher, porque desde a infância foi acostumado a vestir roupas femininas por sua mãe, que queria muito ter uma menina. Casou com a princesa Irina Alexandrovna, sobrinha do Czar Nicolau II, tiveram uma filha que também se chamava Irina e o seu caso amoroso mais famoso foi com o Grão-duque Dimitri Pavlovich primo do czar.
Felix Yusupov e Irina Alexandrovna
A residência é espetacular, mesmo sobrando muito pouco das valiosas obras de arte, paixão dos Yusupov, pelo mobiliário é possível ter uma ideia do estilo de vida da família.
A parte mais bonita do palácio para mim é o teatro. Sim, os Yusupov tinham um teatro particular e fiquei impressionada com os detalhes.
Escada para chegar no teatro abaixo
O palco do teatro
Mesmo com toda a beleza do palácio ele não é famoso e visitado por isso, mas sim porque foi neste local, na madrugada de 17 de dezembro de 1916, que o príncipe Felix Yusupov, o grão-duque Dimitri e outros nobres e políticos assassinaram Grigori Rasputin, indignados com o poder e influência exercidos por ele sobre a família imperial.
Rasputin era um místico siberiano, que se intitulava “padre”, porém vivia embriagado, com um comportamento devasso, totalmente incompatível com a sua função. Em 1906 ele se aproximou da família por causa de Alexei, filho caçula do czar Nicolau II e herdeiro do trono. O menino era hemofílico, doença herdada de sua mãe Alexandra, neta da Rainha Vitória da Inglaterra que teve vários descendentes portadores da hemofilia.
o czarevitch (filho do czar) Alexei Nikolaevich (filho de Nicolau) sofria com hemorragias que não estancavam e Rasputin tinha o poder com seu toque ou oração de fazer parar os sangramentos e dores do menino, caindo nas graças da Imperatriz que passou a adorá-lo, pois era o único que conseguia curar seu filho nos períodos de sofrimento.
Com a influência de Rasputin ultrapassando todos os limites, dominando completamente a czarina que fazia tudo que ele queria, causando revolta na aristocracia russa, alguns nobres e políticos se uniram e montaram um grupo com o objetivo de matá-lo.
Assim, Felix Yusupov convidou Rasputin para ir a sua casa, chegando no palácio foi-lhe oferecido doces e vinho, em tese, envenenados com cianeto (depois o médico que participou da trama confessou que havia trocado o veneno por uma substância benigna – informações mais recentes do caso extraídas do livro Rasputin, do escritor americano Douglas Smith).
Nobres russos reunidos no palácio Moika – conspiração para matar Raputin
No subsolo do Palácio Moika, onde os fatos aconteceram, foi montada a cena.
Felix Yusupov à esquerda, Rasputin à direita
Como Rasputin não morreu após ingerir os doces e a bebida, Yusupov não viu outra alternativa a não ser lhe dar um tiro, que não o matou. Rasputin conseguiu sair do palácio cambaleando porém foi perseguido pelo grupo e recebeu mais dois tiros no pátio do palácio, desferidos pelo político Purichkevitch, morrendo finalmente, sendo posteriormente seu corpo jogado no rio.
Rasputin pela sua aparência, com 1,93 de altura, barba e cabelos longos e a sua trajetória entrou para a história cercado de lendas.
Para ter acesso a esta parte do Palácio Moika, tem que adquirir o passeio guiado na bilheteria, pois tem um número máximo de visitantes por vez.
Muitos nobres e integrantes da família imperial foram assassinados pelo regime bolchevique. Félix Yusupov, pelo assassinato de Rasputin ficou em prisão domiciliar e depois foi para a Crimeia ficar com sua mulher e filha. Com a revolução a família fugiu da Rússia em um navio britânico para Malta. Félix conseguiu pegar apenas as jóias e dois quadros de Rembrandt, que foram a sua forma de subsistência no exílio. Fixou residência em Paris, porém não deixou de manter o estilo de vida a que estava habituado o que causou a extinção completa da fortuna dos Yusupov.
O príncipe Felix Yusupov faleceu aos 80 anos, com descendência da sua filha Irina até os dias atuais, a neta Xênia (1942), a bisneta Tatiana (1968) e as trinetas Marília (2004) e Yasmine (2006).
O final da nossa visita ao Palácio Moika, “coincidiu” com a apresentação de um coral no salão de baile. A guia Nádia planejou tudo com precisão. São quatro cantores (tenores) que sem qualquer instrumento musical para acompanhar fazem um espetáculo de incrível qualidade. As músicas são lindas e fiquei emocionada. É gratuito, os músicos vendem seus CDs no final.
Depois, nos despedimento de Nádia e fomos sozinhos no Museu Fabergé.
O Palácio Shuvalov abriga a maior coleção do mundo de obras de Peter Carl Fabergé, joalheiro russo que criou objetos de arte de alta joalheria, em formato de ovo, entre os séculos XIX e XX, produzidos para os czares presentearem a família na Páscoa.
Os ovos Fabergé ficaram mundialmente famosos e sua aquisição disputada até os dias atuais. O número reduzido de peças existentes incentivou a falsificação e a produção de cópias em grande escala, muitas de baixa qualidade e de gosto duvidoso.
Particularmente são poucas as peças que acho bonitas, mas o museu não tem só os célebres ovos. O seu acervo é sensacional, me surpreendeu, adorei ter conhecido e realmente vale muito a pena a visita. Além das peças da Casa Fabergé: ovos e relógios, o museu possui objetos e utensílios de alta joalheria de vários artistas russos que foram a partir do ano de 2004 recuperados e repatriados pela proprietária do museu, a Fundação Link of Times.
O Ovo de Páscoa Bay Tree (verde abaixo) foi encomendado pelo czar Nicolau II para presentear sua mãe Maria Feodorovna na Páscoa de 1911. Feito em esmalte com ouro, nefrita, diamantes, quartzo, rubi, ametista e pérolas.
O Ovo de Páscoa Lírios do Vale (abaixo) foi um presente do Imperador Nicolau II para a sua esposa a Imperatriz Alexandra Feodorovna na Páscoa de 1898, em esmalte com ouro, diamantes, rubis, pérolas e marfim.
Os serviços de mesa em ouro e prata são fantásticos.
O café do museu onde fizemos um lanche é um charme.
Final de tarde de verão em São Petersburgo, às margens do Rio Fontanka, lindo demais
Logo na esquina do museu Fabergé se encontra a Ponte Anichkov na Avenida Nevsky, é a mais importante a cruzar o rio Fontanka. De 1842, reconstruída em 1908, possui 55 metros de extensão.
A primeira ponte era de madeira e foi construída em 1715 por Pedro, o Grande. A atual possui nas suas cabeceiras 4 esculturas de cavalos de bronze e seus trilhos (guarda corpo) são de ferro ornamentado. A ponte mais famosa de São Petersburgo já foi citada nas obras de Pushkin e Dostoievsky
A Nevsky Prospekt (Avenida) é a principal de São Petersburgo e possui 4,5 Km de extensão, com lojas, restaurantes, bares, palácios e igrejas.
A loja mais interessante da avenida é o Magazin Kuptsov Yeliseyevykh, no número 56. Suas vitrines são lindas e o interior uma tentação com doces, chocolates e balas. Tem um café no centro que vive lotado e serve refeições ligeiras também.
Os bonecos das vitrines se mexem deixando as crianças encantadas.
Também na Avenida Nevsky tem um monumento à Catarina a Grande e o prédio da Livraria Casa Singer, em estilo Art Nouveau.
Do outro lado da rua se encontra a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, construída em 1801 e que voltou a ser igreja em 1992, após a queda do regime comunista.
A igreja é linda, mas infelizmente dentro não podia fotografar. Dedicada a Nossa Senhora de Kazan, cujo ícone, é considerado milagroso pela religião ortodoxa russa.
Em 1579 a casa onde morava uma menina chamada Matrona, de 9 anos, sofreu um incêndio, na cidade de Kazan, Rússia. Essa menina teve um sonho onde a Virgem Maria lhe indicou que havia um ícone embaixo das cinzas. Foram realizadas buscas e de fato, foi encontrado um ícone (pedaço de madeira com imagem de Nossa Senhora) envolto em um pano muito antigo, provavelmente do século XIII.
A imagem virou objeto de devoção na Rússia, sendo adorada por milhões de fiéis. É considerada a protetora da Rússia nas guerras e responsável por suas vitórias. Também há relatos de milagres principalmente na recuperação da visão de pessoas cegas.
O ícone (imagem) foi instalado em uma igreja na cidade de Kazan, depois foi para Moscou e finalmente na Catedral de Nossa Senhora de Kazan construída para ela, em São Petersburgo. Porém, com a revolução bolchevique o ícone desapareceu sendo encontrado tempos depois na Polônia. Integrantes do “Exército Azul de Nossa Senhora” em 1970 conseguiram comprar o ícone e o levaram para a cidade de Fátima em Portugal, esperando a conversão do povo russo, um dos pedidos da Virgem Maria nas suas aparições em Fátima, conforme relato da pastorinha Lúcia.
O Papa João Paulo II em 2004 devolveu o ícone ao patriarcado de Moscou.
O ícone é um pedaço (quadrado) de madeira e foi pintado (provavelmente) em Constantinopla, no século XIII. Em estilo grego-bizantino possui a imagem de meio corpo da Virgem carregando Menino Jesus ao colo. No século XVII recebeu uma lâmina de prata deixando visível apenas os rostos, com incrustações em diamantes, esmeraldas, pérolas e safiras.
Não é possível fotografar o ícone. Existem muitas versões, mas o original é este:
Foto do site: www. acn-canada.org
E se encontra no altar da Catedral de Kazan onde os fiéis fazem fila para rezar em frente à imagem.
As igrejas da religião ortodoxa russa não possuem bancos e as mulheres devem entrar com a cabeça coberta por um véu. Em todas as igrejas que entrei não foi exigido, penso que por ser turista, diferente do que acontece nas mesquitas em Istambul por exemplo, onde cobrir a cabeça é obrigatório.
Por fim, ao lado do nosso Hotel Four Seasons e com vista pelo terraço do quarto, fica a Catedral de St. Isaac, maior igreja ortodoxa russa da cidade. o tíquete para entrada é vendido em um guichê ao lado da catedral, à esquerda. Tem sempre muita fila, fui à tarde, um pouco antes do horário de fechar, que estava mais tranquilo.
A primeira construção foi de madeira, em 1710, na época de Pedro, o grande, depois em 1717 foi construída em pedra e por fim, em 1858 nos moldes atuais. Possui capacidade para 14.000 pessoas.
A igrejas russas não, possuem bancos. A cúpula da St. Isaac tem 101 metros de altura e é pintada de ouro. Durante a 2ª Guerra Mundial a cúpula foi pintada de cinza para não ficar exposta aos bombardeios, nas suas paredes externas ainda tem vestígios de balas.
Além de igreja também é museu. As suas paredes e tetos tem trabalhos em ouro e pinturas, em estilo neoclássico com inserção de adornos bizantinos.
A Catedral é dedicada a São Isaac da Dalmácia e voltou a ter celebrações religiosas em 1990 com a queda do comunismo. Anteriormente, serviu muito tempo somente como museu, inclusive abrigando em 1931 o Pêndulo de Foucault.
E, assim, terminamos os dois primeiros dias em São Petersburgo. No próximo post vou mostrar a nossa visita no Museu Hermitage (sonho realizado), passeio de barco, as estações de metrô e os Palácios de Catarina e Peterhof nos arredores da cidade. Além, claro, de contar sobre os restaurantes e bares incríveis que fomos na Rússia (St. Peters e Moscou).
Anoitecer em São Petersburgo – Vista da Brasserie Bellevue
A primeira vez que eu ouvi falar de Tallinn foi há alguns anos quando um colega de trabalho comentou que tinha feito um cruzeiro pelo Báltico e conhecido uma cidade medieval linda chamada Tallinn.
Fiquei com esse nome na cabeça e corri para o Dr. Google para pesquisar e me encantei, pensei: um dia ainda vou conhecer esse lugar.
E esse dia chegou: Em agosto de 2019, incluí Tallinn no meu roteiro de viagem para Escandinávia e Rússia.
Viru Gate
Tallinn é a capital da Estônia, fica no mar Báltico, no Golfo da Finlândia. Foi fundada no ano de 1154. Tem 159 Km² e 430.000 habitantes e está a uma distância de 80 km de Helsinque. A Estônia faz fronteira com a Letônia e a Rússia.
A Estônia junto com Letônia e Lituânia formam os três países Bálticos que em 1991 conseguiram a independência (da anexação forçada) da União Soviética (URSS).
Para visitar Tallinn fui de ferryboat, comprei as passagens no Brasil pela internet no site http://www.aferry.pt
A viagem dura 2 horas. As principais empresas que fazem esse trajeto são Tallink, Eckeroline e Vikingline. Comprei pela Eckero na ida e pela Tallink na volta. Fica mais barato comprar os dois bilhetes (ida e volta) pela mesma empresa, mas os horários não me agradaram, ou muito cedo ou muito tarde.
Tem que prestar bastante atenção em qual terminal parte o seu ferry em Helsinque, porque muda conforme a empresa. Precisa levar passaporte por ser uma viagem internacional e chegar um pouco antes para trocar o bilhete on line pelo tíquete do barco no guichê do terminal. Como cheguei bem cedo (sempre) não peguei fila, foi bem tranquilo.
O terminal de Helsinque é impressionante, parece um aeroporto (dos bons). Muito organizado. O barco é enorme e parece um transatlântico, desses de cruzeiro. Como não sabia se havia lugar suficiente para sentar, porque são milhares de passageiros, comprei o tíquete no lounge, que tem um serviço VIP, sofás, banheiro privativo, lanche tipo buffet de cortesia, bem confortável. Mas, vi lá que não era necessário.
Como falei o barco é imenso e tem muitos locais para sentar, tem vários restaurantes e bares e um palco com cadeiras para assistir o show. Tinha um conjunto tocando muito bom! Tem também máquinas de caça níquel, todo o deck superior para ver a paisagem (mar e nada mais) além da ventania de praxe. Há também cabines com cama e banheiro mas não vi necessidade em uma viagem tão curta (além de serem claustrofóbicas).
Por fim, tem o free shop. É enorme! Agora o engraçado é que o barco vai lotado, daí você pensa, claro para visitar Tallinn! Não! Para comprar bebidas alcoólicas! É isso mesmo. Dezenas, centenas eu acho, de homens fazem bate e volta para Tallinn, nem saem do porto, para voltar para Helsinque abastecidos de garrafas de bebida alcoólica.
Como mencionei aqui Helsinque na Finlândia existe um imposto muito alto sobre as bebidas, então o povo esperto sempre encontra uma saída, em Tallin não tem essa alta taxa e no ferry é preço de dutyfree, assim, vão todos com malas vazias e abastecem no barco a preços bem mais baixos! Muitos também já consomem por ali e vemos uns jovens bem alcoolizados, mas nada que perturbe o sossego da viagem. Também não resisti, na volta comprei uma garrafa de champagne por um preço ótimo.
Chegando no porto peguei um táxi (distância de 2,0 km) e pedi para me deixar em frente ao Viru Gate onde comecei o meu roteiro.
O Viru Gate é o símbolo da cidade, um par de torres do século XVIII, sobreviventes de um sistema de portais que já existiam e protegiam a cidade na idade média. O portão foi derrubado em 1880 para dar espaço ao tráfego. As suas cúpulas são de telhas. A partir dele a área é pedonal.
Assim que passei o portão virei à direita na rua Müürivahe para ver as muralhas da cidade, no trajeto (bem curto) tem várias barraquinhas que vendem artigos de lã como blusas e gorros.
No outro lado da rua, em frente a muralha, com uma fâmula no alto indicando, está a passagem de Santa Catarina – Katariina Käik, para mim o lugar mais incrível de Tallinn.
A Passagem de Santa Catarina é uma via medieval com construções que datam dos séculos XV a XVII e abriga a Guilda de Santa Catarina, uma cooperativa de artesãos com lojas que vendem artigos em vidro, bonecas, cerâmica, jóias, seda e algumas oficinas onde é possível ver os artesão trabalhando.
Muitas lojas estão abaixo do nível do solo, precisa descer uma escada íngreme para visitar, achei o máximo! Como eu amo cidade medieval!
E tem que abaixar a cabeça para não bater no teto da escada!
Fiquei encantada por essa loja de bonecas, eram muito bem feitas, obras de arte. Loja Art Doll House. Site: http://www.estoniadolls.com
O preço é em Euros (moeda da Estônia)
Quase no final da Passagem, ou início depende de que lado se entra, existe um pátio de uma Igreja e um antigo monastério com pedras de tumbas antigas fixadas na parede, já chegando na Rua Vene.
Eu fui e voltei na Passagem para apreciar bem todos os seus detalhes. Retornei ao Viru Gate para passear pelo calçadão da Rua Viru, com muitas lojas e restaurantes e aqui me apaixonei por uma jaqueta de couro azul e amarela com uma arara nas costas e resolvi comprar e também uma outra jaqueta de couro em um tom verde lindo (Loja Soft Gold). Tem muitas lojas de artigos de couro de excelente qualidade em Tallinn.
Marido não resistiu em fotografar com o boi de bronze da Goodwin Steak House
No final do calçadão da Rua Viru já deu para perceber que estávamos chegamos no coração de Tallinn, a praça central (Raekoja Plats).
Tallinn é dividida em duas partes: Vanalinn (cidade baixa) que compreende o seu centro histórico e Toompea (cidade alta). Na praça central se encontra a Prefeitura e a Farmácia e no seu entorno algumas igrejas (já vou falar sobre elas).
A quantidade de gente durante o dia no verão em Tallinn por conta dos cruzeiros é absurda, tem que ter paciência, de manhã cedo e depois das 17h fica bem tranquilo. Infelizmente, como fiz bate e volta, tive que lidar com esse mar de gente.
Deu para perceber também roupas de todo tipo, não é mesmo? Porque pela manhã cedo é frio, depois vai esquentando, mas o dia estava feio, com poucas aberturas de sol, então era um tal de tira casaco, coloca casaco (fui com um bem leve e não passei frio).
A praça central é do século XI, possui o chão levemente inclinado e tem muitos restaurantes e bares.
A Prefeitura de Tallinn, construída entre 1402 a 1404, é a única de arquitetura gótica que permaneceu intacta no norte da Europa. A sua torre tem 64 metros de altura e possui um pináculo, de 1530, com a estátua de bronze do guerreiro Old Thomas (o velho Vana Toomas), símbolo e guardião de Tallinn.
As calhas, logo abaixo do telhado, tem cabeça de dragão
No interior da Prefeitura (que também é Câmara Municipal) tem um pequeno museu.
A atração principal da praça central é sem dúvida a farmácia (Raeapteek). Do ano de 1422 é a mais antiga farmácia em funcionamento na Europa.
A farmácia teve como proprietários 10 gerações da mesma família – Burchart – de 1581 a 1911. O Czar russo costumava encomendar remédios aqui. Agora pergunta se eu consegui comprar algo aqui? Impossível! Eram dezenas de pessoas se acotovelando, só três atendentes, nem o balcão consegui fotografar, só vi alguns produtos como cremes para as mãos e pés.
Anexo a farmácia, a Sala de Exposições dos utensílios dos séculos XVII a XX.
Curiosidade: os produtos (remédios) que era vendidos aqui na idade média: poção de pele de cobra, suco de múmia, pó de chifre de unicórnio (para potência masculina), geléias e pólvora.
A Igreja do Espírito Santo (Puha Vaimu Kirik) fica muito próximo à praça central, na Rua Puhavaimu, entre as ruas Pikk e Vene. É a igreja mais antiga da cidade, do século XIV, de arquitetura gótica com um relógio do ano de 1680, o mais antigo de Tallinn.
Em frente a Igreja o Museu de História da Estônia (não entrei)
A Rua Pikk é uma das mais interessantes de Tallinn para passear e bem próximo da Igreja do Espírito Santo está o Maiasmokk Café, o mais antigo da cidade, desde 1864. O ambiente é muito bonito, agora advinha? Não consegui uma mesa para sentar, nem comprar uma caixa de chocolates porque estava lotado, com uma fila enorme dentro, realmente alta temporada não é para os fracos (isso porque era uma segunda-feira).
Seguindo pela Rua Pikk, encontrei essa porta, sonho para qualquer fotógrafo, a arquitetura dos prédios dessa rua é a mais bonita de Tallinn
Quase no final da Rua se encontra a Igreja de São Olavo, dedicada ao Rei Olaf II da Noruega, mas estava fechada toda em obras de restauro.
Voltamos toda a rua Pikk para ir em direção a parte alta da cidade (Toompea), após passar o portal a rua passa a se chamar Pikk Jalg
A rua apresenta uma subida até chegar na parte de cima da colina
Tem alguns artistas expondo as suas obras no trajeto. Na subida esquentou e o marido tirou o casaco.
Quase lá! Já dá para ver um pedacinho da catedral russa.
Chegamos na praça central, no cume da colina de Toompea, a parte alta da cidade de Tallinn composta pelo Castelo de Toompea (Palácio rosa), hoje sede do Parlamento da Estônia e pela Catedral Alexander Nevsky.
Parlamento da Estônia
O Palácio Rosa, em estilo barroco, é da época de Catarina a Grande. Em frente ao Parlamento está a Catedral Alexander Nevsky, principal igreja ortodoxa russa da Estônia. De 1900, quando o país fazia parte do império russo.
A igreja é dedicada ao Príncipe Alexander Nevsky que liderou e venceu a Batalha no Gelo em 1242 contra os cavaleiros teutônicos que queriam dominar a Estônia. Considerado herói e mito na Rússia e santo na igreja Ortodoxa.
As torres tem 11 sinos, o maior pesa 15 toneladas.
Próximo a catedral há outra igreja de interesse para visitar. A Catedral de Santa Maria a Virgem, era a igreja dos nobres alemães na Estônia. Começou a ser construída em 1233, mas a sua estrutura principal é do século XIV, por fim a sua torre foi acrescentada em 1770, no estilo barroco.
No interior da igreja, nas suas paredes, existem dezenas de brasões funerários dos séculos XVII a XX. Está enterrado nesta igreja o Almirante Samuel Greig de Fife, que foi amante de Catarina a Grande.
A vista do alto da colina para a cidade baixa é famosa em Tallinn e tem alguns miradouros no entorno da praça central de Toompea, os mais indicados são o Patkuli e o Kohtuotsa. Porém, à tarde, o céu ficou muito nublado, impedindo a visibilidade. Selecionei duas fotos na internet (abaixo) para se ter uma ideia da beleza da cidade.
Descemos a colina e chegamos novamente em Raekoja, a praça central do centro histórico com a sua Prefeitura e fomos almoçar.
Coisas de Tallinn – Raekoja Plats
A quantidade de restaurantes em Tallinn é impressionante, alguns com fachadas bastante originais
Optamos pelo restaurante Clayhills e adoramos, a comida estava fantástica.
Depois fomos conhecer a Igreja de São Nicolau, originalmente construída em 1230, mas totalmente destruída nos bombardeios da 2ª Guerra Mundial, em 1980 foi reconstruída e hoje abriga um museu de obras de arte religiosas, retábulos e sepulturas medievais.
Em uma sala anexa da Igreja se encontra a Pintura Danse Macabre (Dança da Morte) de Bernt Notke, do final do século XV. O artista também fez a escultura de São Jorge e o Dragão da Catedral de Estocolmo.
Havia uma outra obra, Danse Macabre de Bernt Notke, na Catedral de Lübeck, na Alemanha, com 30 metros de largura, que foi destruída em um bombardeio dos aliados. O fragmento exposto em Tallinn tem 6,40m.
As ruas no entorno da praça central tem muitos restaurantes, cafés, ateliês de arte, oficinas de artesãos e o seu comércio é muito interessante, porque ainda não foi invadido (contaminado) por lojas de rede que tornam as compras na maioria das cidades todas iguais.
Em Tallinn se encontram muitos artigos originais, típicos, de influência medieval e viking e as próprias lojas são um charme, adorei.
Tallinn é considerada a cidade medieval mais bem preservada da Europa e o seu centro histórico – Vanalinn – parece saído de um conto de fada.
Embora sempre considero melhor ficar pelo menos uma noite no local para sentir a sua magia, o que seria ideal em Tallinn, o passeio bate e volta deu para conhecer as principais atrações da cidade e entender que ela é realmente muito especial. Em uma viagem para a Escandinávia ou Rússia, ou para os dois como nós fizemos, a minha dica é: não deixe de acrescentar Tallin no seu roteiro, eu voltei encantada.
Helsinque foi o nosso terceiro destino, tecnicamente a Finlândia não pertence a Escandinávia, mas em razão da sua posição geográfica, da proximidade com os três (Noruega, Dinamarca e Suécia) é considerada integrante em um sentido mais amplo.
Não esperava muito da cidade, talvez um pouco sem graça, nada disso! Helsinque é maravilhosa, fiquei apaixonada.
Pier Kanavaranta – Katajanokka
Fiquei 3 diárias no Hotel Kamp e dois dias na cidade, porque fiz um bate e volta para Tallinn na Estônia, que vou contar no próximo post. Provavelmente porque fui no verão, achei a cidade animada, alto astral e com muitos lugares para conhecer, dois dias foi pouco.
O Hotel Kamp é super bem localizado, fica a poucos passos da maioria das atrações.
A moeda é o euro o que já facilita, já que em Copenhagen e Estocolmo por ser moeda própria tem aquela chatice de ficar procurando casa de câmbio para trocar, tem situações que falta, usar o cartão mais do que se gostaria, no final sempre sobra um pouco, que no meu caso acabo guardando de lembrança e também dou para um amigo que faz coleção e para o meu pai.
Fachada moderna do Hotel Kamp
O Hotel Kamp tem duas fachadas: a moderna, que é a entrada principal dos hóspedes e a antiga, onde se encontra a brasserie (restaurante do hotel) e o bar. O detalhe do arranjo de flores lindo na entrada: com pingentes de vidro!
Já comentei nos outros posts que a educação e gentileza na Escandinávia é algo excepcional e Helsinque não fugiu a regra. O Hotel Kamp é lindo, tem ótimas instalações, só que o que chama a atenção mesmo é o seu staff extremamente simpático. Eu amei ficar neste hotel, além da beleza e do conforto a sua excelente localização fez o pouco tempo que eu tinha na cidade render.
Depois de 1 hora de vôo de Estocolmo pela Norwegian (excelente) deixamos as malas no hotel e fomos para o museu Ateneum, arte finlandesa do século XVIII até 1950, mais pinturas como Van Gogh, Cezanne, Chagal.
Em frente ao museu está a Rautatientori, a praça da estação de trem com a estátua do escritor Aleksis Kivi e a fachada do Teatro Nacional Finlandês.
Mimetismo
Ao lado da praça (foto abaixo) a estação central de Helsinque, onde três dias depois pegamos o trem para St. Petersburgo
As ruas do centro de Helsinque são lindas e o que mais me chamou a atenção foi a quantidade de flores. Em toda loja, fachada, poste, jardim, tem flor. É impressionante como a cidade é bem cuidada, superou todas as outras neste aspecto.
Em frente ao nosso Hotel Kamp na Pohjoisesplanadi está o Esplanadi, o parque de pedestres mais lindo de Helsinque, era só atravessar a rua e passear, uma delícia. Além dos muitos jardins com flores tem café, restaurante, fontes, banca de jornais e revistas, quiosque com Munkki, as famosas rosquinhas finlandesas.
E a estátua de Johan Ludvig Runeberg, considerado o poeta nacional da Finlândia, de costas, porque o sol a esta hora estava bem forte e a foto de frente não funcionou
Fonte Havis Amanda símbolo da cidade
Depois fomos passear pelas ruas do Design District e foi a região que eu mais gostei de Helsinque, muito perto do Hotel Kamp, do outro lado do parque Esplanadi. Subimos a rua Korkeavuorenkatu em direção ao Museu do Design. Vale a pena passear pelas ruas no entorno do museu, são muitas lojas, restaurantes e bares lindos.
A arquitetura dos prédios dessa área é muito interessante
Abaixo a fachada do Museu do Design de Helsinque, parece de brinquedo!
Quase em frente ao Museu do Design está a Johannes Kastaja, a linda Igreja de São João, no meio do parque Johannesksenpiuste
O prédio mais bonito dessa rua fica ao lado do Museu do Design, no número 21 da Korkeanvuorenkatu, reparem nos detalhes da fachada
Final de tarde um drinque no Kamp Bar, mesa externa em frente ao parque Esplanadi
O drinque do marido veio dentro da coruja de cobre
E jantar na Brasserie Kamp. O restaurante do hotel de cozinha francesa é excelente
Novo dia, acordar cedo para render! Primeira parada: A Biblioteca Central OODI – que significa Ode. Novíssima, inaugurada em dezembro de 2018, custou 98 milhões de euros. O finlandês é o povo mais letrado do mundo, cada habitante lê em média 16 livros por ano.
A escada da Biblioteca, em espiral dupla, é uma obra do artista Otto Karvonen, intitulada Dedicação. São 400 dedicatórias pintadas nas paredes internas da escada. Foi feita uma campanha pública no site da biblioteca para que fossem selecionados os temas. São palavras como: entusiastas, heróis, nós, reformadores, os incompreendidos, os mortos, vencedores, crianças, bruxas, analfabetos, amigos, enfim, a todos aqueles que de alguma maneira as pessoas acham que a biblioteca com seus livros tem conexão.
A Biblioteca Central de Helsinque abre todos os dias, de segunda a sexta a partir das 8:00 até às 22:00 horas, Sábados e domingos das 10:00 às 20:00h. Chegamos antes das 9h e ela já estava assim, com várias pessoas lendo, estudando, a gente chega a se emocionar, não há realmente outra forma de melhorar a condição das pessoas e de um país que não seja pela educação.
Em Helsinque, ao contrário de Estocolmo, amanhecia frio, com céu bem nublado e depois ia abrindo e virava um dia lindo de sol. No decorrer do post dá para ver. A Biblioteca Oddi fica próxima ao Museu de Arte Contemporânea Kiasma e do Helsinki Music Center (foto abaixo)
O Museu de Arte Contemporânea Kiasma tem um prédio em forma de container e expõe obras a partir dos anos 1960.
Obra Nervescape VIII 2019 – Hrafnhildur ArnardóttirObra RNP2S 2018 – Andris EglïtisObra da mostra Howl – Sonja Jokiniemi
Depois a louca por museus passou na frente do Museu de História Natural e não resistiu
Este museu é muito bom, para quem está com crianças então, imperdível.
Uma das atrações mais famosas de Helsinque é a Temppeliaukio Kirkko, uma igreja construída no interior de uma rocha de granito.
Igreja luterana, inaugurada em 1969, possui uma acústica perfeita para concertos e tive a sorte de quando entrei começou um concerto lindo de piano.
O teto da Temppeliaukio é uma cúpula feita com 22 km de fita de cobre. Possui 24 metros de diâmetro e unida a rocha por claraboias que trazem a iluminação natural para dentro da igreja.
Para quem gosta de compras a Aleksanterinkatu é uma das principais ruas de comércio de Helsinque, inclusive fica aqui a Stockmann a sua famosa loja de departamentos, só entrei rápido para conhecer e depois fiquei caminhando pela rua e no seu entorno que tem também um calçadão e prédios lindos.
Já a praça do Senado é a principal da cidade onde se encontram: a Catedral, o Conselho de Estado e a Universidade.
A Catedral de Helsinque (Tuomiokirkko) é uma igreja luterana do ano 1852. Foi construída em tributo ao Czar Nicolau I, Imperador da Rússia, conhecida como Igreja de São Nicolau até a independência da Finlândia em 1917.
O seu estilo é neoclássico e possui 5 cúpulas verdes com estátuas dos 12 apóstolos.
Em frente a Catedral, a estátua de Alexander II, filho mais velho do Imperador Nicolau I
Como estava perto da hora do almoço e com muita fome, fomos para o Mercado Municipal – Kauppatori de frente para o Mar Báltico.
Eu amo mercado e o de Helsinque é ótimo, em funcionamento desde 1889, possui muitos produtos alimentícios, carnes, peixes, enlatados e vários restaurantes.
Almoçamos aqui no E. Ericksson e foi muito bom.
Comida deliciosa e a mesa era tão pequena que a garrafa de vinho teve que ficar no banco!
Em frente ao mercado, na sua praça tem uma feira com muitas barracas de comida e souvenirs. Dá para resolver muitos presentinhos aqui porque tem coisas bem legais e interessantes.
No centro o Obelisco de Pedra de 1835 em honra ao czar Nicolau II e a czarina Alexandra. Amo quando passa uma gaivota na hora da foto.
A feira fica em frente ao porto onde os pescadores descarregam pela manhã e onde também saem os barcos que fazem passeios ou transporte para as outras ilhas.
Muito próximo do mercado (500 m) na ilha/bairro Katajanokka se encontra a Catedral Uspenski, uma igreja ortodoxa cristã dedicada a dormição de Theotokos. Dormição significa morte e Theotokos a Virgem Maria. Uma das grandes celebrações da igreja ortodoxa e a última festa do ano litúrgico bizantino é a assunção de Maria.
A Catedral foi construída durante o período do czar Alexandre II que era também o soberano do grão ducado da Finlândia, suas paredes são de tijolos vermelhos e as cúpulas verdes com cebolas douradas, em um total de 13 representam Cristo e os 12 Apóstolos.
A igreja fica em uma pequena colina de fácil acesso e fecha às segundas feiras. Sábado e domingo o seu horário de visitação é bem reduzido (12:00 às 15:00). Durante a semana das 9:30 às 20:00 horas. Vale a pena se programar para conhecer o seu interior que é lindo e pode fotografar.
Katajanokka, a ilha onde está localizada a Catedral Uspenski, é acessível pela ponte Kanavakatu e é um lugar muito agradável para passear, tanto durante o dia quanto à noite.
Neste prédio funciona um complexo de bares e restaurantes, onde voltamos à noite para jantar e tomar uns drinques. A vista aqui para mim foi a mais bonita de Helsinque.
Voltando em direção à praça do mercado a vista também é linda, me apaixonei por Helsinque, muita saudade.
A Escandinávia é famosa pelo design e um exemplo em Helsinque é a Kampin Kappeli, na Praça Narinkka. Conhecida como a Capela do Silêncio, por ser um local para se acalmar, ter um momento para reflexão e silêncio em uma das áreas mais movimentadas da cidade.
Fui sozinha, o marido não quis ir, então pedi para um “japonês” fazer essa foto. Ele não falava inglês, mas na mímica deu tudo certo, aliás essa dica é antiga e não falha, precisou de foto pede para um asiático, fica top!
A capela é toda feita de ripas de madeira de abeto tratadas com cera. Um templo ecumênico inaugurado em 2012. Não pode fotografar no seu interior, foto abaixo da internet.
Ao lado da Praça Narinkka está a praça Lasipalatsi onde foi construído o Museu Amos Rex, inaugurado em 2018, que fica no subsolo. A construção em formas curvas e cúpulas que podem chegar a 3,5 m do solo é popular entre crianças e adolescentes que adoram escalar as suas formas, que são na realidade o teto do museu, cujo acervo possui as 250 obras de arte moderna de propriedade de Amos Anderson, que foi dono do maior jornal em língua sueca da Finlândia e patrono das artes.
À noite voltamos a Katajanokka, fomos no bar Crazy Wine para uns drinques e depois jantamos no Ravintola Nokka (ravintola é restaurante em finlandês).
As duas primeiras fotos fiz durante o dia quando passei na frente do Crazy Wine, que fica na Kanavaranta, 3 e achei tão lindo por isso fui à noite, no mesmo complexo do restaurante Nokka, algumas portas antes.
O meu drinque era um tipo de pina colada e vinha dentro dentro desse abacaxi dourado
O Ravintola Nokka é especializado em carnes. Vive lotado, melhor fazer reserva.
O Nokka é um restaurante que tem uma preocupação enorme com a origem de seus produtos, promove pequenos mercados com agricultores que vendem diretamente para os consumidores, todos os produtos são certificados, orgânicos.
Cordeiro deliciosoA vista do Ravintola Nokka
À noite, no pier junto a Kanavaranta, Helsinque é ainda mais linda.
Quanto as compras, achei Helsinque incrível e o lugar que eu mais gostei foi a Kamp Galleria, um mini shopping muito charmoso com uma curadoria de marcas bem legal.
Tem várias entradas, ela ocupa uma quadra, com acesso pelas quatro ruas, uma em frente ao parque Esplanadi, outra pela Aleksanterinkatu (a rua de compras) e até um acesso privativo para os hóspedes do Hotel Kamp.
Do meu quarto eu tinha vista para essa cúpula. A loja que eu comprei algumas peças (blusas) que depois usei em São Petersburgo foi a “& Other Stories” (não é essa da foto). Tem roupas, sapatos, acessórios, produtos de beleza, com um preço ótimo, fiquei louca!
Mais uma vez, passando pela Aleksanterinkatu, a principal via de Helsinque que tem de tudo, arquitetura linda, lojas, restaurantes, bares e artistas de rua, muito movimento e animação.
Cada prédio uma surpresa
No final da Aleksanterinkatu a estátua de bronze “Kolme Seppää”, de 1932 do artista Felix Nylund. São três ferreiros nus martelando em uma bigorna que simboliza o trabalho humano e a cooperação entre as pessoas.
Na segunda noite, quando voltamos de Tallinn, fomos jantar perto do hotel, no restaurante Salutorget. Especializado em frutos do mar, fica em um salão Art Nouveau no antigo edifício do Banco da Finlândia.
Comida e serviço excelentes, localização fantástica, um dos melhores da cidade.
Algumas pessoas me perguntaram se a Escandinávia é cara mesmo como comentam. Barato ou caro é muito relativo, o que eu percebi é que em restaurantes e bares do mesmo nível, por exemplo, em Paris é mais caro. Lugares baratos e caros para se hospedar e comer tem em todos os lugares. Claro que em cidades do interior ou países como Portugal e Espanha os valores são mais baixos mesmo.
Não costumo achar cara comida de qualidade em ambiente idem, porque sei todos os custos que envolvem este tipo de empreendimento. O que me chamou a atenção foi o preço das bebidas alcoólicas, em especial em Helsinque. É bem alto, porque o tributo em cima é pesado. Inclusive os moradores driblam esse “problema” indo comprar em Tallinn, fato que comento em detalhes no próximo post.
A Escandinávia possui uma das melhores qualidade de vida do planeta, os impostos são pesados, mas, diferente do Brasil, reverte em serviços públicos de excelência para a população. Assim, o custo de vida é alto, mas nada que impeça de visitar. Existem diversos lugares para se hospedar e comer a preços bem razoáveis.
Se há 10 anos alguém me perguntasse: E aí, não tem vontade de conhecer a Escandinávia? Eu responderia: Não! Tem lugares bem mais interessantes no mundo para conhecer. Que bobagem, ainda bem que eu mudei, antes tarde do que nunca diz o ditado! A Escandinávia é um daqueles lugares que eu chego a conclusão: por que demorei tanto tempo para ir? Amei tanto, fiquei tão encantada e o difícil do blog é justamente rever as fotos, comentar sobre esses lugares incríveis, porque dá uma saudade imensa, uma vontade de ser teletransportada para lá, urgente!
Então, se você gosta de arte, cultura, organização, segurança, limpeza, educação, simpatia e beleza em tudo: na arquitetura, nas pessoas (insuportável hehehe), na natureza, quem não gosta? Corre para lá, você não vai se arrepender, porque o único defeito da região que é o clima (algum tinha que ter) a gente no final nem dá bola, são tantas as qualidades. Não vejo a hora de voltar!
A mais linda das três cidades que conheci na Escandinávia. Estocolmo é contemplação, é para ficar vagando e suspirando e nada mais. Só que tem muito o que ver e fazer sim! Então entre um ponto e outro do check list do caderninho a gente vai enchendo os olhos de beleza.
Estocolmo é a capital e maior cidade da Suécia, tem quase 1 milhão de habitantes, sendo também a capital da Escandinávia, região histórica e geográfica da Europa setentrional que abrande a Noruega, Dinamarca e Suécia, podendo em um sentido mais amplo incluir a Finlândia também.
Novamente, sol e chuva, óculos de sol e sombrinha, camiseta e casaco, calor e frio, esse céu azul lindo da foto e céu encoberto, mudando a cada 5 minutos, porque o verão na Escandinávia não é moleza meus amigos.
Escolhi o Grand Hotel Stockholm para me hospedar com um pouco de receio. Não gosto desses hotéis gigantes com milhares de quartos, que a gente tem que andar quilômetros para chegar no quarto, acho impessoal, enfim, a localização era excelente, resolvi arriscar e deu certo! Em algumas fotos na internet ele parece decadente, não tem nada disso. O hotel é lindo, restaurante e bar maravilhosos, staff super gentil, ganhei um upgrade reservando pelo booking.com milagre!
A fachada do Grand Hotel Stockholm
O quarto era muito espaçoso, confortável, limpeza excelente, tinha um closet na entrada e um banheiro enorme, ar condicionado e wi-fi funcionando perfeitamente e não era distante do elevador e do hall.
Almoçamos no Restaurante Veranda do próprio hotel, com uma vista linda e era um serviço de buffet maravilhoso, adorei. Tinha a opção à la carte também, mas gostamos tanto do que havia no buffet que nem pensamos duas vezes.
Depois do almoço fomos em direção ao Palácio Real, no caminho o prédio do Parlamento Sueco
O Palácio Real, na ilha de Gamla Stan (cidade velha), fica a poucos passos do Grand Hotel. Este palácio é para eventos oficiais, é enorme, tem vários aposentos e possui 3 museus. A residência particular da família real sueca é o Drottningholm.
No primeiro andar estão os antigos aposentos reais, no segundo andar os aposentos de Estado e quartos dos hóspedes.
Os três museus no interior do palácio são: Tre Konor sobre a história medieval dos palácios
O Museu de Antiguidades de Gustav III
E o tesouro, das jóias da realeza, que infelizmente não pode fotografar.
Em seguida fomos passear pelo bairro histórico da ilha Gamla Stan (cidade velha) e foi o lugar que eu mais gostei em Estocolmo. Mesmo com a multidão de turistas que se concentra nesse local, principalmente de cruzeiros, a partir das 17 horas já fica bem tranquilo.
Estocolmo é composta de 14 ilhas, no Lago Malaren onde encontra o Mar Báltico. O bairro de Gamla Stan fica na ilha de mesmo nome. A sua praça central Stortorget (bem no meio da ilha) é o cartão postal de Estocolmo: as fachadas de casinhas coloridas que são puro charme.
Na praça central Stortorget tem a Catedral de Estocolmo e o Museu Nobel. O museu é do tipo interativo, tem muito conteúdo digital para pesquisar.
O Museu do Prêmio Nobel fica no edifício da Bolsa de Valores e é dedicado aos ganhadores do prêmio, cerimônia que ocorre todo dia 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel que começou a fundação para premiar as mentes mais brilhantes do mundo. Todas as categorias do prêmio são entregues em Estocolmo a exceção do Prêmio Nobel da Paz que é na Noruega (Oslo).
Tem muitas biografias interessantes dos premiados e algumas com itens pessoais como os sapatos de Selma Lagerlöf, escritura sueca, ganhadora do nobel de literatura em 1909 e primeira mulher a ser membro da Academia Sueca em 1914.
Neste mesmo local está a Catedral de Estocolmo, dedicada a São Nicolau
Storkyrkan – Grande Catedral – teve a sua primeira edificação no século XIII, converteu-se em igreja luterana em 1527 e o seu exterior foi remodelado para o barroco em 1740.
No interior da igreja tem uma estátua de madeira de São Jorge e o Dragão do século XV, cuja beleza é impressionante.
Ainda na ilha Gamla Stan o legal é percorrer as suas ruas com muitas lojas, galerias de arte e restaurantes, entre as que eu mais gostei estão a Vasterlanggatan, a Kopmangatan, a Lilla Nygatan e a Stora Nygatan.
Na rua Kopmangatan tem a praça Kopmanbrinken com uma estátua de São Jorge e o Dragão. Essa rua e o seu entorno tem lojas de bijouxs, jóias, roupas, antiquários e galerias de arte bem interessantes.
Fiquei apaixonada por esse bairro e no outro dia voltei para andar mais por aqui, depois mostro mais um pouco.
Na primeira noite nós fomos jantar em um restaurante que eu estava louca para conhecer: Hallwylskabar, no pátio do Museu Hallwyska
É um restaurante, bar, balada, super na moda, amei!
Minha mesa foi bem perto da fonte
Fomos caminhando na volta à beira mar e foi muito lindo
No outro dia fomos conhecer a Prefeitura de Estocolmo. Estava um dia lindo e caminhamos até lá, parando em muitos lugares para fotografar
A Prefeitura de Estocolmo (Conselho Municipal) fica na Hantverkargatan é de 1923. Possui uma torre de 106 metros de altura. Aqui e realizado o banquete do Prêmio Nobel. Para conhecer o seu interior só através de tour guiado (tem em inglês e espanhol) sempre em hora cheia. É bom chegar um pouco antes para comprar o ingresso.
Salão Azul
Quando eu fui comprar o ingresso a funcionária do guichê era bem simpática e após eu sair ela veio atrás de mim para dizer que tinha amado a minha blusa, que esqueceu de falar na hora, bem querida! Depois voltou para trabalhar, hahaha
O tour levou 1 hora, achei muito longo, a guia falava sem parar, muita informação, enfim, eu queria conhecer e não tinha outro jeito. São alguns ambientes para visitar como o Salão Azul, Salão do Conselho, Salão Oval, a Galeria Príncipe, a Sala das Três Coroas e a Sala Dourada, a mais linda.
Lembro que nessa sala (Salão do Conselho) a guia ficou meia hora falando sobre o teto de madeira, nossa foi de matar!
Finalmente chegamos na Sala Dourada que eu queria tanto conhecer. É linda demais! O baile do prêmio Nobel acontece aqui. A sala é toda coberta de mosaicos. São 18 milhões de pastilhas de vidro e ouro, é realmente impressionante.
Agora a gente respira fundo e enfrenta a multidão para fazer a foto dos sonhos, expectativa x realidade e felizmente consegui! Ponto para o maridão.
No painel a representação da Rainha do Lago Mälaren, denominação antiga de Estocolmo já que a cidade é banhada por esse lago que dá acesso ao mar Báltico.
Todas as paredes são decoradas com cenas que tem ligação com a história da Suécia
Na área externa, o jardim da Prefeitura às margens do lago Mälaren
Mais um passeio pelas ruas de Gamla Stan
E a rua mais estreita da cidade – Marten Trotzigs Grand. O nome é de um imigrante alemão que fez fortuna em Estocolmo e possuía muitas propriedades neste local. A entrada é pela Vasterlanggatan, ao lado do Café Jarntorget. Ao fundo possui 36 degraus e termina com menos de 1 metro de largura na Rua Prastgatan.
Abaixo a fachada do Aifur, um restaurante temático viking, com música ao vivo, muito pitoresco, só funciona para jantar.
Na rua Stora Nygatan tem a Polkagriskokeri a mais famosa loja de doces de Estocolmo, desde 1859, as doceiras embalam os doces na própria loja. Aqui foi criado um dos símbolos mais conhecidos do Natal, o doce em forma de bengalinha de listras branca e vermelha.
Na Rua Svartmangatan entramos na Igreja alemã (luterana) de Estocolmo, dedicada a Santa Gertrudes
Caminhando fui em direção ao Mercado Municipal de Estocolmo – Ostermalms Saluhall de 1888, considerado o 7° melhor salão de alimentos do mundo e para mim falou “qualquer coisa melhor do mundo” estou lá! Mesmo porque amo visitar e de quebra comer em mercado.
E quando eu cheguei? Fechado para reforma!! Nem da fachada deu para fotografar, todo coberto de andaimes, vontade de chorar. Ao lado foi construída uma área provisória onde funcionam alguns restaurantes e bancas de produtos à venda.
Abaixo o prédio original. Arrasada! O Mercado de Estocolmo fica no bairro Norrmalm
Bom, vamos em frente, quem sabe um dia eu volto a Estocolmo!
Próxima parada: Museu Vasa na Ilha Djurgarden, construído para abrigar um navio. Exatamente, o museu é todo dedicado a este navio e a sua incrível história.
O navio de guerra Vasa foi construído a mando do rei Gustav Adolf II. Em 10 de agosto de 1628 ao sair do porto disparou uma salva de canhões, só que deu uma rajada forte de vento que fez ele reclinar e entrou água pelas canhoneiras que estavam abertas fazendo o navio afundar morrendo 50 de seus 150 tripulantes. Quer dizer: o navio nem saiu do porto, já afundou, uma tragédia.
Vasa é o nome da dinastia reinante na época. O navio possuía 3 mastros, 10 velas, 69 metros de proa à popa e 1.200 toneladas. Um dos maiores da marinha sueca, com 64 canhões. Era um palácio flutuante com 700 esculturas.
A causa provável do seu naufrágio foi que o rei quis que instalassem mais canhões do que a estrutura do navio podia suportar, causando o desequilíbrio.
Em 1956 Anders Franzén, sueco, técnico marinho e arqueólogo naval amador descobriu o Vasa e em 1961 ele voltou a superfície. É o único navio de guerra do século XVII existente no mundo com 98% do casco original.
O museu Vasa é muito interessante e vale a pena a visita.
Ao lado do Vasa se encontra o Museu Nórdico e embora não estivesse nos meus planos resolvi entrar, achei o prédio tão lindo! É um bom motivo, não é mesmo?
O museu é dedicado à história e cultura do povo sueco, desde o final da idade média até a era contemporânea.
Rei Gustav I Vasa (reinou de 1523 a 1560)
O museu é enorme e tem muitas peças interessantes, com cenas da vida cotidiana sueca em várias épocas, assim como trajes, jóias, mobiliário, louças, etc. Amei conhecer, se tiver tempo na cidade vale muito a pena.
Nessa ilha Djurgarden também se encontra o museu do ABBA, grupo musical sueco que estourou nos anos 1970 e um dos mais famosos do mundo. Mas, mesmo sendo fã de suas músicas, estava tão cansada, achei que não valia a pena ir no museu da banda.
No caminho de volta, na Rua Nybroplan, a fachada do Teatro Dramático Real de 1788, em estilo Art Nouveau.
À noite, jantamos em um restaurante asiático. O meu plano era jantar em uma brasserie dentro da Ópera de Estocolmo, mas estava fechada para férias. Confesso que não sou muito fã da culinária asiática, mas passamos na frente desse restaurante na noite anterior e achei tão lindo que resolvi experimentar. Adorei!
O Restaurante Berns Asiatiska fica no Berzelii Park, dentro do Hotel Berns. Ambiente lindo e atendimento super simpático de Astrid uma brasileira muito querida e a comida estava excelente.
À noite o restaurante é bem escuro e movimentado, então busquei uma foto na internet para se ter noção da beleza do lugar.
Para fechar a noite, um drinque no Cadier, o bar do Grand Hotel Stockholm
Abaixo, foto do Cadier Bar durante o dia
No dia seguinte, fomos conhecer uma outra ilha/bairro de Estocolmo, o Södermalm. Esse bairro é ligado ao Gamla Stan pela Ponte Katarina Vagen. A primeira parada foi no Museu Fotografiska
Como o próprio nome já diz, o museu é dedicado a fotografia, antes um departamento do museu de arte moderna, inaugurou neste espaço em 2010 e só pelo local já vale a visita, embora eu sou suspeita para falar porque amo foto e fico babando na genialidade do olhar, da capacidade de capturar, flagrar esse instante que muitas vezes é em um segundo.
Do fotógrafo alemão Vincent Peters – David Beckham – London 2001Da fotógrafa holandesa Scarlett Hooft Graafland – Lemonade Igloo – Arctic Canada – 2007Da fotógrafa britânica Mandy Barker – Sea of Artifacts – Soup – Refused
O museu Fotografiska tem um rooftop com café e restaurante e uma vista incrível
E no térreo uma loja maravilhosa, pena que não fotografei, a melhor de museu que eu fui em toda a Escandinávia.
Depois fomos bater perna pelo bairro, na saída do museu esse paredão imenso de rocha na Stadsgardsleden
Passamos pela igreja Sofia Kyrkan, na Skanegatan. Ela fica em uma pequena colina, de 1906, é luterana, tem esse nome em homenagem a rainha sueca Sofia de Nassau e no momento da nossa visita estava acontecendo um casamento.
E chegamos na área principal do bairro Sodermalm o entorno da praça Nytorget
Nytorget Urban Deli
O Sodermalm é um bairro muito bom para passear, como fomos em um sábado estava acontecendo uma feira de produtos orgânicos, a Bondens Egen Marknad e tinham alguns moradores vendendo peças vintage também.
Percorremos a rua Gotgatan com lojas de objetos de decoração e arte muito legais
Vitrine da Hantverket
E nessa rua almoçamos no restaurante Tiffany’s, muito bom! Então fomos descendo a Gotgatan em direção a ponte Katarina para Gamla Stan o coração de Estocolmo
Medborgarplatsen
E a vista de Gamla Stan pelo lado de Sodermalm
Aproveitamos para conhecer a famosa loja de departamentos de Estocolmo, a Nordiska Kompaniet, na Hamngatan e a beleza dela está no prédio, na sua fachada, porque por dentro é uma loja de departamentos como todas as outras, sem novidade.
Antes de chegar no nosso hotel fomos no Kungstradgarden, que significa Jardim do Rei, na Stromgatan, bairro Norrmalm, uma praça/ parque muito bonito e como era final de semana, estavam montando os estandes para uma uma série de eventos esportivos e musicais.
Estatua do Rei Karl XIIMonumento ao Rei Karl XIII
No último dia voltei a esse parque, pela manhã bem cedo, porque achei tão bonito e era bem ao lado do meu hotel e fiz mais algumas fotos para depois ir embora. Sempre amanhecia ensolarado em Estocolmo e depois ia nublando.
Igreja de St. Jacobs
No Kungstradgarden tem um espelho d’água rodeado com 60 cerejeiras que na época da floração (entre março e abril) fica fantástico
Por fim, atravessamos a ponte que liga o bairro Norrmalm e chegamos na pequena ilha de Skeppsholm e no jardim em frente ao museu de arte moderna esculturas/instalações dos artistas Jean Tinguely (metal) e Niki de Saint Phalle (animal)
Na última noite, por sugestão do Concierge fomos jantar em um restaurante especializado em frutos do mar, o Wedholms Fisk. Meu Deus, que comida maravilhosa!
Cansada e feliz, que cidade linda
Para me despedir dessa cidade que é pura beleza segue as fotos feitas na charmosa ponte Skeppsholmsbron de ferro e madeira com uma coroa dourada no seu centro e uma vista de sonho
Acabei de voltar de uma viagem de 19 dias pela Escandinávia e Rússia e estava ansiosa para contar. Copenhagen foi o primeiro destino e me apaixonei de imediato e já adianto: foi o meu preferido na Escandinávia.
Capital e maior cidade da Dinamarca com 1.200 milhão de habitantes, situa-se nas ilhas de Zelândia e Amager e foi fundada no ano de 1.167. A Dinamarca tem 406 ilhas e Copenhagen tem essa geografia tão peculiar.
Em relação ao clima, agosto é verão, mas pela manhã é frio (16/18 graus) a tarde esquenta um pouco (não passou dos 23 graus) e o céu mudava com a maior rapidez que já vi na vida. Durante o dia fazia sol, chuva, céu claro, céu encoberto, às vezes mudava a cada 5 minutos, no começo irrita, depois a gente acostuma, fazer o que? Tinha que sair com casaco, camiseta, óculos de sol, sombrinha, o Kit completo. Graças a Santa Clara para quem eu sempre rezo pedindo para clarear os meus caminhos a quantidade de chuva foi mínima, ainda bem, porque no verão chove mais. Outro detalhe: previsão do tempo não existe. Errava sempre: dizia que ia chover e nada, dizia que ia fazer sol o dia inteiro e chovia. Muito louco. E isso se repetiu por toda a Escandinávia.
Fiquei 3 dias na cidade e foi pouco. Tem muito o que ver e fazer. Fiquei hospedada no Hotel d’Angleterre na Praça Konges Nytorv, super bem localizado, a poucos passos do Canal Nyhavn o cartão postal da cidade.
O Hotel d’Angleterre é lindo. Possui o restaurante Marchal com estrela Michelin (não fui) e o Balthazar Champagne Bar que eu amei. O quarto base (superior guest room) é bastante espaçoso e confortável. O Staff muito gentil e o café da manhã já incluído na tarifa é excelente, servido no mesmo ambiente do Marchal.
Agora, vamos conhecer essa cidade incrível?
Assim que cheguei, deixei as malas no hotel (de Roma vôo de 2 horas) e fui conhecer o canal Nyhavn e aproveitei que o tempo estava bom, céu claro (algumas nuvens) com sol para fazer um passeio de barco, tour pelos canais.
O Canal Nyhavn é a imagem que temos de Copenhagen, aquelas casinhas coloridas que parecem o brinquedo de bloquinhos de madeira de quando éramos crianças (quem tem mais de 40 anos).
Daqui partem os tours, tem duas empresas, bem simples a compra do tíquete no guichê no início do canal e lá fomos nós. No barco tem audioguide em inglês e espanhol.
Aproveitei o passeio de barco também para ver duas atrações da cidade que não tinha vontade de conferir de perto: o bairro Christiana (comunidade livre e autônoma onde ocorre a venda de drogas, lixo, sujeira e criminalidade) e a estátua da pequena sereia (conto do escritor Hans Christian Andersen, de 1913).
A Estátua da Pequena Sereia – no barco vemos de costasÓpera de Copenhagen na iha de Holmen
Na primeira noite fomos jantar em um dos restaurantes do canal Nyhavn e aqui acontece uma peculiaridade em decorrência dos cruzeiros. Durante o dia ferve de pessoas, quando chega à noite, os passageiros de cruzeiros vão embora, ficam poucas pessoas na rua e os restaurantes vazios. Dá uma pena porque é um local bonito, tem vários restaurantes bons, e apesar de ser um local turístico tem muito charme.
Comemos no restaurante Heering no número 15, tem ambiente externo e interno, bem em frente ao canal, bonito e comida excelente.
No outro dia acordamos cedo e fomos no Kastellet uma cidadela fortaleza construída em 1662. Na entrada pela Esplanaden tem o Portão do Rei.
Nesta fortaleza que funcionou também como prisão ficou encarcerado Johan Friedrich Struense médico do Rei Christian VII por ser amante da rainha Caroline Matilde.
Casa do Comandante
Os prédios de tijolos vermelhos eram armazéns usados para guardar armas e mantimentos.
Ao lado da entrada da fortaleza, à direita, encontra-se a Igreja Anglicana St. Albans, em frente ao lago.
A igreja ainda estava fechada, não entrei, ao lado se encontra a Gefion Fonte.
O Churchil Park no caminho de ida e volta de Kastellet é lindo demais.
Fomos caminhando pelo parque, fazendo o caminho de volta para o hotel Angleterre e passamos por ruas com galerias de arte e lojas de design incríveis, de surtar, principalmente a Rua Bredgate. Copenhagen tem um comércio maravilhoso, a gente demora muito para chegar no destino porque cada vitrine é uma parada para apreciar a beleza das peças.
E chegamos no Palácio Amalienborg, a residência oficial de inverno da família real. São quatro edifícios idênticos e na praça central a estátua do rei Frederick V.
Como é bom chegar cedo e ter o cenário só para a gente!
É possível visitar dois prédios: o Christian VII, palácio que serve de residência para hóspedes (apenas por tour guiado às quartas feiras – não fui) e o Palácio Christian VIII que funciona como museu dos objetos da realeza.
Em frente ao Palácio Amalienborg vemos a Igreja de Mármore, conhecida por esse nome (Marmorkirken) mas seu nome é Frederikskirke, de 1894 em estilo rococó, templo luterano que levou 150 anos para ser construída.
A Igreja de Mármore possui o maior domo da Escandinávia e foi inspirada na Basílica de São Pedro em Roma. No pórtico está escrito: A Palavra do Senhor Permanece para Sempre.
A poucos passos do palácio e da igreja está o Museu do Design. Foi fundado em 1890 e desde 1926 funciona neste local. O prédio é do ano de 1752 e foi o antigo Hospital Real Frederik V.
Além do acervo permanente estava no momento acontecendo a exposição 100 anos Bauhaus – escola de arte vanguardista na Alemanha, foi uma das maiores e mais importantes expressões do modernismo no design e na arquitetura, sendo a primeira escola de design no mundo.
Depois fomos passear pela Rua Stroget, com 1,1 Km de extensão, para pedestres, possui muitas lojas e restaurantes. A rua começa na Praça Konges Nytorv (para mim que estava no Hotel Angleterre)e termina na Prefeitura (Radhus)
Tem muitas lojas nessa rua, mas a minha preferida foi a incrível ILLUMS BOLIGHUS e tem de tudo: roupas, acessórios, cosméticos, cama, mesa, banho, artigos de decoração, papelaria, iluminação. É como uma loja de departamentos (que eu não gosto) mas aqui é diferente, tem muito charme, a disposição das peças, os próprios artigos a venda, lindos e originais, como só a Escandinávia sabe fazer!
A ILLUMS é a maior loja de design escandinavo do mundo, precisa mais?
Almoçamos no rooftop da loja que tem uma ótima seleção de restaurantes. Escolhemos o Skagen e o fish and chips que eu comi estava maravilhoso.
Continuando pela Rua Stroget, ao longo do seu percurso tem 3 praças: Nytorv (onde tem o prédio do Tribunal de Justiça), Gammeltorv (fonte renascentista) e Amagertorv (ao fundo Palácio Christiansborg).
Caminhamos até o Palácio Christiansborg e fizemos algumas fotos externas, mas deixamos para entrar no dia seguinte, estava um dia de sol tão lindo que preferimos continuar passeando e chegamos na Radhus a Prefeitura de Copenhagen.
A praça da Prefeitura (Radhuspladsen) é muito bonita, bem animada.
Eu não disse que estava um dia lindo de sol? Pois é, observem o céu das duas fotos acima, feitas com no máximo 1 hora de diferença. A Escandinávia é assim, ou pelo menos foi assim para mim, o tempo todo. Abria e fechava o céu com uma rapidez impressionante.
O prédio da Prefeitura foi construído entre 1892 a 1905 e possui o Grande Salão onde são realizados casamentos e festas.
No interior do prédio da prefeitura, logo na entrada à direita, se encontra o Relógio Mundial Astronômico de Jens Olsen, o relógio mecânico mais precioso do mundo, marca as horas e a posição dos planetas, do sol, da lua e das estrelas. Fiquei muito tempo esperando para tentar fazer uma foto só do relógio, mas não consegui, sempre tinham pessoas na frente.
O relógio começou a funcionar em 1955, dez anos após a morte de seu inventor e a sua corda dura uma semana de funcionamento.
Quando saí da Prefeitura o céu já estava assim!
E seguimos para o Parque Tivoli, o segundo parque de diversões mais antigo do mundo (o primeiro também fica na Dinamarca). De 15 de agosto de 1843, tem 86.000 m² e dizem inspirou Walt Disney quando esteve aqui a construir o seu nos Estados Unidos.
Sinceramente, achei uma atração que só faz sentido se você está com crianças, tem uma área verde bem bonita, vários restaurantes, mas o barulho dos brinquedos e a gritaria me deixou atordoada.
A parte do pavilhão chinês é muito interessante.
E como estávamos cansados dessa maratona voltamos para o hotel “pedalando”. Na praça da prefeitura tem vários tuk tuk.
À noite fomos jantar ao lado do Hotel Angleterre, no Fishmarket, restaurante de frutos do mar muito bom, ambiente descontraído e atendimento simpático não preciso nem falar porque é “lei” em Copenhagen, todos são muito educados e a gentileza domina.
No outro dia, acordar cedo (sempre) para conhecer o Palácio Rosenborg, um castelo construído pelo rei Christian IV no século XVII e foi residência real até 1710.
O Palácio Rosenborg é lindo demais! Por fora e por dentro, tem inúmeras salas e quartos com um imenso acervo de objetos de toda a história da família real dinamarquesa, amei! Considero a sua visita imperdível.
E agora vem a parte difícil, que fotos escolher para publicar, porque é tudo tão lindo, todos os ambientes são interessantes.
No primeiro andar tem uma série de retratos, entre eles a rainha Caroline Mathilde de 1767, para quem não conhece história dela é legal assistir o filme “O Amante da Rainha” com Alicia Vikander. Caroline foi mulher do rei Christian VII, que era louco, e amante do médico Struensee. Suas ideias (ou ideais) tiveram uma importância enorme para o desenvolvimento da Dinamarca.
E no subsolo uma exposição das jóias da realeza. E pode fotografar tudo!
Próxima visita: Palácio Christiansborg. Inicialmente construído em 1733, foi destruído e seu prédio atual é de 1907. O palácio nunca serviu de moradia real, mas era usado para festas e recepções de líderes, os eventos reais são realizados aqui. Hoje é a sede do parlamento e o primeiro ministro também mora no local.
O prédio abriga os 3 poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
O Palácio Christianborg é o mais bonito de Copenhagen, com diversos ambientes como: Salões Reais, Biblioteca, Salão Jantar, Hall Grande, Salão do Trono, Capela, Museu do Teatro, Estábulo e a Cozinha Real que não é mais usada, mas ficou equipada como na época do Rei Christian X avô da atual rainha.
A Biblioteca possui duas salas com 10.000 livros
O ambiente mais espetacular é sem dúvida o Grande Hall onde tem uma coleção de tapeçarias lindas demais!
Depois, logo ao lado do palácio, fomos conhecer o Museu Nacional da Dinamarca, com um acervo que conta a história e a cultura dinamarquesa.
Estava acontecendo uma exposição temporária sobre a história de Genghis Khan e o império mongol, fascinante! O museu é muito bom, tem um acervo enorme e é um verdadeiro labirinto, dá para ficar horas lá dentro.
Na saída o dia estava assim! O gostoso do verão é que os dias são bem longos, rendem muito, dá para ficar passeando até às 21h com a luz do sol, eu amo!
E sabem por que eu escolhi esse dia para conhecer os palácios e museus? Porque a previsão era chuva!!! Não deu uma gota!!! Metereologia zero!!!
Saindo sem rumo acabei descobrindo uma rua que fiquei apaixonada, na realidade ela tem dois nomes na sua extensão: como saí da prefeitura ela começou com o nome de Kompagnestraed e depois Laederstraede. Um charme só! Galerias de arte, antiquários, brechós, lojas de roupas, objetos, decoração e muitos restaurantes. Ela tem um piso pedonal que ajuda muito no passeio, passam carros, mas acho que são só autorizados, porque são poucos.
Almoçamos nessa rua no Zirup, ambiente incrível e comida muito boa, recomendo! Imagino que deve ser demais essa rua à noite.
Na Kobmagerdade, uma rua muito boa para passear também, marido ficou louco com uma livraria gigante, deixei ele lá e fui fotografar logo em frente a Rundetarn, torre redonda com 35 metros de altura, de 1637 que faz parte do complexo da Igreja Trinitatis. A torre tem observatório astronômico e planetário. Não tive interesse de subir.
Interior da Igreja Trinitatis
E, por fim, fui no Museu Guiness e achei bem fraco, ele é do tipo interativo, com vários jogos, bom para crianças e adolescentes.
Na última noite, fomos jantar no restaurante The Market que eu amei! Ambiente lindo, lotado, tem dois espaços, o de cozinha asiática e o de cozinha italiana, fui neste último, comi uma massa deliciosa.
Para fechar com chave de ouro, champagne e caviar no Balthazar Bar do Hotel Angleterre.
Copenhagen é uma cidade pequena geograficamente, seu centro é compacto e as atrações não são distantes uma da outra, só que tem muita coisa para ver e fazer, então três dias para mim foi pouco, fiquei com uma tristeza enorme de ir embora, queria ter ficado pelo menos mais dois dias.
É uma delícia passear pelas suas ruas. Tem muitos restaurantes maravilhosos e aqui quero explicar porque não fui nos dois restaurantes mais famosos e no topo da lista dos melhores do mundo: Noma e Geranium. Pesquisei bastante, conversei com amigos que já foram para me decidir. Tudo é uma questão de perfil. Amo a alta gastronomia, conheço alguns restaurantes estrelados pelo mundo, mas o “esquema” desses restaurantes não me agradou. O menu é pré determinado, não dá para escolher o prato, sazonal (o Noma por exemplo no verão é menu vegetariano), uma sequência enorme de pratos bem “autorais” e o jantar dura 4 horas. Sou muito enjoada para comer, tem muita coisa que eu não gosto, quero pagar pelo prato que eu escolho e não que o dá na cabeça do Chef de preparar. Então não fui. Se tivesse a opção de escolha certamente teria ido. Comi super bem em todos os restaurantes que almocei e jantei. E nunca fui do estilo ir só para dizer que estive lá, então não me fez falta!
Quanto a cidade, ahhhhh fiquei apaixonada por Copenhagen.
O Dinamarquês é considerado o povo mais feliz do mundo, felicidade essa que está no extremo grau de confiança que eles tem uns nos outros. A vida é segura, tranquila, estável. As instituições funcionam, o alto nível de educação, a gentileza e o respeito que eles tem a tudo e a todos me fizeram concluir que na Escandinávia o ser humano deu certo. A civilização que nós só conhecemos na teoria lá vivemos na prática. Que sonho um dia poder replicar essa vida aqui.
Cidade da Província de mesmo nome, Córdoba se situa na região da Andaluzia, sul da Espanha e fica a uma distância de 395 Km de Madri e 132 Km de Sevilha.
Foi a partir de Sevilha que conheci Córdoba em um passeio de um dia (bate e volta) de trem, viagem que durou 45 minutos. Comprei o bilhete no site http://www.raileurope.com.br
Quando planejei a minha viagem para a Andaluzia pensei em ficar pelo menos 1 noite em Córdoba para ter mais tempo para conhecer a cidade, mas acabei optando por fixar base em Sevilha e achei melhor, pois foi suficiente para conhecer as atrações que me interessavam e bem mais prático fazer o bate e volta.
Vista de Córdoba do alto da Torre de Calahorra
Córdoba já foi a cidade mais populosa do mundo, no ano 1.000 d.c. com 500.000 habitantes. Hoje possui aproximadamente 330.000 hab. Foi também uma das primeiras a ter iluminação pública.
Ao chegar na estação de trem peguei um táxi e pedi para ficar na Puerta Sevilla início do meu roteiro. A distância de 2 km passando pela parte moderna da cidade e vista pela janela do carro foi rápida, suficiente e já ajudou a poupar as pernas e os pés para o restante do dia 😉
Puerta Sevilla é uma das portas de acesso das muralhas da cidade, a única das três que se conservou, original do século XIV.
Ao lado da porta uma construção em forma de arcos, possivelmente um aqueduto, com o monumento em homenagem ao filósofo e historiador Ibn Hazn.
Passando pela Puerta Sevilla e seguindo pela calle de mesmo nome chegamos no Alcazar de los Reys Cristianos, uma fortaleza que serviu de residência para os reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão por 8 anos.
Ruas vazias no início da manhã fria de março de 2019
O Alcazar do ano de 1328 é um dos monumentos mais importantes de Córdoba. O interior do edifício não tem muito interesse, mas os seus jardins são muito bonitos, vale a pena a visita.
Foi neste local, em 1486, que os Reis Católicos receberam Cristóvão Colombo que foi pedir apoio para sua expedição às Índias que culminou no descobrimento das Américas. Os reis foram grandes financiadores das expedições de Colombo.
E esse céu? Não canso de pensar, Andaluzia em março é perfeita!
Próxima parada, a atração mais visitada de Córdoba: A Mesquita-Catedral. Para comprar o ingresso a fila é imensa, ao lado do guichê tem um caixa eletrônico para compra com cartão de crédito e a fila é bem menor. Estacionei o marido na fila normal e fui tentar a sorte no eletrônico, a compra é meio enrolada, mas fiquei de olho nos que estavam na minha frente para aprender e consegui. Poupei um bom tempo.
Lateral da Mesquita Catedral
A Mesquita-Catedral de Córdoba já começa pelo nome que a primeira vista pode parecer incompatível, mas ela é igreja ou é mesquita? É uma igreja, mas já explico. O início da construção foi em 785 quando Córdoba estava sob o domínio dos árabes, então eles construíram uma mesquita. Porém, em 1.236 Córdoba foi reconquistada pelos cristãos que aproveitaram a construção e foi consagrada como igreja, acrescentando ao longo do tempo elementos católicos.
Como o edifício conservou os elementos árabes da religião islâmica passou a se chamar Mesquita-Catedral de la Asuncion de Nuestra Señora.
Os detalhes do exterior da Mesquita-Catedral
O seu interior é imenso, sendo uma das mais importantes construções islâmicas no ocidente. Possui 23.400 m² sendo a segunda maior mesquita do mundo depois de Meca até o ano de 1.588, quando então foi superada pela Mesquita Azul de Istambul.
O espaço onde está Mihrab – o nicho oratório em direção à Meca é o mais importante
A parte católica também é de uma beleza impressionante.
E ainda possui uma parte de museu com peças arqueológicas e eclesiásticas.
A Mesquita-Catedral de Córdoba é realmente incrível e vale a visita, tanto pelo seu aspecto arquitetônico quanto pela sua história. Abaixo a Torre do Sino, o campanário onde era o antigo Minarete, visto do Pátio de los Naranjos.
Saindo da igreja fomos passear pelas ruas no entorno, seu centro histórico, com muitas lojas e restaurantes.
Recebemos uma dica muito boa para almoçar do porteiro do nosso Hotel Alfonso XIII em Sevilha (restaurante Caballo Rojo), mas quando chegamos lá ainda estava fechado, os espanhóis almoçam e jantam tarde e como tomamos café muito cedo para a viagem já estávamos com fome, então resolvemos tentar em um que passamos em frente e gostamos muito.
A Taberna Deanes na calle Deanes. Pedimos algumas tapas de entrada e de prato Revuelto (ovos) de Ouriço, uma delícia!
Pelas charmosas ruas de Córdoba visitamos também a mais famosa: Calleja de las Flores, a sua entrada é pela Calle Velazquez Bosco.
O centrinho histórico é bem pequeno, com um emaranhado de ruelas para passear, com muitas lojinhas e restaurantes.
O Mercado Los Patios de la Marquesa, na Calle Manriquez, também é uma boa opção para almoçar. Um espaço com vários estandes de comidas, mesas e cadeiras para refeições ligeiras, para quem não quer perder muito tempo em um restaurante.
Passamos em frente e resolvemos entrar na Galeria de la Inquisición, uma exposição com os artefatos usados na época. A Inquisição Espanhola (Tribunal do Santo Ofício da Igreja Católica) funcionou de 1478 até 1834 e foi instalada a pedido dos reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão, para perseguir e condenar os hereges.
Córdoba também possui a sua juderia, o bairro onde os judeus viviam, mantendo as suas características. Na Calle Averroes, final da Calle Tomás Conde se encontra a Plaza Maimonides com uma estátua em honra ao médico, escritor, filósofo e rabino de mesmo nome que viveu de 1.135 a 1204 e codificou os 13 princípios da fé judaica.
Logo ao lado está o ZOCO Municipal de la Artesania. Um pátio muito bonito, com um mercado com alguns artesãos trabalhando e vendendo seus produtos. Tem trabalhos em restauro também de móveis e relógios antigos.
Não fotografei os artesões trabalhando porque não me senti à vontade, ninguém fotografava só prestavam atenção no trabalho sendo executado.
Na Calle Judíos se encontra a Sinagoga, do ano de 1314 (século XIV), um monumento único na Andaluzia. Pouco restou da construção, mas a sua importância histórica vale a visita.
Os pátios de Córdoba são famosos, existindo até a Asociación de Amigos de los Pátios Cordobeses, para regulamentar o seu funcionamento promovendo concursos de beleza, sempre muito floridos.
Pátio do Museu Municipal Taurino
Contornamos a Mesquita-Catedral novamente e fomos para a última parada do roteiro: a Torre de Calahorra.
O acesso se dá pela Avenida del Alcazar onde se encontra o monumento a San Rafael Arcangel e a Puerta del Puente, do século XVI de nome “O Triunfo de San Rafael”
A Puente Romano que atravessa o Rio Guadalquivir
E a Torre de Calahorra ao fundo, na outra margem do rio. Construída no século XII, já foi fortaleza, prisão, escola. Hoje funciona no seu interior o Museu Ibérico.
O marido não quis entrar, então fui sozinha. O museu não é muito interessante, queria mesmo subir na torre para ver a cidade. A torre não é alta, o acesso pelas escadas é fácil.
Mirante da Torre de Calahorra
Daí estou no terraço/mirante, aproveitando essa vista fantástica, quando vejo o marido deitado, dormindo em um banco lá embaixo! Affff
O nosso passeio terminou aqui, não conseguimos um táxi para voltar à estação de trem, então chamei um Uber e deu certo, chegamos a tempo.
Gostei muito de ter conhecido Córdoba, mas não considerei uma cidade imprescindível ou imperdível para visitar na Andaluzia. Achei o esquema bate e volta muito bom, para não ficar com aquela coisa na cabeça “poxa estive tão perto e não conheci”.
A Andaluzia é uma região apaixonante, sua história e a influência árabe na sua arquitetura merecem a visita e a tornam linda e única. Não vejo a hora de voltar para conhecer as outras cidades da região.
Qa’lat al-Hamra significa castelo vermelho em árabe, origem da palavra Alhambra. Os árabes (mouros) dominaram a península ibérica por 800 anos. Se instalaram por volta do ano 500 d.c. e foram expulsos definitivamente no ano de 1492 pelos reis católicos Isabel I de Castela e Fernando de Aragão.
E foi na Andaluzia que os árabes permaneceram por mais tempo na Espanha, já que a expulsão foi gradativamente acontecendo sentido norte/sul. Por isso, encontramos tanta influência moura nas suas cidades, em especial na arquitetura, muito mais do que nas outras regiões.
Na fortaleza de Alcazaba – Alhambra
Alhambra foi uma fortaleza construída pelos árabes. Uma cidade fortificada dentro da cidade de Granada. Seus primeiros registros datam do século IX e teve seu apogeu no século XIII quando passou a ser a residência real de Muhammad Ibn Ahmar de 1238 a 1273.
A maior parte do complexo foi construída entre 1354 a 1391 e abandonada no século XVIII.
Para visitar Alhambra (que funciona todos os dias das 8:30 às 18:00 horas) contratei um guia particular através do Hotel Hospes Palácio de los Patos, onde fiquei hospedada. A entrada com ou sem guia deve ser comprada com muita antecedência (no meu caso 3 meses antes e já estava esgotando). É preciso informar o número do passaporte para checagem de segurança. O bilhete é nominal e intransferível.
O complexo da fortaleza de Alhambra é imenso, fácil se perder mesmo com mapa. Lotado de visitantes. O passeio com guia é altamente recomendável para poder aproveitar ao máximo todas as atrações do local. Além de pular fila, o que otimiza bastante o seu tempo por lá.
Junto a Alhambra se encontra El Generalife, que significa Jardim do Arquiteto (Alarife). Era o lugar de descanso dos sultões no século XIII. A visita pode começar ou terminar por aqui. Por uma questão de logística, o passeio guiado começou por aqui e achei realmente muito melhor.
El Generalife ocupa as ladeiras do Cerro del Sol. Tem uma vista completa da cidade e dos vales dos rios Genil e Darro. Os jardins são lindos. Algumas plantas possuem técnica de topiaria. É dividido em Jardines Bajos, Pátio del Descabalgamiento (para os cavaleiros desmontares de seus cavalos) e Jardines Altos.
Em março as laranjeiras estão carregadas o que deixa tudo ainda mais bonito. Abaixo no Pátio de la Sultana.
Uma das construções do Generalife é o Pátio de la Acequia. Foi o pavilhão mais importante desse local. Era um prédio sólido e simples (para os padrões deles) que servia de descanso para os sultões. Mais fresco em razão da sua localização, um refúgio para o tórrido verão Andaluz (embora não fosse novidade para os árabes).
Ao fundo do espelho d’água, 5 arcos sobre pilares de tijolos e um corredor com quartos. O lado esquerdo possui 18 arcos. No pavilhão superior um mirante com vista para o bairro Albaicin.
No lado esquerdo da foto acima é possível ver uma pequena cruz. Ali era o Baño de la Mezquita. A mesquita foi derrubada pelos reis católicos e construída uma igreja no local.
A vista aqui de cima é realmente muito bonita
Descendo para a cidade de Alhambra propriamente dita encontramos muitos jardins, sempre bem cuidados, como o Jardines de São Francisco, na foto abaixo. E esse céu?
E aqui aconteceu uma coisa inacreditável! Planejei esse passeio a Alhambra com meses de antecedência, estava embaixo de uma árvore ouvindo as explicações do guia quando escuto um barulho de pedra caindo, levei um susto! A 30 cm da minha cabeça uma cegonha resolveu “se aliviar”. Vocês não tem ideia da quantidade de “caca” que o bicho fez! A roda que ficou no chão era muito maior que bosta de vaca. E tinha cor de açai, bem roxo! Respingou no meu casaco, nas pernas, a vontade de chorar, enquanto o marido e o guia trancavam o riso, que ódio! Então, aqui vai uma dica, nunca fique embaixo das árvores! Imagina se tivesse sido bem na minha cabeça? Tinha acabado o passeio antes de começar realmente. Consegui limpar tudo com lenço de papel que o guia tinha levado, mas as roupas ficaram um pouco manchadas. No susto não lembrei de fotografar o estrago. Agradeci a Deus por não ter sido em cima de mim e não ter me machucado. Segundo o marido foi um tijolaço e eu iria direto para o hospital!
Ruínas do Palácio de los Abencerrajes
Mas, refeita do susto seguimos adiante. Puerta del Vino do ano de 1302 é a entrada principal da Medina de Alhambra (medina – cidade murada). Frente e atrás.
Em Alhambra um dos principais prédios é o Palácio de Carlos V que foi Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Rei da Espanha como Carlos I a partir de 1516, foi considerado o homem mais poderoso do mundo da sua época. Construído em 1527 só terminou em 1953.
Carlos V usava os Palácios Nazaries como residência de verão, porém precisava de mais conforto e então foi construído para sua residência oficial. Hoje funciona como sede do Museu de Alhambra e no andar superior o Museu de Belas Artes.
Próxima parada, a construção mais famosa de Alhambra: os Palácios Nazaries, nome da última dinastia árabe que governou a Península Ibérica. Possui 3 áreas independentes. Palácio Mexuar (Justiça e Estado), Palácio Comares (residência oficial do Sultão) e Palácio Leones (parte privada – harém).
O Palácio Mexuar era um local de reunião de Estado, com gabinetes de Ministros e o Sultão “aplicava” a Justiça, desde 1314. Hoje é um salão vazio onde podemos apreciar a beleza de suas paredes de mosaicos e o rico trabalho de entalhe e marchetaria na madeira dos tetos.
Os pontos de interesse são o Pátio com fonte, o Cuarto Dorado e o Oratório (Mihrab)
O Palácio Comares era a residência oficial. Na fachada o Sultão recebia seus vassalos ao pé das escadas. A Sala Barca foi destruída em um incêndio e restaurada e o Pátio de los Arrayanes com destaque para o espelho d’água.
E o lugar mais lindo de Alhambra: o Palácio de los Leones. Feito por Muhammed V são os aposentos privados da família real, construído entre 1362 a 1391 com o grau máximo de excelência da arte nazari.
O Pátio de Los Leones assim chamado porque a fonte central de mármore tem na sua base esculturas de leões.
A dificuldade para fotografar é imensa porque é a atração principal de Alhambra, vive lotado, mas a gente com paciência consegue umas fotinhos mais exclusivas.
Na Sala de Albencerrajes: nome da família que foi decapitada em um banquete no palácio. O seu incrível teto.
Abaixo, a Sala de los Reyes, um local para recepções e celebrações.
Mais um teto maravilhoso
A Sala de Dos Hermanas com sua cúpula de Estalactites
A riqueza de detalhes no trabalho das paredes e dos tetos é realmente de impressionar.
Seguindo o trajeto passamos pelo Pátio de la Reja com sua vista linda do bairro de Albaicin
Pátio de Lindaraja
O Palácio El Partal composto de um pórtico com cinco arcos e um lago em frente.
A Torre del Mihrab, oratório de peças encaixadas como nas mesquitas africanas.
Nosso guia privado Pablo à direita
E a última etapa do passeio a Alhambra – Alcazaba – Uma fortaleza do século IX com três torres: Torre Quebrada, Torre del Homenaje e Torre de la Vela.
A vista de Sierra Nevada do alto da fortaleza é incrível
E o nosso guia Pablo fez essa foto panorâmica na fortaleza de Alcazaba
Na saída passamos pela Puerta de la Justiça a maior e mais espetacular das 4 portas das muralhas de Alhambra. Construída por Yusuf I em 1333, com seu arco em forma de ferradura.
Alhambra é realmente um lugar imperdível para quem vai conhecer Granada. A visita guiada ajuda muito a percorrer o trajeto, otimizar o tempo e entender a sua função na história da cidade.
Foi a surpresa dessa viagem pela Andaluzia. Não esperava muito da cidade, achei que seria sem graça, que a única atração que valia a pena conhecer era Alhambra (que terá um post só para ela), mas não foi. Viagens sempre reservam surpresas, que bom que são assim, pois adorei Granada.
Vista da cidade por Alhambra
Cheguei em Granada a partir de Sevilha, a distância de 250 Km fiz de ônibus pela empresa Alsa e foi muito tranquila e confortável. A rota de trem de alta velocidade – AVE ainda está em construção, então para viajar de trem tem que fazer uma baldeação e terminar o trecho de ônibus, não vale a pena, melhor fazer tudo direto de ônibus. Os veículos são muito confortáveis, tem serviço de bordo, ajuda para guardar as malas no bagageiro, cobram 3 euros por mala extra, não tem limite (não é fiscalizado, mas é bom comprar antecipado) e para quem não aluga carro é uma excelente alternativa, mesmo porque hoje a viagem tem a mesma duração do trem. Comprei pela internet no Brasil com antecedência no site http://www.alsa.es
Fiquei por 3 dias no Hotel Hospes Palácio de Los Patos. O prédio é lindo, a localização é muito boa e o restaurante do hotel o melhor da cidade, sem exagero. Mas…o quarto não era compatível com um hotel 5 estrelas. Pequeno e muito barulhento, sem qualquer isolamento acústico. Até me ofereceram outro quarto maior, uma suíte, mas o barulho era igual e o teto era muito baixo, no último andar, o que é muito comum na Europa, achei claustrofóbico, não quis, pensei: 3 diárias dá para aguentar.
Chegamos na cidade e estava muito frio (março 2019) e nublado (único em 15 dias) e resolvemos almoçar no hotel mesmo, no restaurante Los Patos. Foi ótimo. Ambiente bonito, serviço acolhedor e a comida deliciosa, a melhor de Granada. Vale muito a pena almoçar ou jantar nesse restaurante e de quebra conhecer o Hotel, um palácio histórico lindo, com o bar Terrace que à noite é maravilhoso.
Mimo do Chef um creme de batataEntrada Sopa de Pescado y Marisco (levanta até defunto)Paella deliciosaVista da nossa mesa – Restaurante Los Patos
Então, vamos conhecer a cidade? Granada significa Romã, a fruta de um vermelho intenso que os mais antigos, inclusive no Brasil, usavam para se referir a esta cor. Possui 88 km² e 235.000 habitantes. Pequena, com muitas coisas interessantes para conhecer, 3 dias foram suficientes. Fiz quase tudo a pé, a localização do Hotel Palácio de Los Patos é excelente.
A primeira parada foi na Plaza del Carmen o centro político de Granada, na Calle Reyes Católicos onde fica a Câmara Municipal.
Ao lado se encontra o Corral del Carbón uma porta monumental, do século XIV, que dava acesso ao Alhondiga – prédio público de 3 andares para encontro dos comerciantes e seus produtos. A porta tem formato de arco de ferradura, herança da arte muçulmana. No interior tem o pátio e uma fonte.
Logo em seguida está a Praça Izabel La Católica com o monumento onde a rainha está recebendo o navegador italiano Cristóvão Colombo. Os reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela foram grandes financiadores das expedições de Cristóvão Colombo que culminaram com o descobrimento da América.
A partir da Calle dos Reyes Catolicos seguimos para a Calle Oficios região mais interessante de Granada, onde concentra a maior parte dos seus monumentos históricos.
O Palácio de la Madraza, se situa no local que abrigou a primeira universidade de Granada em 1349. Madraza significa escola em árabe. O prédio que se visita hoje é do século XVIII e possui como obras de maior interesse o oratório muçulmano e o Salon de Caballeros, em arte mudejar.
A Catedral de Granada é dedicada à Virgem de la Encarnación. Começou a ser construída em 1505 por ordem da rainha Isabel de Castela e finalizada em 1583 em estilos barroco, rococó e renascimento espanhol.
Altar da Virgem de las Angustias
A Catedral de Granada é um verdadeiro museu dada a quantidade de peças de valor artístico e histórico, um dos mais preciosos é o retábulo de Santiago do século XVII.
A exposição bíblias e livros antigos também é fascinante.
Perto da Catedral passamos pela Plaza de la Universidad com a Igreja de los Santos Justo y Pastor e à esquerda o prédio da faculdade de Direito que conhecemos depois o seu interior em outro dia.
Estátua de Carlos V
À noite fomos jantar no restaurante Meson Botafumeiro, na Calle Príncipe. O ambiente é legal, estava lotado de locais, é recomendado e possui uma nota alta em sites, mas não gostei da comida, nem do serviço.
Calle Príncipe
No outro dia acordamos com um céu azul lindo e sol para visitar a atração mais importante da cidade: Alhambra. É tão complicado agendar um visita com muita antecedência, não dá para prever como estará o clima, mas, enfim, deu tudo certo e deixo Alhambra para outro post porque é um local enorme, uma cidade dentro de Granada.
Após conhecer Alhambra fomos passear no bairro Albaicín, super charmoso. Para chegar lá pegamos um táxi que nos deixou na parte mais alta do bairro (ele fica em uma colina) para almoçar e depois continuar caminhando à pé belo bairro, conhecendo os seus encantos e descendo em direção ao centro, porque para baixo todo santo ajuda.
Fomos almoçar no Restaurante El Huerto de Juan Ranas que eu recomendo muito. Que lugar incrível, que vista! A nossa mesa era um camarote para Alhambra. Comida deliciosa, ótimo serviço, não dá vontade de ir embora.
E esse terraço todo florido, um sonho.
Ao lado do restaurante fica o Mirador de San Nicolás, o mirante mais conhecido, um lugar mágico. Tem uma vista panorâmica para Alhambra de frente e Sierra Nevada ao fundo. Na praça do mirante tem a Igreja de San Nicolás, mas não entramos. No mirador a vista é linda a qualquer hora do dia e no por do sol deve ser mágica. Há muitos restaurantes bons no seu entorno. Depois, na última noite, voltamos para jantar, porque este local é realmente imperdível em Granada.
O bairro Albaicín é conhecido como a pequena Marrakech de Granada, em especial a Calle Teterias, com seu calçamento de pequenas pedras que lembram romãs (em espanhol Granada). Tem muitos restaurantes, lojas, casas de chá (teterias). É o local da comunidade muçulmana de Granada.
Na Porteria Concepción se encontra a Casa de Zafra, do século XIV, é a sede do Centro de Interpretacion del Albaicín. Com a expulsão dos mouros a rainha Isabel de Castela, a católica, entregou esta casa a Hernando de Zafra, seu secretário. Posteriormente, a viúva construiu um convento ao redor da casa.
O mais interessante de Albaicín é realmente se perder por suas ruas e encontrar a cada momento a influência árabe, povo que dominou a península Ibérica e com muita intensidade a Andaluzia por 800 anos, sendo expulsos em 1492 pelos reis católicos.
Aos descer o bairro Albaicín em direção ao centro histórico margeamos a Carrera del Darro, a rua mais charmosa de Granada. Percorremos toda a sua extensão. Possui palácios, igrejas, casas de arquitetura mourisca e várias pontes que ligam os bairros Albaicín e La Churra, já que margeia o Rio Darro.
No final da Carrera del Darro – sentido Albaicín/centro histórico – chegamos na Plaza Nueva. Apesar do nome é a praça mais antiga de Granada. Para quem sai do centro hsitórico a visita ao bairro Albaicín começa logo em seguida, eu fiz o circuito ao contrário, porque como comentei, achei mais fácil ir descendo a colina do que subir e descer tudo novamente.
Plaza Nueva – prédio do Tribunal Superior de Justiça
Outro lugar que vale a pena visitar em Granada é o Mercado de San Agustín. Acho sempre muito interessante conhecer o mercado público da cidade, ver os locais fazendo compras, os seus produtos frescos, sentir a atmosfera da cidade e das pessoas no seu dia a dia é muito legal.
Na principal via da cidade, a Gran Via de Colón, de 1874, a arquitetura de seus prédios históricos com a profusão de lojas e restaurantes torna o passeio muito agradável.
À noite, decidimos sair sem rumo e “olhar para a cara” do restaurante e arriscar (estou evoluindo). Deu certo! Jantamos no 530 Romanilla – Cocina Mediterranea de Mercado, na Calle Cárcel Baja.
Monumento el Aguador em frente ao Restaurante Romanilla
Antes, no caminho, passamos pela Praça Bib Rambla . O nome é de origem árabe herdado da porta Bal al Rambla, da antiga muralha da cidade. A praça é muito bonita, tem vários restaurantes, mas não me agradaram, estavam vazios e com ar de “isca de turista”.
No restaurante Romanilla o ambiente é parecido com o mercado San Agustín, cozinha mediterrânea bem feita, para quem quer dar um tempo, como eu, da cozinha espanhola, pelo menos por um dia, recomendo, foi uma noite especial.
No terceiro dia, já tendo conhecido a Catedral e Alhambra, as duas atrações principais e imperdíveis de Granada, faltava a terceira, que eu tinha muita vontade de conhecer e não decepcionou: a Capilla Real, na Calle Ofícios.
A Capilla Real é magnífica, a entrada não diz o que você vai encontrar no seu interior. Trata-se do monumento funerário dos reis católicos Isabel I de Castela e Fernando de Aragão. É umma capela com altar, ricamente decorada e no seu anexo um pequeno museu com objetos dos reis católicos inclusive a coroa e o cetro da rainha Isabel.
E advinha? NÃO PODE FOTOGRAFAR! Eu tenho vontade de matar o infeliz que determina uma coisa dessa. Não pensa nos outros, principalmente nos blogueiros de viagem, para proibir fotos. Daí eu imaginei: vai ver na loja do museu tem cartões ou posters com fotografias profissionais que mostram a beleza desse local que é realmente indescritível, de ficar de boca aberta. Mas…não tinha! Vamos ao Google (imagens bens ruins), fazer o que?
A Capilla Real foi iniciada em 1504 com instruções de construção da rainha Isabel em seu testamento. Só que ela queria um local simples para seu descanso eterno, porém, faleceu antes do término da construção, sendo enterrada em Alhambra. O rei Fernando II, seu marido, não atendeu as instruções dela e deu seguimento as obras, agora fazendo o local com uma riqueza e beleza impressionantes. Fernando II de Aragão também faleceu antes da capela estar pronta e somente em 1521 seus corpos foram trasladados de Alhambra para este local.
As tumbas dos reis católicos Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, ao lado a filha Juana – a Louca e seu marido Fernando – el Hermoso. Embaixo, acesso por uma pequena escada, estão os caixões visíveis ao público.
Próximo a Capela se encontra a Alcaiceria, esquina com a Calle Oficios, um labirinto de ruas estreitas com lojas de artesanato e souvenirs. Foi fundada no século XIV.
A Alcaiceria tem dezenas de lojas: bijuterias, bolsas, louças, jóias, objetos de decoração, roupas, sapatos, souvenirs, echarpes, tecidos, enfim, uma infinidade de artigos, o local ideal para comprar (e resolver) todas os presentes da viagem.
E andando pelos seus labirintos encontramos esse tesouro:
Um pequeno pátio com paredes em cerâmica pintada com desenhos e poesias. Acima um pequeno quadro de Nossa Senhora de las Angustias. A Plaza fica atrás da loja Gonzalo Mariscal na Calle Alcaceria.
Saindo do circuito turístico fomos conhecer a Universidad de Granada, pelo caminho as vitrines das lojas que vendem os trajes típicos da Andaluzia e para dançar flamenco, verdadeiras obras de arte.
No caminho pela Calle Mesones passamos pela Plaza de la Trinidad
E chegamos no Jardim Botânico da Universidad de Granada na Calle Málaga
A Universidad de Granada iniciou em 1349 no Palacio Madraza e fundada oficialmente em 1531. Visitamos um de seus campus onde funciona a Faculdade de Direito. O prédio é aberto ao público.
Facultad de Derecho – Claustro Javier de Burgos
E seguimos para o nosso objetivo: Monastério de San Jeronimo, o primeiro e mais antigo de Granada, do ano de 1504, na Calle Rector Lopez Argueta.
Em março as laranjeiras estão carregadas, por toda a cidade, é tão lindo!
Sei que eu sou chata, mas custava o marido ter visto e falado: vai mais para o lado, para cobrir os papéis ali atrás na porta. É pedir muito?
O Monastério de San Jeronimo é composto por um mosteiro e igreja, começou a ser construído em 1504. Nas fotos abaixo o claustro que possui várias salas, todas abertas a visitação, destinadas a reunião, oração, refeitório, etc.
A Igreja do monastério de San Jeronimo é o templo mais antigo do mundo a ser consagrado à Imaculada Conceição. É lindo demais!
A distância até o monastério de 1,5 km do hotel não é nada na vida de qualquer turista e o trajeto é muito interessante – jardim botânico, universidade, ruas e arquitetura belíssimas – vale muito a pena conhecer.
Para almoçar fomos na rua mais típica da cidade: a Calle Navas. É uma rua estreita, extensa e com dezenas de restaurantes, um ao lado do outro. Essa rua é im-per-dí-vel! Fui com algumas indicações, só que os espanhóis tem o hábito de comer suas tapas em pé, encostados no balcão, mas a minha vida de turista não permite. Caminho tanto que na hora do almoço não vejo a hora de sentar!
Então, depois de muito ir e vir pela rua, entramos no restaurante La Chicotá. Ambiente muito agradável, paella deliciosa (mais uma para a conta), amei. Geralmente os restaurantes na Espanha lotam depois das 14h, como almoço mais cedo, estão sempre assim, mais vazios.
Voltamos para a região de Alcaceria, na Calle Zacatin onde o comércio é excelente e encontrei essa loja que eu não conhecia e amei : SENSU. Assim que entrei pensei que fosse um bar de champanhe! Depois vi que era uma loja de perfumes e cosméticos. Tem embalagens lindas de miniaturas de aromatizadores de ambiente, perfumes maravilhosos e os preços são muito bons! http://www.3sensu.com
A região da Calle Zacatin é otima para compras. Ligada a Alcaceria onde se encontram souvenirs, aqui tem as lojas tradicionais e outras que só existem na Espanha ou em Granada.
E as lojas de especiarias? São de morrer! Vontade de levar tudo.
Escolhi para a última noite um lugar muito especial para jantar. O restaurante Carmen de Aben Humeya fica no Mirador de San Nicolás, no bairro de Albaicín, local onde já tinha ido para almoçar (restaurante Huerto de Juan Ranas).
Vista panorâmica do restaurante para Alhambra
O restaurante Aben Humeya está instalado em uma casa mourisca do século XV e foi considerado o melhor restaurante de Granada em 2016. Fomos às 20:30h, em março já é noite fechada. Fico imaginando esse lugar na primavera/verão para pegar o sunset, deve ser demais!
No inverno as janelas panorâmicas são fechadas e tem aquecedores. Estava 8 graus e nem precisei ficar de casaco. O serviço é muito gentil e a comida deliciosa.
Por fim passamos no bar Terrace do nosso hotel Hospes Palácio de Los Patos para um último drink, no outro dia partimos para Madrid.
Dois dias são suficientes para conhecer as principais atrações de Granada, mas não me arrependi de ter ficado três dias, porque pude ir além do circuito turístico, conhecer outras atrações da cidade e ter tempo para “bater perna” no seu excelente comércio. Granada é uma cidade que “não se mostra” à primeira vista. É preciso desvendá-la, percorrer as suas muitas ruas escondidas e interessantes para ver o quanto realmente vale a pena visitá-la. Foi uma descoberta maravilhosa.