Taj Mahal – Agra – Índia

O mundo está vivendo uma época triste e absurda com a pandemia de Covid-19  – Coronavírus. Viagens canceladas, adiadas, prejuízos financeiros imensos, mas que não podem ser comparados ao pior deles: a perda de vidas.

E embora possa parecer um momento inapropriado falar em viagens eu penso diferente. Tenho a esperança de que um dia isso tudo vai passar e possamos retomar as nossas vidas com normalidade. Até porque para mim viajar não se resume a quinze ou trinta dias fora de casa. É todo um envolvimento em sonho, pesquisa e planejamento no antes, a curtição no durante e as memórias maravilhosas que ficam no depois.

Também porque me solidarizo com todos os profissionais que trabalham com turismo e para a sua recuperação desses tempos difíceis, nós precisamos voltar a viajar, o tão mais breve seja possível.

Assim, vou continuar publicando as minhas viagens, porque principalmente em época de confinamento, relembrar bons momentos é o remédio da alma.

Parto agora para o último post da série da viagem para a Índia, em novembro de 2019, os outros registros você lê aqui Índia – Impressões gerais Udaipur – Rajastão – Índia Jodhpur – Rajastão – Índia

E aqui New Delhi – Índia Jaipur – Rajastão – Índia Ranakpur e Pushkar – Índia

img_9548

O emblemático símbolo do amor TAJ MAHAL, uma das 7 maravilhas do mundo moderno e Patrimônio da Humanidade pela Unesco, está localizado na cidade de Agra, a 215 Km da capital New Delhi. Cidade de 1.700 milhão de habitantes, fundada no século XI, às margens do rio Yamuna, foi a sede do Império Mongol.

Ficar na cidade de Agra foi muito difícil. A poluição estava absurda, a pior dos últimos 20 anos. A miséria e a sujeira também, a mais “agressiva” de toda a viagem. Foi o único dia que passei mal na viagem. Dores no corpo todo, ardência nos olhos e garganta, até uma dor horrível na costas na região dos rins, enfim, tomei um remédio e nem saímos para jantar, dormi super cedo. No outro dia já estava boa.

O Hotel não era bom, claro que fica difícil comparar com os palácios do Rajastão. O ITC Mughal tem áreas comuns bem bonitas, mas o quarto era feio, com ar pesado, cheiro de mofo, banheiro minúsculo, nada a ver com a classificação 5 estrelas que possui. Ainda bem que foi só por uma diária. Não recomendo esse hotel, foi o único previsto no tour que eu não gostei, deveria ter trocado pelo Oberoi.

img_9310

 

img_9306

A cidade de Agra gira em torno do Taj Mahal, mas o Forte Vermelho é uma atração impressionante e também merece a visita.

img_9328

O Forte de Agra, conhecido como Forte Vermelho foi construído a partir do ano de 1080 em arenito vermelho e mármore branco, às margens do Rio Yamuna. O Imperador Mongol Humayun foi coroado aqui em 1530. Em Delhi conheci a sua tumba.

img_9337

img_9332
Porta Amar Singh

Passando o portão de acesso – Porta Amar Singh visualizamos o primeiro pátio e o Jahangir Mahal – palácio construído para ser o harém principal onde viviam as concubinas do Imperador. Jahangir filho de Akbar o Grande e pai de Shah Jahan (do Taj Mahal) possuía 300 mulheres e 5.000 concubinas. Que disposição!

img_9341

Vou dizer que pelas fotos não gostei do meu look, parecia uma cigana. A saia tem um tom de rosa lindo que não apareceu, mas, paciência, vamos em frente.

img_9355

img_9357

img_9398

Os detalhes de incrustações das paredes com pedras semi preciosas como no Taj Mahal

img_9394

img_9391

Palácio do Rei: Khas Mahal, um salão de mármore com pilares hindus onde o Imperador se reunia com a corte e do seu trono assistia o seu passatempo favorito: briga de elefantes (que horror). Aliás, o Imperador Jahangir (1569-1627) possuía 12.000 elefantes, 2.000 camelos, 100 leões, 4.000 cães, 3.000 veados, 500 búfalos e 10.000 pombos.

img_9406

img_9397

img_9407

img_9412

Foi neste forte que o construtor do Taj Mahal, o Imperador Shah Jahan foi aprisionado pelo seu filho na Torre Musamann Burj. Conto essa história mais abaixo.

img_9381
Torre Musamann Burj

img_9370

img_9414
Sala do Trono

Enquanto estávamos tentando ver a vista do Taj Mahal (impossível com a poluição) um macaco tentou roubar o celular de um turista. Ele chegou a pegar o celular, mas o aparelho não passou pela grade. Levamos um susto, eu estava bem do lado, foi muito rápido!

img_9377
O ladrão e seu comparsa

No caminho de volta temos uma visão panorâmica do complexo de palácios e mesquitas do Forte de Agra. O Salão Diwan-i-Am ou o Hall de Audiências Públicas era o local onde o Imperador ouvia os pedidos e recebia as petições de seus súditos

img_9426
Salão Diwan-i-Am

img_9419

img_9424

img_9435

Saindo do Forte fomos de carro até o jardim, do outro lado do rio Yamuna, para ter a primeira visão do Taj Mahal. Pelo caminho passamos no centro de Agra. Pensem em uma cidade feia e sem graça, é essa.

img_9439

img_9440

Ainda bem que sempre tem um amigo pelo caminho. Observem a cor da foto, parece em meio a fumaça.

img_9443

Chamar esse local de jardim só pode ser piada e de mau gosto. Se trata de um terreno com terra, poeira e mato. Uma mureta impede o acesso ao rio Yamuna e aqui dizem, se tem uma “visão privilegiada” do Taj Mahal, em um dia de céu azul acredito. A minha foi essa.

img_9467

Estou de óculos escuros para proteger um pouco os meus olhos, já que a poluição, que parecia mais uma fumaça ardia os olhos. No aplicativo de previsão do tempo dizia que o dia estava ensolarado. Até pode ser. Mas a poluição não permitia ver. Parecia uma neblina muito densa. O guia explicou que se você sai de casa com uma roupa clara ela fica escura até o final do dia. É  impressionante como as pessoas conseguem viver assim, em uma condição tão adversa. A cara de animação do marido é contagiante.

img_9469

Abaixo consegui um ângulo um pouco melhor, de um pedaço do terreno que tem algumas plantas, por isso chamam de jardim. É muito mal cuidado.

img_9445

No outro dia acordamos bem cedo para a visita oficial ao Taj Mahal. O dia amanheceu assim, mas logo a poluição tomou conta novamente. Abaixo a chegada na bilheteria.

img_9483

E no caminho do complexo para chegar no Taj Mahal

img_9488

img_9491

No fundo do arco da entrada, o Portão de acesso Darwasa já dá para ver um pedacinho dele. Dá para acreditar que em menos de 10 minutos o céu que estava assim…

img_9496

img_9503

Virou assim? E eis que ELE surge diante de mim, impossível não ficar martelando na minha cabeça a música de Jorge Ben Jor…”Foi a mais linda história de amor, que me contaram e agora eu vou contar. Do amor do príncipe Shah Jehan pela princesa Munthaz Mahal (bis)…te te te te teterete te teterete te tereteteteeeeeee Taj Mahaaaalllllll”

img_9502

A vontade era de chorar, rir, pular e gritar: Genteeeeeeeeee eu estou no Taj Mahal!!!!   Abaixo o portão de entrada – Darwasa – visto pelo lado de dentro

img_9563

A quantidade de turista é grande, olhando da entrada assusta, mas dá para fazer umas fotos mais exclusivas com paciência e pelas laterais. Agora, vamos a história.

Shah Jahan foi um Imperador Mongol, seu nome vem do persa que significa Rei do Mundo. Ele nasceu no Paquistão (1592-1666) e mandou construir o Taj Mahal, que iniciou em 1632, em honra a sua esposa Aryumnd Ban Began que havia falecido no ano anterior no parto do 14° filho. Era a sua esposa favorita e conhecida por Mumtaz Mahal (a joia do palácio). O Imperador queria um monumento grandioso para que o mundo lembrasse para sempre da sua rainha.

Apesar de Mahal significar palácio, nunca foi a função deste local. Trata-se de um mausoléu porque aqui repousam os restos mortais de Muntaz Mahal que foram trasladados quando a obra ficou pronta (em alguns sites de pesquisa não consta essa informação).

img_9547

A emoção de estar lá foi imensa, mesmo com a decepção inicial do céu encoberto pela poluição, ter a oportunidade de conhecer é realmente única, um privilégio.

A arquitetura do Taj Mahal é islâmica, típica muçulmana. A sua cúpula branca tem 44 metros e foi “costurada” com fios de ouro. No seu entorno tem quatro cúpulas menores. O Taj é todo simétrico. Os seus quatros lados, as suas quatro fachadas são exatamente iguais. Levou 20 anos para ser construído, trabalharam 20.000 homens e custou 50 milhões de rúpias. Recebe 20 milhões de turistas por ano.

img_9525

Tinha a imagem na cabeça do banco onde a Princesa Diana em visita a Índia sentou em um banco sozinha. E aqui estou eu! Tenho várias fotos com o marido também. Contratamos um fotógrafo profissional que ofereceu seus serviços na entrada do Taj Mahal. A vantagem é que ele conhecia os melhores ângulos e como indiano pedia para as pessoas se afastarem em alguns cliques, como a maioria dos turistas é da Índia ficava tudo bem, pois não é fácil conseguir uma vaga nos bancos.

DSC_0083

O fotógrafo também fornece no CD fotos profissionais do Taj Malhal para se ter uma ideia da sua magnitude.

01 (4)
Foto: J.R.S. Colour Lab

Quando vai se aproximando do Taj Mahal percebemos que ele não é todo branco, já que possui muitas incrustações de várias pedras semi preciosas. Os desenhos em preto, inscrições em painéis caligráficos, são versos do Corão.

img_9566

 

img_9619

O Taj Mahal foi construído em mármore branco extraído da jazida de Makrana, decorado com jade e cristais da China, turquesas do Tibet, safiras do Sri Lanka, ágatas do Yemen, ametistas da Pérsia (Irã), lápis-lazulis do Afeganistão, corais da Arábia saudita, quartzo do Himalaia, âmbar do Oceano Índico, 500 quilos de ouro e centenas de diamantes.

img_9594

img_9592

Todo esse trabalho de flores são das pedras semi preciosas que relacionei acima, que também estão no seu interior (não pode fotografar) e brilham com a luz de lanterna. A delicadeza dos desenhos da sua decoração é impressionante.

img_9591

img_9589

img_9612
Brasileira tem que tocar não é mesmo? Não é proibido!

img_9608

E também aqui os fãs não deram trégua, muitos pedidos para fotos 😉 Saudade!

img_9617

O interior do Taj Mahal é bem pequeno (não pode fotografar), uma sala octagonal com altura de 25 metros adornada por 8 arcos. A cúpula no seu interior é bem menor para servir de base e sustentação para a cúpula externa. Tem dois túmulos, porém foi projetado todo em simetria para ter apenas o túmulo de Muntaz Mahal no centro.

No extremo da plataforma tem 4 minaretes com 40 metros de altura cada um que foram construídos ligeiramente inclinados para fora, no caso de abalo sísmico não caírem em cima do Taj Mahal.

img_9633

O Imperador Shah Jahan também planejou construir um mausoléu para si, do outro lado do rio (existe só a fundação até hoje), todo em ônix preto com uma ponte de prata que fizesse a ligação entre os dois palácios. Conseguem imaginar se isso tivesse sido construído?

img_9672

Porém, um filho do Imperador, Aurangzeb, achando um absurdo os gastos da construção do Taj branco, mais o projeto mirabolante do Taj preto, matou seus irmãos mais velhos, prendeu o pai que estava doente na torre do Forte de Agra e assumiu o trono em 1658. Shah Jahan ficou encarcerado por 8 anos e através do reflexo de uma moeda na sua torre da prisão conseguia visualizar o Taj Mahal, seu sonho realizado. Ele faleceu em 1666, quase 18 anos após o término da obra. O filho mandou construir um túmulo para Shah Jahan dentro do Taj Mahal, ao lado do túmulo da esposa, só que maior, tirando assim a simetria interna do palácio na qual foi projetado.

img_9629

O entorno do Taj Mahal é lindo com jardins bem cuidados. O espelho d’água estava com depósito de areia de tanta poluição.

img_9534

O Taj Mahal tem duas mesquitas, uma de cada lado, construídas em arenito vermelho. De frente para o Taj, a da esquerda vale a pena entrar para fazer a famosa foto com o contorno, emoldurando o palácio.

img_9598

img_9575

img_9653

Visitamos o Taj Mahal pela manhã cedo de uma quinta-feira. Como já estava aberto não pegamos fila para entrar. A bilheteria estava bem tranquila. Sexta feira não abre. O tempo não estava bom, encoberto com bastante poluição. A visita é rápida, em menos de 30 minutos dá para conhecer, só que eu não tinha vontade de ir embora, queria ficar olhando para ele, de todos os lados, ângulos, absorvendo toda a sua beleza e gravando na memória cada detalhe. Também porque no fundo queria acreditar que estava ali de verdade, que não era um sonho.

img_9662

Conhecer a Índia foi romper um ciclo na minha vida, pausar um roteiro que eu sempre seguia: certo, seguro e pré-determinado, mas também sem sobressaltos, sem adrenalina. Foi o querer me aventurar, desvendar o desconhecido, ver e fazer coisas que eu não estava acostumada, o choque cultural elevado a máxima potência.

Tive medo, preocupação, quis desistir. Só que depois refleti e cheguei a conclusão que eu deveria enxergar como um privilégio ter a oportunidade de conhecer um país tão distante, que poucos se aventuraram. Através de uma viagem quis deixar uma marca profunda e inesquecível em mim e consegui. A Índia não é para todos, uns dizem que é um “chamado”. Para mim foi um impulso, passar meu aniversário de 50 anos em um lugar diferente, que com coragem ou loucura levei até o fim. E foi inesquecível! Penso que determinados destinos e a Índia é um deles, a gente não deve pensar muito, deve ir, se jogar mesmo, porque acredite o retorno é mágico. 

img_9670
Final de viagem e felizes

Paris, Roma, Lisboa, Madri são cidades que eu amo e estarão sempre nos meus roteiros. Passei momentos maravilhosos em todas elas, mas são o “nosso mundo”. Marrakech, Istambul e a Índia foram os meus destinos “exóticos” até agora e foram tão diferentes, incríveis, realmente “um outro mundo”, uma outra forma de pensar, de viver e que, a par de conhecer atrações lindas, tem o poder de nos transformar, sem a gente querer e no início sem a gente perceber. Acho que foi esse o motivo preponderante de eu ter amado a Índia. Voltar com algo a mais, algo diferente, um olhar em formato panorama, que enxerga muito além do que o universo da nossa vida cotidiana permite e que acabamos nos acostumando.

Hoje, mais do que nunca, percebo que um destino novo, inexplorado e pelos nossos olhos ainda não visto nos traz experiências ainda mais fantásticas, para sempre na memória. Nunca tive passagens tão incríveis, tantas histórias para contar, como nas viagens de Istambul, Marrakech e agora da Índia. A cabeça vem cheia, um turbilhão de emoções e eu adorei essa sensação.

img_9546
Namastê  “o divino que habita em mim saúda o divino que habita em você”

Agora que o mundo se abriu pra mim fiquei viciada. São muitos os lugares que eu quero conhecer, muitas aventuras que quero vivenciar. Israel, Egito e China (torcendo para o Coronavírus passar logo) estão na minha cabeça há algum tempo. Claro que ainda tenho muito o que explorar na Europa, principalmente a sua parte oriental como Polônia, Romênia e Ucrânia. Destinos de praia como Croácia e ainda algumas ilhas gregas como Milos, Naxos e Zakynthos, enfim, a lista de desejos é imensa. Espero conseguir, então mundo me aguarde que aí vou eu!

 

New Delhi – Índia

Capital da Índia, situada no norte de país é a 2ª cidade mais populosa do mundo com 29 milhões de habitantes, atrás apenas de Tóquio (com 37 milhões).

Delhi foi capital do Império Mongol desde 1638. Em 1803 a capital passou a ser Calcutá e somente em 1947 com a independência do domínio britânico é que voltou a ser capital. Depois foi dividida em Old Delhi (antiga sede do império mongol) e New Delhi a nova cidade construída ao sul declarada capital e sede administrativa.

image_50f0d6f2-302b-43e7-af58-38004911f2e6.img_6290_original
Humayun’s Tomb

Chegamos na Índia pela Alitália, via Roma, de madrugada. Tivemos apenas um dia na cidade na chegada e um na partida, e apesar de ver quase tudo o que eu queria achei pouco, uma pena, porque amei, fiquei com aquela sensação de quero mais. Era o lugar que eu tinha “mais medo” na Índia porque muitas pessoas falam mal, reclamam do caos, enfim, um misto de curiosidade e pânico tomava conta de mim.

De fato New Delhi, onde fiquei hospedada e passei a maior parte do tempo, é um lugar impactante. Mexe com todos os seus sentidos. Um choque cultural muito grande. Tem áreas organizadas, limpas e bonitas (que eu não imaginava) e outras de lixo e miséria extrema. Poluição terrível, parecia uma neblina densa, uma fumaça constante, difícil de enxergar e respirar. O aplicativo de previsão do tempo dizia que o dia estava ensolarado, só que é impossível enxergar um céu azul e sol com o ar tão poluído. Aliás, eu nunca tinha visto e sentido algo assim. O marido começou a se sentir mal assim que chegou.

image_989dfcbd-6843-4e8f-99e8-75de9b728957.f19f667d-844b-4a3e-af1c-33a63ca4f523
Rashtrapati Bhawan – Casa do Presidente

O trânsito é muito louco, ninguém respeita regras, um verdadeiro Krishna nos acuda! É muita buzina, atordoante. Tem milhares de tuk tuk  que facilitam o deslocamento. Não fiquei parada em congestionamentos. E além de táxis tem também o transporte pelo aplicativo OLA, o equivalente ao Uber.

O hotel que fiquei hospedada Taj Palace é fantástico, da mesma rede que administra os palácios do Rajastão. Lindo demais. Muito moderno e confortável com uma decoração de extremo bom gosto. Tem restaurantes e bares incríveis. No dia da volta fiquei em outro hotel da rede – o Taj Mahal (aquele do atentado) e foi péssimo, tinha um ar decadente, nem se compara.

O lobby do Hotel Taj Palace foi um dos mais bonitos, no segmento Hotel Urbano, que já me hospedei. A decoração indiana faz toda a diferença.

image_29abf436-b6fa-40f1-bdfd-635ae6054dd2.img_6055_original

image_91a6eabd-2041-45ae-9198-49e812188c90.img_6492

image_66fbd930-b2d1-468a-8d12-0a1746b639e2.img_6046_original

image_5ad882d6-1026-421c-bc9a-29ae17856e90.img_6056_original

image_ee8d2e90-9aa5-45f4-96fd-9925b55269a3.81491ac8-1f3c-4a7b-9261-933749647aaf

image_59290d84-5675-4ea5-845b-bef090852162.img_6060_original

image_cf164d75-5357-470e-9fae-b7a7b87bea4a.8554884b-084c-4ec4-b7d5-1bb37b9f9efc
O elevador, tem mais lindo?
image_b157e7a1-9601-45a4-90d0-faefdf9981e4.71d3a12f-0c34-4dd9-80ad-fcf154d566e4
Café da manhã
image_2175b9f5-232b-475b-9a63-8bf7dd20b437.8c25c64f-3eb2-46e5-819a-25113a96c1ae
Tea Lounge no lobby – café, doces e chás

O quarto era um sonho. Uma suíte espaçosa com sala e lavabo e depois o ambiente do quarto com closet e banheiro.

image_899267b3-9e9f-4275-be48-1274752490da.81bd1783-1b58-44ee-b156-a510cdc4c686

image_30826712-75d0-4a7e-ad58-7a380f0f889e.c30c9c48-74e2-4207-be4a-7e0920157fff

Nosso guia em Delhi era um rapaz muito gentil e simpático, seu apelido é Saci, achei o melhor guia da viagem, cada cidade era um guia diferente. Ele nos contou que é solteiro, mas seu pai insiste que ele se case, porque na Índia a família da noiva tem que pagar um dote e seu pai está precisando do dinheiro. Também contou que para agilizar o casamento sua família já lhe mostrou várias fotos de moças, mas ele acha que em pleno século 21 é difícil casar com alguém sem conhecer, então ele vai enrolando.

A Índia é assim, cheia de contrastes, moderna e altamente tecnológica de um lado, antiga com tradições ultrapassadas de outro.

image_56a9037c-351e-4268-8616-3c4849ba166f.ff7b472c-3e0f-482e-84ff-2089f721ed4a
Look do marido by Saci para entrar no Templo Gurudwara

Começamos no nosso tour passando pelo Índia Gate, o Arco do Triunfo indiano.

image_c86cc869-e3f7-49a3-a1f9-8c09db2159b2.img_6349_original

Fica localizado na Rajpath Road, India Gate Circle. De 1921, possui 42 metros de altura. Homenageia os soldados mortos nas guerras anglo-afegãs e posteriormente os da 2ª Guerra Mundial. Embaixo tem o túmulo do soldado desconhecido.

Depois passamos pela casa do Presidente. Rashtrapati Bhawan é uma das maiores residências presidenciais do mundo. Aqui foi um local que eu fiquei com muita vontade de conhecer, mas no meu dia em Delhi não estava aberta para visitação. As visitas são só as sextas, sábados e domingos.

image_fd2bb33d-417b-4476-b498-ffdfad1c0e7a.4b46d115-d5c4-4d82-89da-ea4713aa8661

O prédio foi construído para ser a casa do vice-rei da Índia a partir de 1931 até 1950. Possui 19.000m² em um terreno de 130 hectares, 4 andares e 340 quartos. Morou aqui Lorde Mountbatten, tio do Príncipe Philipp e primo da Rainha Elizabeth, designado para “devolver” a Índia aos indianos.

image_6089f00c-9a94-4c1b-af83-f0141902ccef.6288133e-4021-482a-b510-f7121624dfd9

Uma das atrações mais importantes de Delhi se chama QUTAB MINAR, um minarete que faz parte de um complexo de ruínas de uma mesquita do ano de 1.193 construída pelo governante turco Qutub-Ud-Din-Aibak. Patrimônio mundial da Unesco, possui arquitetura indo-islâmica.

image_c7e4be14-5c1b-46d4-8c0b-febd71c73d8a.img_6099_original

Pelo caminho tem muitos esquilos que pedem comida. Eu levei do Brasil pacotes de bolacha salgada para me salvar da comida indiana e dei um pedacinho para ele. Não quis, não gostou, claro não tinha pimenta!

image_182a570a-0119-4df4-8980-eb96947ce56a.img_6131_original

Qutab Minar – conhecida como Torre da Vitória é o minarete de tijolos mais alto do mundo. Com 72,5 metros de altura, base com 14,3 metros de diâmetro e topo com um diâmetro de apenas 2,75 metros.

image_f2f30840-0d44-4205-a153-5dcae16dd6b1.ead600f1-55e6-412e-887d-4059ec8a1b2b
Foto “artística” por insistência by Saci

image_aaa5a766-5f44-4942-9048-3745692928a7.20bedf4a-012f-4179-a787-d6ccda0a0caa

image_44d77047-a96f-4cb1-bdca-be008e6e8f6d.7a14bd1d-a70f-4750-8c1e-becb0f7da06b

image_2e4c64df-96c9-4bca-8f4d-a95e016f34a4.0e960974-6d8d-42a9-b6af-c2e064653576

image_806b2fb3-c8aa-434e-8376-4fca5b3c9931.be5ec0b6-04b6-42a6-87b3-f4508f547241

A construção foi feita com arenito vermelho e mármore branco, com esculturas e versos do Corão.

image_6c26b49f-1c24-47ae-8fe2-4c9fe208dda8.3cb68865-162e-4563-b5de-c10e68467152

image_2f15dd29-f9bd-4766-accb-1ca0452d687a.71b92b9c-c332-4c6c-8a9f-7b9d06cb1166

image_e45ccac6-24d3-4977-8046-6cb01dddae23.9e32e0a3-9db4-4e89-9888-07292f8e4a61
Namastê

image_11b55f2f-11cd-4dc5-a8de-efbde4dbe054.8c7c26c1-f216-4ea8-bcc9-d18e21945fad

Foi aqui no Qutab Minar que tive o meu primeiro contato com indianos e a receber os pedidos de fotos que eles fazem para estrangeiros, principalmente para mulheres loiras. Logo depois, o guia disse para um grupo que eu era uma “celebridade de Hollywood”. Pra que! Começou a formar fila para fazer foto comigo, hilário!

image_35355e99-e0aa-4db6-9bb8-cd281f48d21a.056e43da-7de1-4ecf-b1ca-7d43157deae3

O marido aproveitava em alguns momentos para fotografar também quando eles estavam fazendo a foto. Tenho muitas fotos com esse povo tão gentil e amável (na sua maioria). Dá uma saudade imensa.

image_d879c7b5-55d3-415a-a389-d0b7c675e124.74cef7eb-2e2f-4206-9874-a68f5e4dac03

image_13814921-599b-455f-a2bf-5ecf8b4a70ce.ad43b773-d9bd-4fa8-bceb-99ed1ed95039

Saída da Qutab Minar e o povo lá atrás esperando para fotografar comigo. Adorei ser celebridade hahaha!

image_4c6b6197-1a46-473d-8f91-29f8cd857dab.89cdba4f-bc15-4e90-9b6a-a95018d6775d

Segunda parada: Templo de Lotus. Casa de adoração da fé Baha’i. Um local de encontro de todas as religiões para adorar a Deus. A religião Baha’i é monosteísta (acredita em Deus e só nele) foi fundada na Pérsia em 1844. Seu símbolo é uma estrela de 9 pontas.

A arquitetura do templo foi inspirada na flor de lótus. Possui 27 pétalas em 9 lados. Recebe 4 milhões de visitantes por ano. Tem 9 portas de entrada e comporta 2.500 pessoas no seu interior, que não pode fotografar.

image_25d0fe47-28ff-4c7f-a258-213a76d483a0.90a65351-cbaf-46ae-8574-d4915f0ec96e

De 1986 o templo está em uma área de 105.000 m² com lagos e jardins. Baha deriva do árabe que significa Glória.

image_b3684ec9-eddb-4deb-9e09-cb39339fc420.87bc824b-b4c4-4de6-969f-67345e27867b

image_dabaad14-047c-4078-be3a-7ac023e7986c.aebac76b-2f66-418a-8081-f54c1bcb5f3b

Um dos locais que eu queria conhecer, mas não estava no programa do tour era a Humayun’s Tomb – a tumba do Imperador Mongol Humayun. Conversei com o guia e por um preço adicional ele nos levou.

image_f0d73a03-cf01-4d4a-baa1-bead950aeb82.c4a446a7-4409-485c-8d75-d5d38d9d21b6

image_763c934f-a921-43de-b2fd-4af49457120a.5a04bbc9-6c23-4cbe-80c8-7b03093e6066

image_adf1ef77-ad1a-48df-ba08-31c66bdd4990.c578888c-c181-438b-ae74-9104767ebe6c

Trata-se do mais antigo mausoléu mongol em New Delhi e serviu de inspiração para o Taj Mahal. Todo construído em arenito vermelho e mármore branco, pela viúva Hamida Banu Begum, nove anos após a morte de Humayun, de 1565 a 1572.

image_ea587b76-c84e-4011-b81a-17f90c979d25.833afc16-a67d-4157-8d37-8c603f261826

image_1d3a9643-9619-4c71-b0f2-b7d73ffa5c89.188fc471-eace-4f37-a1dc-e85067aa44c8

image_2c575e0e-7b3d-408b-836b-3f7b751e1fea.2e2b07c2-b912-4384-9e61-c67b961543fa

image_c170b0fc-dbb0-493b-8782-623c41fe6f54.b34d987c-e0d1-46b8-87ae-9c9ef014e438

image_791f3d03-bff7-4ac4-8791-55657469510b.bf9f2007-265e-4ba0-8030-4367f5c34b3a

O sarcófago do Imperador está sob a cúpula de 42,5 metros de altura. Aqui, repousam os restos mortais de Humayun – 2° Imperador Mongol da Índia, avô de Shah Jahan (construtor do Taj Mahal).

Vários parentes da dinastia etão enterrados aqui. O túmulo mesmo do imperador encontra-se no subsolo.

image_48e72ba1-3dd5-4908-b334-03efb29ff1b3.63dca31d-7cca-4d72-9a67-0aaf364ae889

Ao redor do mausoléu, nos seus jardins, tem construções incríveis, fazendo deste local uma das atrações que considero imperdíveis em Delhi.

image_61e2df40-3cfe-4b9c-8d7c-6e71baa38089.470c879c-9190-4177-8e7e-327cf0b8953e

Outro local imperdível, que também não estava no tour e por um valor adicional conseguimos ir foi a mais incrível construção que eu conheci em toda a viagem: o Templo Akshardham, o maior templo hindu do mundo.

Todas as fotos e informações sobre este local eu retirei do blog http://www.gigantespelomundo.blogspot.com mais as informações do meu guia, porque quando eu fui não era permitido fotografar nem o seu exterior, tive que deixar o celular no carro, no estacionamento, distante do templo. Há seguranças por todos os lados impedindo fotografias.

templo-Akshardam_india
Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com

O Templo Akshardham foi obra de Pramuk Swami Maharaj, líder espiritual que contou com 7.000 artesãos e 3.000 voluntários para a sua construção. O seu exterior é de arenito rosa  e o interior de mármore de Carrara. Possui 43 m de altura, 96 m de largura e 110 m de comprimento, com 9 cúpulas, 20.000 estátuas do hinduísmo, 234 pilares esculpidos, 148 elefantes de pedra em tamanho real que pesam 3.000 toneladas.

image_0555e15b-b5f7-4040-8929-3cc8f7120dac.img_6482_original
Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com
templo-Akshardam-nova-delhi gigantes pelo mundo
Foto do site: gigantespelomundo.blogspot.com

Quando a gente vai se aproximando do Templo Akshardham vai sentindo o impacto da sua magnitude. Pelas fotos é possível observar a altura dele em relação as pessoas. Todas as suas paredes externas são trabalhadas, esculpidas na pedra com detalhes da flora, fauna, dançarinos, músicos e divindades.

O seu interior foi o local mais fantástico que eu já vi na vida. Seu altar todo em ouro e pedras preciosas é surreal, a demonstração mais forte dos contrastes presentes a todo momento na Índia, a riqueza extrema de um lado com a miséria absurda do outro.

templo-Akshardam-interno
Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com

Não dava para acreditar no que os meus olhos estavam vendo!

templo_Akshardam_interno
Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com

O templo foi oficialmente inaugurado em 2005. A entrada é separada para homens e mulheres e depois de passar pelo detector de metais há uma revista de bolsas e física. Nem em aeroportos eu vi uma segurança tão rigorosa.

Para quem tiver interesse em mais informações e ver fotos incríveis que não consegui copiar para o blog é só acessar: http://www.akshardham.com site oficial do monumento.

No almoço fomos em um restaurante lindo, indicado pelo guia: The Imperial Spice.

image_60a24db3-0df0-40bc-b21c-26be94d3f944.c34913c2-1175-46a1-a791-683b9ede2e28

A comida foi escolhida pelo guia atendendo ao nosso pedido de que não tivesse muita pimenta. Arroz e frango. E advinha? Era tanta pimenta que fritava a boca! Também com um nome desse o que eu esperava? Em todas as cidades a gente convidava os guias para almoçarem conosco, mas nenhum aceitou, isso só havia acontecido em Marrakech. Não sei se eles tem constrangimento em razão de comerem com as mãos, pois não usam talheres. Para mim não é problema, cada um com a sua cultura, é para isso que viajamos.

image_2772655b-4712-486a-a382-b4e4da01ba8f.1fcbf3c3-2502-48bf-a720-91fcdb2438c2

Visitamos também a Gandhi Smriti – conhecida anteriormente como Birla House, um museu em memória de Gandhi. De todas as atrações de Delhi considero essa dispensável, só se você realmente é interessado na vida e obra de Mahatma Gandhi. O espaço é bonito e tem alguns de seus pertences pessoais.

image_acec2262-488c-45aa-95ea-da881c347952.6524169a-574e-4be5-a74c-e47d3ad67b2e

Gandhi morou neste local em seus últimos 144 dias de vida.

image_25bc0d61-a130-46e5-93e8-126a974690ca.1a87f6dc-7943-427b-bfa9-292f2a6be63c

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu em 1869, casou-se aos 13 anos com Kasturba e fez os seus estudos na faculdade de Direito em Londres. Na volta se envolveu politicamente contra o domínio inglês, sempre pregando a não violência, com protestos pacíficos, então se tornou um líder que ficou conhecido como Mahatma, que significa Grande Alma.

image_729b49cc-a676-44bb-9344-2df0fd953e38.539fb10f-cb9b-4f76-8134-72679e0ca751

image_fb299ebc-cb52-4bc9-bba7-8d6a8c5c34a8.a0e4acf2-dc9b-4992-8868-c51a04622151
Homenagem a mulher de Gandhi – Kasturba

O domínio inglês terminou em 1947 separando o país em Índia para os hindus e Paquistão para os muçulmanos, sem opção, Gandhi aceitou a divisão o que gerou novos protestos dos nacionalista, inclusive contra ele. Em 1948, Gandhi sofreu um atentado por disparos de arma de fogo e foi fatalmente atingido aos 78 anos. Seu corpo foi cremado e parte de suas cinzas jogadas no Rio Ganges. Outros locais abrigam as cinzas.

image_36e4745a-e42e-4cf1-bd91-cedc1d3c6dbf.c973880e-0656-4cda-bc67-53f4a75fc896

image_33b8e099-48e9-4bd0-9b69-df6b11549758.329465e5-b5cb-4aa9-84f2-e42f0a3f0824

Por fim, conhecemos o templo GURUDWARA BANGLA SAHIB, da fé Sikh. Um palácio do século XVII, que foi residência do Marajá Jai Singh e hospedou o guru Har Krishan que veio a falecer neste local.

image_88399b30-a0d5-4db6-bb82-0201b0bde561.bbd68982-77c0-487d-afed-9d94a4e044e2

Antes de atravessar o portal é necessário tirar os sapatos e cobrir a cabeça.

image_5e908b24-1682-42c6-b292-46dea1ff009d.dc725d02-96a8-4b9e-b68f-93b4ddac37e1

image_9419c661-7ffd-4fc7-b7f3-3ef4c4f3ba08.f1101ca8-aebb-467e-a9fc-4f584ec2fe3d

A religião Sikh é panteísta. E mais uma vez, não é permitido fotografias no interior do templo que é belíssimo.

Anexo ao templo tem a cozinha e refeitório onde são servidas 10.000 refeições gratuitas por dia, com a ajuda de voluntários. Funciona das 9:00 às 15:00 e das 19:00 às 22:00 horas e a comida é vegetariana, claro.

image_e2e327ef-abcc-4453-94a4-3b5a937b1ed6.944b0337-14a1-4661-a03c-81cdeaeda4b8

image_963fa367-668a-4560-9108-c9434f8e43cc.5775d4d5-8046-40b4-96bf-7d99e0726929

image_6afd73b7-4fb2-4eb6-866c-850909ce0e83.3dedc728-c838-4946-b422-4ce75b8e18ac
Nosso guia Saci mostrando os pães

image_d84315fe-4c99-49c2-aba4-4d45a9781a30.94ca668a-ccda-4edc-8e87-70ec7bf8f2ef

image_90216332-a681-4a6f-bb3d-278951adcbf1.0505dd1d-34a3-4610-8a10-1cd3c3572a4f

image_dcebd022-68fb-422a-9a0d-608780e417d1.841c0fec-2811-4b90-b62c-96e5cad86d62
Refeitório do Templo Gurudwara

O guru Har Krishan (1656 – 1664) apesar de criança à época, já que faleceu com 7 anos, quando estava hospedado no palácio, durante uma epidemia, deu água do poço para ajudar os doentes, atraindo posteriormente fama e peregrinos para o local que acreditam no poder curativo de suas águas.

image_b3443e63-1869-4fd7-8fa1-4b8d8ce05314.8420b54d-4363-4575-85d2-c62edcd0f32c

image_d3411023-fdc4-4d3d-8547-9ea59b37e03c.240a2979-94b6-49cc-9cfd-6c4fb25ffe56

Não só as mulheres, mas também os homens devem cobrir a cabeça neste templo, podem usar lenço, boné ou chapéu. O mais comum é o turbante, usado pelos fiéis Sikhs.

image_4e1c9c20-b1f5-4516-86a9-30694916c6cb.d1fe1804-2473-4f1c-b995-3f0f8d670dea

image_415d4daa-14e9-4c6a-acb7-7757090ade2e.350b53ba-3fc7-470c-bc90-ac84c63880a3

Abaixo portal pelo lado da saída. Nas laterais do templo vimos muitas pessoas deitadas no chão (homens na sua maioria) sob o efeito de drogas alucinógenas.

image_775973b5-bfd9-40a6-aa34-e4afe8cd51a2.386485a7-3a1a-49d8-9979-902e8d3f130c

image_8ff827bc-c822-4c6f-8a6e-7d4c79b458d4.fdf76ff7-f131-473c-9396-0d1e299fc917
Detalhe do mármore incrustado do portal

À noite resolvemos jantar em um dos restaurantes o hotel. Quando estávamos descendo um hóspede no elevador nos indicou o Orient Express. Um restaurante em forma de vagão de locomotiva em homenagem a lendária ligação pelos trilhos entre Paris e Constantinopla.

image_e3a42933-bd0c-4146-8ae2-1d373e570336.59023c54-e0fc-4f4e-b1f2-f74abb6b5e02

image_689a701c-401e-4492-9834-244a8c98e5e8.7aef779e-e84f-467d-87ec-e6f12e3f568f

image_832e16f3-8961-440d-9557-427c8bdb5dca.46c70a7e-5128-4c08-8744-47872a2e3c8d

Fica a dica deste restaurante incrível, lindo, atendimento muito gentil e comida boa. No final o Chef veio nos cumprimentar e fez questão de fazer a foto abaixo. A melhor noite na Índia foi a primeira!

image_5f5707c4-c93e-4399-aba0-2c15919690c5.3d4ec4ea-bb7b-434f-a493-8c2a6ad72e08

Depois fomos no bar do hotel para tomar um aperitivo, sempre pedimos taça de vinho ou champanhe, nunca esqueçam que gelo é proibido na Índia, um perigo! O Blue Bar é lindo, badalado, amei!

image_b3010cc5-cc72-4179-987d-de3a94b81574.41b96426-3673-4a4b-81a1-05c1366c833b

image_759ddfc4-d17f-420e-b09d-cb9a8e981144.9110d528-c1cb-475e-a7e3-64177e17e67a

image_f65cb4ae-af22-449c-9f03-ffd46858de80.858b0fdf-008c-4695-ab86-cc88596a4441

Ficou faltando conhecer Old Delhi que achei daria tempo na volta, mas não consegui.

New Delhi é caótica, vibrante, colorida, louca, intensa, o espelho do seu país. E eu amei! Para conhecer a Índia tem que ir de mente e coração abertos. Abstrair suas mazelas, tentar entender que é outro mundo, outra cultura para absorver toda a história e superação de seu povo que é fantástica. A Índia é um caldeirão de experiências e a sua capital a porta de entrada dessa incrível descoberta.

Jaipur – Rajastão – Índia

Rajastão é um estado indiano que faz fronteira com o Paquistão. Possui área de 342 km² e fica no deserto de Thar, a noroeste da Índia. Tem 68 milhões de habitantes e a sua capital é Jaipur.

img_8444
Patrika Gate

Jaipur foi fundada em 1728 pelo Marajá Sawai Jai Singh II, possui 3 milhões de habitantes. É uma cidade planejada, coisa rara na Índia, possui ruas com asfalto, calçadas e canteiros com jardins (incrível). É limpa também, vi pouco lixo.

É a cidade que a maioria dos turistas conhece porque faz parte do circuito “triângulo dourado” que inclui Agra e Delhi, o tour mais popular entre os que visitam a Índia. 

Também é conhecida por ser “a cidade rosa”  porque em 1876 o marajá mandou pintar a cidade inteira de cor de rosa para receber a visita do Príncipe de Gales, Albert, filho da Rainha Vitória, futuro rei Eduard VII. A mulher do marajá adorou o resultado e desde então a cidade é pintada dessa cor.

Em algumas partes da cidade não acho que seja cor de rosa rosa, mais parece cor de telha, agora dá um efeito bem interessante, gostei!

img_8673

img_8694

img_8689
Palácio dos Ventos

Fazia parte do roteiro “Os palácios do Rajastão” em Jaipur a hospedagem no Hotel Rambagh Palace, administrado pela rede TAJ. Fiquei 2 noites e recebi um upgrade.

img_9180

img_9181

img_8628

img_9184

O Palácio Rambagh, de 1835, começou como a casa da criada favorita da rainha. Depois foi uma hospedaria real, pavilhão de caça e por fim residência do Marajá Swai Man Singh II. As treliças são feitas em mármore esculpidas à mão.

O Hotel é lindo demais, tem um estilo diferente do Lake em Udaipur (palácio de verão) e do Umaid em Jodhpur (palácio da cidade). Parece um palácio de campo. Adorei ter conhecido três estilos bem diferentes de residências dos marajás.

img_8631img_8624

img_8647

Achei o quarto deste hotel o mais bonito que me hospedei. Possuía vários ambientes: quarto, saleta, closet e banheiro.

img_8502-1

img_8517

A saleta era o ambiente mais lindo do quarto, com vista para os jardins que possui aproximadamente 50 pavões.

img_8503

img_8511

A localização do quarto era uma charme, parecia uma vila privativa, com terraço próprio para descansar e apreciar a vista.

img_8499
Porta e varanda do quarto

img_8488

Sempre vinha um amigo nos visitar no terraço. Impressionada como fiquei magra na foto acima (dieta indiana).

img_8602

img_8479

O Lobby do Hotel Rambagh é lindo com fonte de mármore, balaústras (lustres) de arenito e quadros de marajás

img_8651

img_9273-2

img_8586

img_9271

img_9270

Aqui também o receptivo foi com música, flores, colares e a marca na testa. Já se hospedaram no Rambagh: Lorde Mountbatten, Príncipe Charles e Jacqueline Kennedy.

O Hotel possui 4 restaurantes e um bar. Na primeira noite fui jantar no Restaurante Suvarna Mahal, o mais bonito e formal, cozinha indiana, localizado no Salão de Jantar do Marajá. Neste restaurante para ocasiões especiais os sousplats são de ouro.

img_8545

img_8538

img_8529

img_8527

Foi no Suvarna que eu comi o único prato que eu realmente gostei na Índia, uma entrada: queijo grelhado com vegetais. Não fiz a foto. Estava uma delícia. O prato (foto abaixo) arroz com vegetais e frango estava bom também, só que com muita pimenta. Até os pães do couvert tem pimenta, um deles inclusive não consegui comer, queimava a boca.

img_8526

Detalhe que o garçom disse que esses pratos tinham pouca pimenta! O marido queria cordeiro, mas ele avisou que era com bastante pimenta, imagina!

img_8535-1

Após o jantar um drink no Polo Bar. Como a Índia foi colônia inglesa o Polo sobre cavalo é um esporte muito popular. No bar tem muitas fotos de jogadores de polo, onde aparecem o marajá e a família real inglesa, em especial os Príncipes Philip e Charles.

img_8564

img_8567

O Hotel Rambagh é mágico à noite. No jardim em frente ao restaurante e bar fica um músico tocando cítara.

img_8551

No outro dia, o café da manhã é servido em uma sala lindíssima, onde funciona o Rajput Room, um restaurante all day. Como sempre aquele buffet espetacular e eu no chá preto com pão e manteiga.

img_8613

img_8609

img_8610

No roteiro programado para a cidade não estava previsto conhecer dois pontos de Jaipur que eu queria muito. Então conversei com o motorista e ele nos levou. Abaixo, pelas ruas

img_8467

img_8671

img_9010

O primeiro foi o Patrika Gate (foto na abertura do post). Visitamos na chegada da cidade pois é um pouco fora do centro, a 7 km do nosso hotel e 10 km do City Palace.

img_8440

img_8453

O Patrika Gate é um portal que fica no Parque Jawar Circle, no caminho para o aeroporto de Jaipur (apenas 1 km), então se você chega ou sai da cidade de avião, não pode perder a oportunidade de dar uma parada aqui, pois é um monumento lindíssimo. Fica aberto 24 horas e a visita é bem rápida. Se situa na entrada de um parque, agora se você tem interesse de visitar os jardins e fontes também então a visita se torna mais demorada.

img_8461

O Maharajá Sawai Jai Singh II construiu este portão com 9 arcos que simboliza a 9ª porta de entrada da cidade, já que havia outras 8 “portas” para entrar em Jaipur. O interior do portão é de uma beleza fascinante. Todo decorado com murais que contam a história da realeza no Rajastão.

Às 19h acontece uma apresentação de fontes musicais no parque e show de luzes no portal. Fui às 15h e estava bem tranquilo. Dizem que o melhor horário para fazer fotos é pela manhã, bem cedo, porque tem menos turistas. No horário que eu fui tinham apenas dois casais com o seus respectivos fotógrafos. Fiquei admirada, achei que ia encontrar lotado.

img_8446

img_8459

img_8437

img_8458

img_8450

img_8426

O portão é cenário para muitas sessões de fotos, principalmente de revistas e casamentos. Quando nós fomos estavam acontecendo dois shootings 

img_8433

O outro local que eu queria conhecer, o Museu Albert Hall, cujo acervo se compõem de mobiliário, tapeçaria e arte indiana em geral, infelizmente não consegui visitar o seu interior, não tive tempo, o motorista passou em frente e fez uma parada para fotos.

img_8657

img_8669

Começando o tour visitamos o Hawa Mahal – Palácio dos Ventos construído pelo Maharajá Sawai Pratap Singh, de 1799.  Possui de fachada 15 metros de largura e 5 andares de altura. Em vários sites de pesquisas as informações são diferentes quanto ao números de janelas. Uns dizem 365, outros 933 e até 953 janelas. Enfim, não parei para contar. E depende muito também do que se considera janela, se cada abertura da “colméia” ou o seu conjunto.

img_8677

A dificuldade para fotografar é imensa. O guia colocava o celular no chão para conseguir o ângulo. Abaixo um filme dessa construção que eu achei a mais incrível da viagem.

O Palácio dos Ventos foi construído em arenito vermelho e rosa. Hoje é só uma fachada. É possível entrar e visitar o seu interior, mas não tem nada, só para ver por dentro a vista que se tinha das janelas. A quantidade e formato das janelas serviam para que as mulheres da realeza pudessem olhar a cidade, observar o movimento da rua sem ser vistas, garantindo a sua privacidade.

O nome Palácio dos Ventos era porque pelas suas treliças o vento poderia entrar e refrescar o ambiente. Porém, atualmente, isso não é mais possível, já que foram instaladas janelas de madeira que ficam fechadas para a sua preservação.

Em seguida partimos para visitar o local que considero a mais importante da cidade o Forte Amber, a aproximadamente 8 Km do centro.

img_8697

img_8699

img_8711

O Forte Amber é uma fortaleza com palácios, templos, pátios e jardins. De 1599 foi a residência do marajá Man Singh (1589-1614).

Há três maneiras de chegar no forte: a pé, de carro e de elefante. O nosso tour era de carro até um ponto e depois de cadeirinha no lombo do elefante até o pátio principal.

As ruas são bem estreitas e o percurso muito interessante.

img_8724

img_8715

img_8729

img_8732

Durante o trajeto de carro o guia começou a conversar perguntando se a gente queria mesmo ir de elefante, que demorava muito, que ele não considerava certo utilizar os animais para esse fim, foi uma situação um pouco constrangedora, enfim, nós também não concordamos em utilizar animais para o trabalho, então resolvemos não subir no lombo do elefante para chegar até o forte, subimos a rampa de acesso a pé mesmo.

img_8733

Abaixo turistas subindo e chegando no palácio no lombo dos elefantes. Atualmente há algumas regras de proteção para esses animais, um número fixo de “viagens” por dia. O guia nos ofereceu para ir conhecer depois “a casa dos elefantes”, onde se pode ter contato com os animais, acariciar, mas também não me interessei. Sei que os elefantes são animais selvagens e não gosto de imaginar o que eles passaram para chegar ao ponto de aceitar essa aproximação humana.

img_8736

img_8744

Jaipur é a cidade mais turística do Rajastão e no Forte Amber sua atração mais famosa a quantidade de pessoas é enorme. A foto abaixo retrata uma cena muito comum na Índia: a insistência dos vendedores.

img_8758

img_8759

img_8763

img_8746

O Forte Amber tem cor amarelo ocre e levou 25 anos para ser construído. Tem quatro patamares e fica no alto de uma colina com uma linda vista.

img_8764

img_8767

img_8771

img_8775

img_8782

img_8786

img_8822

img_8812

O Forte Amber possui um mix das culturas muçulmana e hindu

img_8858

img_8824
Pintura no Portal de entrada

No interior do palácio vimos no Haman a “banheira de hidromassagem” do marajá.

img_8819

O Hall de Espelhos é o ambiente mais fascinante do complexo, faz parte do Sheesh Mahal

img_8849

img_8853

img_8847-1

img_8843

img_8838
Foto feita pelo guia – eu estava do outro lado da sala

img_8831-1

img_8851

img_8856

img_8865

img_8881

img_8884

img_8892

Considero importante ter o acompanhamento de um guia no forte. O percurso é extenso e um verdadeiro labirinto. Dá para se perder lá dentro e não conseguir seguir em um percurso lógico e também corre o risco de ficar sem ver alguns ambientes. Tem vários guias autônomos que oferecem o seu serviço na porta do forte ou no pátio central.

img_8910

img_8984

img_8987

img_8993

img_8997

Na saída do forte encontramos muitos elefantes pelo caminho

Depois do Forte, nossa próxima parada foi o City Palace. Em todos os locais de visitação em Jaipur as bilheterias estavam bem tranquilas para comprar os tíquetes, sem fila.

img_9016

O Palácio da Cidade na realidade são dois Chandra Mahal – onde parte é residência da família real e o Mubarak Mahal – “Mahal” significa palácio em hindi, como “Pur” significa cidade.

img_9018

img_9020

img_9022

O complexo foi construído entre 1729 a 1732 pelo Maharajá Sawai Jai Singh II. A pedra do exterior foi esculpida em formato de renda e possui 2 elefantes de mármore adornando a entrada.

img_9028

Os guardas do palácio se oferecem para fazer fotografia para depois pedir gorjeta, não tenho problema em relação a isso, penso que é mais uma fonte de renda para eles.

img_9030

Passando o portal para chegar no Palácio de Boas Vindas – Mubarak Mahal

img_9032

img_9034

Dentro dos palácios funcionam museus com exposições de arte, armamentos, trajes reais, um acervo bem completo, mas não é permitido fotografar no seu interior

img_9066

img_9096

img_9036

img_9093

img_9054

img_9043

No Mubarak, o palácio de boas vindas se encontram 2 grandes vasos (ou urnas) de prata, com capacidade para 4.000 litros cada, que foram feitos para o marajá Madho Singh II. Reza a lenda que o marajá em 1902, para a coroação do Rei Eduard VII (filho da Rainha Vitória), levou água do Rio Ganges nesses vasos para se banhar na Inglaterra.

img_9039

Mubarak Mahal – Palácio das Boas Vindas onde o marajá recebia as autoridades

img_9063

img_9057

Abaixo o Chandra Mahal –  a família real de Jaipur mora em parte deste palácio.

img_9083

No seu pátio Pitam Niwas, conhecido como Corte dos Amantes, existem 4 portas que representam as estações do ano

img_9070

img_9073

img_9074
Sou fã das roupas e poses das asiáticas

img_9080

img_9076
A mais linda – a Porta dos Pavões

O atual Marajá de Jaipur, Swai Padmanabh Singh, conhecido por Pacho, é muito jovem, tem 22 anos, e ficou famoso por dançar a valsa com Ava Phillippe, filha da atriz Reese Whiterspoon, em seu baile de debutantes em Paris. O marajá já esteve no Brasil, pois é jogador de polo e veio participar de uma competição. Também inovou ao fazer uma suíte do palácio para hóspedes e colocar para locação no Airbnb.

marajá jaipur
Foto do site: http://www.elperiodico.com

Um lugar muito interessante para se conhecer em Jaipur é o observatório astronômico Jantar Mantar, que fica ao lado do Palácio da Cidade.

img_9101

Construído pelo Marajá Jai Singh II, a partir de 1724 possui 22 instrumentos de astronomia arquitetônica.

img_9110

E aqui também a fila de fãs para fotos 😉

img_9122

O observatório foi criado para além de medir o movimento do sol, da lua e dos planetas também fazer previsões e os signos do zodíaco, o que hoje se conhece por astrologia.

img_9115
Meu signo – Escorpião

No texto acima: “Signo do Zodíaco – Convenção de Reencarnação 1856. Gekral Chand Bhavan. Existem 22 instrumentos dos quais os planetas se conhecem. A partir daqui o trabalho é feito quando esse valor é visível ao sul. Face do círculo”. Pelo Google Tradutor. Não entendi nada, mas tudo bem.

img_9134

No observatório se encontra o Samrat Yantra o maior relógio de sol do mundo (abaixo). Infelizmente só consegui fotografar uma parte dele (metade) já que é gigantesco. O guia nos mostrou como ver as horas nele. Foi incrível, ele erra por dois minutos!

img_9108

Neste observatório, vendo toda essa engenhosidade construída há quase 300 anos, cheguei a conclusão que o indiano é muito inteligente, considero neste quesito um povo muito acima da média. Se destacam principalmente em arquitetura, física e matemática. Quem já assistiu o filme o homem que viu o infinito? Enfim, tudo que exige cálculo, eles dominam. Não sei se por conta da adversidade, já que a sobreviver na Índia é um grande desafio.

img_9139

Pausa no tour para almoçar e em Jaipur este restaurante levou o troféu de pior comida da viagem e olha que a concorrência era grande! Tinha um buffet (horrível) e à la carte. Pedimos uma massa com molho de tomate sem pimenta e acreditem veio temperada com açúcar! Acho que fizeram de propósito. Não conseguimos comer.

img_9012

Durante a tarde estava previsto passear pelo comércio de Jaipur. Primeiro fizemos um tour de tuk tuk e depois a pé.

img_9176
O “estado” do nosso tuk tuk caindo aos pedaços

Um detalhe sobre os tuk tuks: é maravilhoso transitar com eles. Dá para ver bem tudo, porque são abertos, a gente fica muito próximo das pessoas, dão um jeito de passar em qualquer lugar, mas…lembrem que na Índia sempre tem muitos “mas”, são sujos, barulhentos, cobram o que dá na telha e nem sempre te levam direto para o destino. Ahhhhh a Índia, tem que ter paciência!

img_9144

img_9169

img_9166

img_9164

img_9161

img_9162

Percorremos a Ramganj Bazar Road e as imediações do Badi Chaupar Market, um verdadeiro labirinto de vielas com milhares de lojas, uma ao lado da outra.

Pegamos um pequeno congestionamento, uma carroça que não tinha espaço para passar

Os tecidos e sáris são de enlouquecer, lindos demais! Mas, já comentei, tive muita dificuldade de fazer compras na Índia. Os produtos não tem preço, os vendedores olham para a gente e colocam o valor que querem, eu fazia a conversão das rúpias no aplicativo do celular e o preço em euros era absurdo, daí tem que ficar negociando (odeio) e muitos não baixavam, queriam apenas oferecer um brinde.

A gente se sente enganado, explorado o tempo todo, porque sabe que os produtos são baratos, mas não para nós, achei irritante. E depois pensei, onde vou andar vestida de sári no Brasil? Só em uma festa a fantasia. Mesmo assim resolvi comprar um, está guardado no armário esperando uma oportunidade de entrar em cena.

Terminado o tour, voltamos para o nosso hotel (oásis), para descansar da loucura que é passear pelas ruas indianas (amo hehehe). E como estava morrendo de fome tentar comer algo. Fiz um lanche, comi um club sandwich muito bom no Verandah Café que serve pratos leves e afternoon tea ao ar livre ou nas espaçosas varandas do palácio.

Não tive coragem de comer nenhuma comida “de rua” na Índia, em feiras, barraquinhas, calçadas, o guia às vezes oferecia eu dizia que não estava com fome por medo, uma pena, em outros lugares do mundo adoro!

img_8607

img_9188

img_9191-2

No hotel, sempre vinha um amigo fazer companhia

img_9185

img_8498

E à noite fomos jantar no único restaurante que eu tive vontade de conhecer em toda a viagem fora dos hotéis em que fiquei hospedada: o Bar Palladio

img_9252

O Restaurante Bar Palladio fica no interior do Hotel Narain Niwas Palace. Anexo a este hotel tem um mini shopping com lojas incríveis de roupas e decoração. São lojas de designers.

img_9254

O Bar Palladio tem dois ambientes, um café que funciona durante o dia, em tons de rosa e o restaurante e bar à partir das 18h em tom de azul “elétrico”. Abaixo o pátio externo.

img_9198

img_9239

Eu estava enlouquecida para conhecer esse lugar, já tinha visto muitas fotos dele no Instagram e não me decepcionou no quesito ambiente, que restaurante mais lindo!  O tom de azul, as luminárias, tecidos, tudo fazia uma composição fantástica, amei!

img_9227

img_9236

img_9233

Já no quesito comida, deixou a desejar. Comida sem gosto porque pedimos sem pimenta. Aqui conhecemos um casal de São Paulo muito legal e ficamos conversando, sentaram ao lado da nossa mesa. Eles fizeram o mesmo roteiro que o nosso só que ao contrário. Foi ela quem fez as minhas fotos e eu fiz as dela, enquanto os “rapazes” deram uma pausa na função fotógrafos. E não lembramos de fazer fotos todos juntos, uma pena. O papo estava tão bom, enfim, ficou a recordação de uma noite muito especial.

img_9224

img_9209

img_9208

Recomendo muito ir no Bar Palladio, pelo ambiente lindo, animado (depois lotou) e quem sabe você tem mais sorte do que eu na comida. Melhor reservar.

img_9215

No cardápio do Bar Palladio a seguinte frase: “A estranheza de que você não é mais ou não possui mais, está a sua espera, em lugares estrangeiros e não possuídos.”  de Ítalo Calvino,  um dos maiores escritores italianos do século XX.

img_9008
Despedida de Jaipur – Jal Mahal – Lago Man Sagar

O Rajastão foi realmente incrível, em suas três cidades: Udaipur, Jodhpur e Jaipur vi coisas surpreendentes, até então inéditas para mim. Construções, templos, paisagens, um outro mundo. E ainda não terminou, no próximo post mostrarei Ranakpur e Pushkar dois lugares que visitei no trajeto, durante os 1.000 km que fizemos de carro pela Índia.

 

 

 

 

 

 

Jodhpur – Rajastão – Índia

Viagem é realmente algo muito pessoal. As impressões e gostos de um nem sempre servem para o outro. E exatamente isso aconteceu em Jodhpur. No planejamento informei a agência que o objetivo da viagem era comemorar o meu aniversário, então, o contato da Pioneer Journeys no Brasil, a querida Cíntia me aconselhou passar a data em Udaipur ou em Jaipur, mais bonitas e interessantes, porque Jodhpur era a mais sem graça das três cidades do Rajastão.

img_7760
Forte Mehrangarh

Só que fui para Índia a partir de Roma e a companhia Alitália não tem vôos diários para Delhi. Soma-se a isso eu não poder chegar em Delhi em uma segunda-feira porque está tudo fechado e nem estar em Agra em uma sexta-feira porque o Taj Mahal não abre. Quer dizer, tive que fazer um malabarismo danado e a data do meu aniversário, 03 de novembro, caiu  na cidade de Jodhpur. Paciência pensei, o importante é que estarei na Índia.

Em um ponto concordo com a agência, Udaipur é a mais bonita sim, mas Jodhpur está longe de ser sem graça e no meu ponto de vista foi a melhor das três, mais do que Jaipur, a capital do Rajastão. Concluindo, Jodhpur foi a cidade que eu mais gostei de toda a viagem, depois foi Delhi (que a maioria odeia). Foi maravilhoso, um sonho poder passar o meu aniversário nesse lugar.

img_7857
Forte Mehrangarh

Jodhpur é segunda maior cidade do Estado do Rajastão, possui 1 milhão de habitantes, tem 78 Km², foi fundada em 1.459 e se situa junto ao deserto de Thar a noroeste da Índia.

Fiquei hospedada no Hotel Umaid Bhawan Palace, administrado pela rede TAJ. Foi o hotel mais incrível da viagem. O hotel mais lindo que já fiquei na vida!

img_8320

img_8342

O Palácio Umaid foi construído entre 1928 e 1943 em arenito amarelo e está localizado na colina Chittar o ponto mais alto de Jodhpur. Trabalharam na construção 5.000 homens durante 15 anos. O prédio não possui argamassa ou cimento, as pedras foram esculpidas e unidas por entalhe, intercalando peças positivas e negativas. Possui 347 cômodos sendo a principal residência do marajá de Jodhpur, sua alteza Gaj Singh. O nome do palácio, Umaid, é em honra ao avô do atual marajá.

img_8326-1

A chegada no Hotel Umaid é um acontecimento. Fomos recebidos com banda de música, pétalas de rosas, colares de flores e a marca de pigmento na testa para prosperidade.

O lobby é composto de vários ambientes um mais lindo do que outro e a cúpula do palácio possui 32 metros de diâmetro e 195 metros de altura em estilo renascentista. Foram utilizados no seu interior 1 milhão de metros quadrados de mármore. Seu jardim tem 100.000 m². O prédio foi dividido em três partes: hotel, residência do marajá e museu (aberto ao público).

img_7726

img_8294

img_7636-1

img_7648

img_7610

img_7632

img_7670

img_7667

Todos os hotéis que ficamos na Índia tinham um forte esquema de segurança, mas no Umaid, por ser em parte residência do marajá, a vistoria era ainda mais rigorosa. Antes de entrar no hotel, o motorista tinha que abrir o capô e o porta malas do carro. Um segurança passava um aparelho detector de bomba embaixo do carro e as malas passavam no aparelho de Raio X.

Também neste hotel, infelizmente, não encontrei o Seu Marajá para cumprimentar, dar um oi, enfim, agradecer a hospitalidade 😉

img_8094

A reserva foi feita pra um quarto standard, só que no check in recebi um upgrade para a suíte histórica, um quarto muito confortável, com sala, closet e varanda.

img_7569

O café da manhã é servido no restaurante Pillars, onde jantamos no meu aniversário. Um espaço no terraço com vista para uma enorme área verde e que tinha sempre músicos ou eventos artísticos acontecendo.

img_7728

E sempre um amigo para fazer companhia no café

img_7741-1

De todos os hotéis o Umaid foi o que tinha o staff mais gentil, parecia uma grande família, todos muito simpáticos, bem falantes, sorridentes, a gente se sentia muito bem, recebidos com muito carinho e atenção. O pessoal do café, restaurantes, spa, recepção, porteiros, amei cada um por tanto afeto.

img_8315
O querido Mister Chain Singh porteiro do Hotel Umaid

No final de tarde, por volta das 18h, sempre tem um evento cultural no Hotel Umaid. No primeiro dia assistimos uma apresentação de dança folclórica. A dançarina vai encaixando os potes um a um em cima da cabeça até ficar em uma altura incrível.

E depois ela convidou as mulheres da plateia para dançarem. Só eu e mais uma moça (indiana) aceitaram o convite. Que gente desanimada credo!

A parte de gastronomia do Hotel Umaid é composta por dois restaurantes e um bar. Na primeira noite jantamos no restaurante Risala. Ambiente mais formal. Cozinha indiana e continental. Gostamos (conseguimos comer uma massa com molho de tomate) e no outro dia almoçamos aqui também.

img_7699

img_7707

img_7706

img_8101
Sobremesa de chocolate deliciosa
img_7688
Trophy Bar – Hotel Umaid
img_7693
Drink no Trophy Bar – espumante – gelo nem pensar

O hotel tem muitos quadros dos Marajás de Jodhpur

img_7695-1

img_7633

img_7712

img_7721-1

img_7641

 

img_7711
Encontro do marido com os marajás

No outro dia, foi meu aniversário, no final do post conto tudo desse dia tão especial. Agora vamos conhecer Jodhpur?

Primeira parada o Forte Mehrangarh do ano de 1.460, fica em uma colina 125 metros acima da cidade. Fica a 15 minutos de carro do centro. Trata-se de uma fortaleza que abriga vários palácios.

img_7752-1

img_7756

As muralhas tem 35 metros de altura e 21 metros de largura, para acessar o interior do forte passa por 7 portões.

img_7768

img_7769

img_7772

A charmosa aqui foi de rasteirinha, mas o ideal é visitar o forte e a cidade toda de tênis porque tem muita areia, pedra e sujeira. Já no interior do forte, para chegar no terraço que dá acesso aos palácios, na parte superior, pegamos o elevador, como chegamos cedo (abre às 9h) não tinha fila. Dá pra ir a pé também, mas fica muito cansativo e demorado. Dica: Para quem vai sozinho o ideal é contratar um tuc tuc até o 5° Portão onde está o elevador.

img_7776

Na entrada do forte tem algumas lojas, vendedores chatos e câmbio, então resolvi trocar euros e aqui também aconteceu um fato que se repetiu por toda a viagem. Quando entrei na casa de câmbio uma família de indianos entrou comigo e ficou olhando eu trocar o dinheiro, contar, só faltaram colocar a cabeça dentro da minha bolsa! Não eram pessoas pobres, não estavam ali para pedir ou trocar dinheiro, era só por curiosidade mesmo! E eles não fazem cerimônia, grudam para observar o que você vai fazer, em várias lojas foi assim, e, como sempre, no início eu achava interessante e até engraçado, depois cansa.

img_7766
Indiana e seus lindos trajes. Elas pedem fotos comigo eu peço para tirar fotos delas

Lá em cima, pouca gente, um milagre na Índia. A época que viajei estava acontecendo o Diwalli, o festival das luzes, um feriado e festa tão importante para os hindus quanto o Natal é para os cristãos. As cidades estavam lotadas e o Rajastão é o estado mais turístico.

img_7799-2

img_7784

Do terraço dá para ver porque Jodhpur é conhecida como a Cidade Azul. As casas são quase todas pintadas desta cor e existe duas explicações: uma porque o azul é uma cor mais refrescante, melhor para aguentar o quente e úmido verão indiano e outra porque os mosquitos não “gostam” da cor azul, então serve para espantá-los.

Pelas fotos dá para perceber o quanto subimos

img_7782

img_7789

img_7896

A arquitetura da fortaleza é impressionante e suas paredes externas são em tons avermelhados. Na área dos palácios tem um mix de tons terracota e ocre

img_7796

img_7847

img_7818

img_7808

Abaixo trono e fotos da coroação do atual Marajá Gaj Singh II com 3 anos de idade.

img_7828

img_7829

img_7849-1
Oi!

O Forte Mehrangarh é um dos maiores da Índia, a família real morou aqui até se mudar para o Palácio Umaid (meu hotel). Hoje funciona como museu, no seu acervo tem antiguidades, obras de arte, armas, roupas, instrumentos musicais e mobiliário.

img_7827
Na entrada um hindu e seu cachimbo de ópio

img_7844

img_7831
Assento para colocar em cima do elefante

img_7838

img_7865

img_7874

img_7866

img_7876

img_7877

Phool Mahal – Hall de Audiências privadas construída pelo Marajá Abhaya Singh no século XVIII em ouro e espelhos

img_7888

img_7893

O que mais me deixou extasiada nos palácios indianos foi a riqueza de detalhes nas suas paredes. Pinturas, espelhos, pedras semi ou preciosas, prata, ouro, madeira, mármore, tudo era usado para compor esse efeito fantástico.

img_7904-1

img_7905

img_7906

img_7909

img_7913
A sala dos berços
img_7920
Um berço real

img_7922-1

img_7930

img_7935

img_7937

E a louca das portas, não posso ver que já quero fotografar, imaginando a moldura

img_7948

img_7956-1

 

img_7964
Saída do Forte Mehrangarh

img_7968

Próxima parada: Jaswanthada o Cenotáfio Real. Um local destinado a homenagear a memória dos que já faleceram (não se encontram aqui os restos mortais).

img_7973

img_7983

img_8036

img_8029

img_7988

Na Índia as pessoas não são enterradas e sim cremadas. O Marajá Sardar Singh construiu em 1899 este local que serve como crematório da família real e memorial, em homenagem ao seu pai Marajá Jaswant Singh II,  por isso o nome Jaswanthada,  

img_7991-1

img_7999

img_8004

img_8012

img_8015

img_8018
Para entrar precisa tirar os sapatos

img_8024

img_8027

Fazia parte do roteiro também conhecer o Bazar de Sardar, o mercado de Jodhpur. São inúmeras barracas com roupas, sapatos, bijuterias, tecidos, comida e apesar de ter muita sujeira, muito lixo, amei! Gostei muito na viagem de todas as vezes que fiquei na rua andando a pé no meio daquela loucura de carros, motos, buzinas, observando as pessoas, seus costumes. Queria ter uma cadeirinha para ficar sentada só olhando o vai e vem, achava tão incrível, me sentia sempre como em um filme.

img_8047

img_8060

img_8061

img_8044

img_8043
Amei esses sapatos comprei alguns
img_8046
Os tecidos são lindos e baratos

img_8073

img_8045-1

img_8039

img_8069

No centro do mercado se encontra a Torre do Relógio (Ghanta Ghar), construída pelo Marajá Sardar Singh entre 1880 a 1911. É possível subir na torre, mas não fui.

img_8065

img_8051

img_8067

O Sardar Market e a sua Clock Tower é um lugar imperdível em Jodhpur, achei muito interessante e não vi turistas estrangeiros aqui.

img_8078
Saída do Sardar Market

Voltando para o hotel, cena comum nas ruas indianas, família inteira na motocicleta, só o homem de capacete, cheguei a ver com 5 pessoas.

img_8038

No Hotel Umaid Bhawan Palace uma parte funciona como museu com pinturas, retratos e objetos da família real de Jodhpur. Como era hóspede do hotel um funcionário me acompanhou no tour. E aí se os indianos já me olhavam como uma ET, calculem com o segurança do museu mostrando o acervo e me fotografando, já que fui sem o marido.  Nem nessa hora eu consegui ficar realmente sozinha, eles não deixam.

img_8106
Porta do lado esquerdo com pessoas na frente é a entrada do museu
img_8142
No pátio do museu – Marido teria feito essa foto muito melhor

img_8127

img_8130

img_8129

img_8121
Marajá de Jodhpur Gaj Singh, sua mulher e filhos

Final do dia, como era meu aniversário eu posso tudo, então primeiro marquei uma massagem no JIVA SPA do hotel, que fica junto a piscina interna que se chama Zodiac, já que no chão tem mosaicos com os signos. Fiz uma massagem relaxante com óleos aromáticos. Deixei o celular no armário porque essa vida de blogueira registrando tudo também cansa. Reservei esse momento para desligar.

img_8163

A boa fama das massagens indianas é merecida. Que massagem! Primeiro o ambiente: escuro com uma música suave, um perfume delicioso no ar. Começou com uma imersão dos pés em uma bacia de água, flores e óleo aromático quente e uma massagem vigorosa (nada dolorida) para relaxar os pés, meus pobres pés cansados de andar de rasteirinha o dia inteiro agradeceram. Depois uma hora e meia de massagem no corpo todo com óleo e por fim no rosto e cabeça. O óleo não era grudento, passei a toalha e pronto. Saí de lá flutuando!

Depois marquei uma tatuagem de henna. O hotel agenda o horário da sua preferência, tem parceria com artistas que vão no hotel atender.

E  o resultado: achei que ficou lindo demais! Depois de 1 hora pode lavar. Bem difícil de sair. No primeiro dia fica um laranja bem clarinho, achei que não tinha dado certo! Depois com o passar dos dias vai escurecendo cada vez mais. Durou quase 10 dias. E eu passava álcool gel nas mãos 200 vezes por dia.

img_8218

img_8278

img_8358

Final de tarde mais um evento no hotel, desta vez na área externa, um grupo de músicos e duas dançarinas em uma apresentação incrível, amei!

img_8174

 

img_7597

img_8199

O dia do meu aniversário, jamais vou esquecer, desde a hora que acordei até a hora de dormir, todos os funcionários que passavam por mim me davam os parabéns, me desejavam coisas boas, até o segurança “sério” da portaria externa colocou a cabeça para dentro do carro e perguntou se eu estava de aniversário para me cumprimentar.

Foram tantos os gestos e palavras carinhosas, tantas felicitações, que percebi que o dia do aniversário na Índia é realmente uma data muito especial. Eles entendem que é um novo ciclo que se inicia, um livro novo que você tem a chance de escrever a vida da sua maneira. Achei tão lindo, fiquei muito emocionada.

img_8086

Quando voltei para o hotel do tour tinham feito Happy Birthday com flores no chão, a equipe de arrumadeiras me deu um tag de mala, ganhei cesta com flores, vinho, porta retrato com a nossa foto da chegada. Prepararam uma festa surpresa para mim no quarto, com bolo, espumante, os funcionários cantaram parabéns, mais um buquê de flores, recebi um lenço de marani e o marido um turbante de marajá, foi muito legal!

img_8241

Queria registrar aqui também a parceria do meu marido RB que topou na hora quando eu disse que queria passar o meu aniversário na Índia. Quem nos conhece sabe que o destino não tem nada a ver com o nosso perfil. Quando eu contava que ia para a Índia ficavam todos muito admirados, horrorizados na verdade! E durante toda a viagem ele resistiu heroicamente, participou de tudo com muita boa vontade, inclusive as 50 milhões de fotos que eu pedi, não reclamou de nada (um pouco da comida com toda a razão) e no final da viagem disse para mim que odiou, hahahaha! Parceiro de vida e agora de blog só a agradecer.

img_8234

Depois da festa no quarto fomos jantar no Restaurante Pillars um terraço com vista para os jardins.

img_7679

img_7678

img_8275

img_8290

img_8284

img_8091
Presente que ganhei do marido

E como terminamos esse dia incrível? Primeiro jogando pingue pongue.

img_8301

Depois essa surpresa na banheira do quarto nos esperando! Será que eles acharam que ia ter lua de mel? Nessa altura do campeonato!!!

img_8304

Quando escolhi passar o meu aniversário na Índia sabia que seria especial, só que com todo o seu encanto se tornou realmente memorável, inesquecível. Foi o aniversário mais incrível da minha vida. Namastê!

img_8223

 

 

 

 

 

 

 

Udaipur – Rajastão – Índia

Capital do antigo reino de Mewar, cidade dos lagos e considerada a mais romântica do país. Foi fundada em 1559 pelo Maharajá Udai Singh II. Possui 550 mil habitantes e se localiza no Estado do Rajastão, que faz fronteira com o Paquistão, no noroeste da Índia, a 650 Km da capital Delhi.

Udaipur é conhecida como a Veneza do Oriente, sendo a cidade mais rica da Índia, embora considere mais apropriado dizer a menos pobre.

img_6524

Cheguei em Udaipur de avião, a partir de Delhi (voo 1h e 15m). Fiquei hospedada por 2 noites no Hotel Taj Lake Palace, no meio do Lago Pichola. Conhecido como o Palácio do Lago – Jag Niwas – era a residência de verão da família real. Construído pelo Maharana Jagat Singh II em 1746, todo em mármore branco, baseado em um rochedo.

img_6786-1

O hotel só é acessível de barco. Possui pier próprio e barquinhos que fazem o trajeto ida e volta a todo momento. É tão lindo, tão romântico, me senti em um filme. Aliás, neste hotel foram gravadas cenas do filme 007 – Octopussy. Já se hospedaram aqui a Rainha Elizabeth II e Jacqueline Kennedy.

img_6813
Pier do Hotel Taj Lake Palace

O trajeto de barquinho até o hotel foi um sonho!

img_6582

Pichola, o coração de Udaipur, é um lago artificial de água doce criado no ano de 1362. Possui 6,96 km² de área – 4 km de comprimento por 3 km de largura. Sua maior profundidade é de 8,5 m. A água tem um alto teor de sódio e bicarbonato. Como recebe dejetos de esgoto é muito poluído, embora eu não tenha sentido odor. Tem 17 espécies de peixes, mas, como comentei na introdução que fiz sobre a Índia, que você lê aqui Índia – Impressões gerais não tive coragem de comer peixe e frutos do mar durante a viagem.

img_6785

E acredite se quiser, mesmo com toda essa quantidade de água, o lago permaneceu seco de 1998 a 2005. O barqueiro me mostrou a foto abaixo no celular dele.

img_7205

O Palácio Jag Niwas era a residência de verão do Marajá de Udaipur, tem vista para o Palácio da Cidade e as colinas de Aravali. Ainda pertence ao marajá, convertido em hotel administrado pela rede TAJ. Existe mais um palácio no lago, falarei sobre ele depois. O Taj Lake é um daqueles hotéis que você não tem vontade de sair. Infelizmente nos dois dias que fiquei lá não encontrei o “Seu Marajá”.

img_6598-1

A chegada no Hotel foi com chuva de pétalas de rosas, música, colar de flores e a marca com pigmento natural na testa: o terceiro olho, para dar prosperidade. Ritual que se repetiu nos três hotéis do Rajastão.

Os ambientes internos: salas, restaurantes, lounges, bares e os externos: pátios, jardins, piscina, terraços são lindos demais!

img_6677

img_6691

img_6603

img_7231
O check in foi feito neste sofá

img_6674

img_6641

img_7238

img_6616

img_6646

image_baaf8380-408e-4e5b-8381-8045a5b452f4.c8faa6ed-a761-41a4-a717-0d51dab87a9a

img_6694

piscina
Piscina – foto do site: http://www.grandluxuryhotels.com
img_6712
Piscina à noite

img_6708

O quarto era confortável e possuía uma decoração indiana bem típica, achei um charme, tinha uma saleta, mesa e sofá com uma vista linda do lago.

img_6620

img_6627
Vista da janela do quarto

O café da manhã é servido em uma sala linda, toda decorada com pinturas de cenas indianas. O buffet muito completo e variado, mas por medo, só comia pão com manteiga e tomava chá preto. Um dia, por gentileza do garçom, já que o café possui um chef para preparar vários pratos, comi um waffle (única vez que quebrei meu espartano café).

img_6774

img_6764

img_6771

A vista da sala do café da manhã é maravilhosa. Neste espaço também funciona o restaurante Jharokha, de cozinha indiana mais informal

img_6766

No primeiro dia, depois de fazer 5.872.974 fotos do hotel fomos jantar. O restaurante Neel Kamal é o mais formal do Hotel Taj Lake, de cozinha indiana. Ambiente lindo e um músico tocando cítara.

img_6749

Não pedi entrada. O “mimo” do Chef foi uma couve frita bem boa. Acompanhamento vegetais crus, não comi, porque é um perigo!

img_6745

O prato arroz frito com vegetais, só na pimenta, que dá aquela fritada na boca.

img_6746

img_6737
Lounge do Restaurante Neel Kamal

No outro dia fomos conhecer a cidade. Primeira parada: City Palace considerado o maior palácio do Rajastão com mais de 2 hectares. Fica a menos de 5 minutos a pé do pier do Hotel Taj Lake.

img_7221
Fachada do City Palace vista pelo Lago Pichola

O Palácio da Cidade é um complexo formado por 4 edifícios e a sua construção começou com o Maharana Udai Singh II em 1559 e durou 400 anos. Hoje no complexo tem dois hotéis (almocei em um deles) e uma ala privada onde se encontra a residência do marajá de Udaipur e sua família. Na entrada a segurança é reforçada e quem está hospedado no Taj Lake recebe um cartão de “passe livre”, pode entrar e sair quando quiser, não precisa comprar o tíquete, porque o hotel também pertence ao marajá. Então fomos hóspedes de sua alteza! 🙂

Marajá é o título dos nobres da antiga civilização indiana. Seu feminino é marani. Deriva do sânscrito Maharaja e Maharani. Eram reis que governavam uma região da Índia, tinham imenso poder e fortuna. Quando os ingleses dominaram a Índia foram gradativamente perdendo o seu status. Hoje, oficialmente, não tem qualquer poder, o título é só honorário, mas culturalmente ainda exercem influência. Em acordo com o governo permaneceram com os seus palácios. Maharana era o “rei dos reis”, um título acima de maharaja que só alguns possuíam, na cidade de Udaipur tinha um deles.

img_6823

img_7181

img_6833

Depois do portão de entrada há um pátio interno muito bonito com fontes e portais. Em um dos corredores do pátio funcionam diversas lojas com produtos do artesanato local.

img_6837

img_6842

image_52ef30e5-31f3-43ba-bdab-0d1bbd7804ad.60f7b72d-7a2d-4aab-9342-d208360ec5fd

img_6850

img_6849
Portal do Pátio com lojas

Na foto acima turistas desavisados: Na Índia não se mostra as pernas. A “cara” do policial ali atrás era de total desaprovação. Não é proibido andar assim, mas acho que os modos e costumes locais devem ser respeitados. A barriga, por exemplo, pode mostrar à vontade, pois não é considerada uma parte “sensual” do corpo feminino.

Continuando nossa visita, a diferença de estilos arquitetônicos e condição (aspecto) das paredes do palácio é em razão da construção ter se estendido por 400 anos, tendo passado por 22 marajás. Feito em granito e mármore na realidade são no total 11 pequenos palácios.

img_6945

img_6892

image_ffc22deb-a226-4edb-899b-1f6ac9c58406.09de5ed2-471b-420f-99a0-3d72b2fd673d

img_6913

Os detalhes das paredes do Palácio chegam no ápice da sua beleza no Pátio dos Pavões

img_6949

img_6956

img_6937
Palácio de Espelhos

img_6931

img_6859

img_6953

A história da Índia tem passagens fascinantes, dignas de roteiro de filme, uma delas é de que em vez de cavalos, nas batalhas os inimigos de Udaipur  usavam elefantes. Na iminência de um ataque o marajá ordenou que usassem fantasias com trombas nos cavalos para enganar o adversário. Pelo tamanho eles iriam parecer bebês elefantes e os animais adultos não atacam filhotes! Ideia genial, pena que não durou muito, a farsa logo foi descoberta.

img_6867

Uma outra história incrível desse palácio diz respeito a Galeria de Cristal, hoje em exposição em um dos seus hotéis, o Fateh. O marajá Sajjan Singh em 1877 encomendou de artesãos ingleses vários móveis em cristal. Eram sofá, mesa, cadeira, cama, aparador tudo em cristal! Porém, o marajá faleceu antes da encomenda chegar. Quando chegaram as caixas da Inglaterra ninguém da família sabia do que se tratava e também não tiveram o interesse/curiosidade de ver. Essa caixas ficaram esquecidas por 110 anos! Somente nos anos 1980 que resolveram abrir as caixas e a surpresa foi incrível, pois se tratam de artigos belíssimos que viraram peças de museu.

A Galeria fica no piso superior, uma galeria de arcos e infelizmente não pode fotografar. No térreo um salão para eventos no Hotel Fateh.

img_6976

img_6983

img_6978

Pinturas dos Marajás de Udaipur

img_6973

img_6980

Uma amostra da galeria e a cabeceira da cama de cristal

Fateh_Prakash
Foto do site: http://www.tripsavvy.com
Crystal-artistry
Foto do site:: http://www.connectrajhastan.com

Abaixo a vista da parte superior do Palácio da Cidade

img_6923

No final da visita saímos por este portal que dá acesso ao centro da cidade, ruas de comércio muito movimentadas, com aquele trânsito louco, um medo enorme de ser atropelada e amando cada minuto.

img_7188

img_7200

img_7162

Muito próximo do palácio se encontra o Templo Jagdish, de 1651. Um templo hindu dedicado ao Senhor Vishnu – o deus da proteção. No interior não pode fotografar. Uma pena, isso se repetiu por toda a viagem, os templos são lindos por dentro.

 

img_7098
Escada de acesso ao Templo Jagdish

img_7161

O exterior do templo é muito interessante, todo em mármore travertino formado por milhares de esculturas.

img_7104

img_7152

img_7114

Para entrar no pátio do templo precisa tirar os sapatos

img_7140

img_7119

img_7110

Depois do templo fomos conhecer o Sahelion – Ki – Bari, o Jardim de Honra das Empregadas de Serviço. Construído no Século XVIII pelo Maharana Sangram Singh para as damas reais.

img_6998

img_7011

A rainha possuía 48 criadas pessoais (empregadas de serviço) e o Maharana resolveu criar um jardim para que as damas tivessem um local de descanso e lazer e principalmente se refrescarem no intenso calor do verão indiano.

img_7027

img_7049

img_7038

O Jardim é lindo, possui muitas fontes com esculturas em mármore, além de museu e piscina de flor de lótus.

img_7053

E aqui, mais uma vez, as fãs não me deram sossego! Saudade das indianas.

img_7017

img_6996

Outra atração que visitamos na cidade foi o Pratap Memorial, no topo da colina de Moti Margi (Pearl Hill). Todos os nossos passeios foram feitos sempre com o guia e motorista que nos deixava na porta das atrações ou o mais próximo possível delas. Esta colina fica um pouco mais distante do centro e no topo encontramos uma estátua e uma bela vista. Não considero este local imprescindível, até porque o acesso não é tão fácil.

img_7064

O memorial se trata de uma estátua de bronze do Maharana  Pratap e seu cavalo Chetak, um animal muito fiel e protetor de seu dono que ficou ao seu lado até a sua morte.

Tem uma bela vista para o Lago Fateh Sagar, nome em honra ao guerreiro Rajput.

O Lago Fateh também é artificial, com 4 km² e fica ao norte do lago Pichola. Em 1680 foi inundado e refeito em 1889 com uma barragem para a visita do Duque de Connaught, filho da rainha Vitória.

img_7074

Para terminar o tour, começamos a perceber uma prática dos guias que não nos agradou, que era levar para uma “exibição do artesanato local”. Aconteceu em Delhi (primeira cidade da viagem, que vou deixar para comentar depois do Rajastão) e agora em Udaipur. O guia nos leva a uma cooperativa de artesãos que demonstram a sua atividade e depois “se você quiser” pode comprar os seus produtos. As explicações são em inglês, demoradas, em um ambiente fechado, quente e em Delhi ainda tinha cheiro de mofo. Te oferecem chá ou suco (não bebi). É extremamente cansativa e desagradável essa prática de empurrar os turistas para compras sendo visível que recebem comissões. Os produtos à venda são bem caros.

Li que é uma prática comum na Índia, inclusive com guias freelancers. Até os motoristas de tuc tuc se você bobear eles não te levam  ao destino diretamente, dão um jeito de passar em uma cooperativa ou loja parceira, onde recebem a comissão por levar compradores. Se você insiste dizendo que não quer ir, como no nosso caso, nas outras cidades, os guias “amarram a cara”.

No caso de Udaipur nos levaram em uma cooperativa de pintores, onde depois tinha a loja de artigos de pintura em papel, pergaminho, ou seda.

img_6986
Artista indiano e a sua aula de pintura com pigmentos naturais
img_6989
Loja para vender as pinturas da cooperativa

Compramos duas pinturas em seda muito bonitas, não adiantou pechinchar (como todos indicam) o artista/vendedor não baixou o preço, que era bem salgado.

No final do tour fomos almoçar no restaurante do complexo do Palácio da Cidade. Convidamos o guia para nos acompanhar como sempre fizemos em outras viagens (Turquia e Rússia), mas na Índia, diferente dos outros países, nenhum guia aceitou. Falamos então que não era necessário nos acompanhar, que o tour havia terminado, que a gente iria passear um pouco mais sozinhos e depois voltar para o hotel.

Quem disse que o guia aceitou? Ficou esperando a gente terminar de almoçar para nos acompanhar depois.

Almoçamos no restaurante do Hotel Fateh, com mais uma comida horrível para a conta. Pelo menos a vista era linda.

img_7176
Vista da nossa mesa no restaurante Café Fateh para o Taj Lake Palace

Depois do almoço insisti com o guia que queria passear sozinha com o meu marido, que o complexo era muito perto do nosso hotel, fácil de voltar e depois de muita conversa ele aceitou e foi embora. Ufa! Outra coisa que me deu agonia na viagem, a gente nunca ficava sozinho. Não tinha oportunidade de ir no comércio local com calma, por nossa conta. Desta vez eu consegui e fomos passear sozinhos pelas ruas loucas de Udaipur.

img_7196

img_7097

A única loja que eu tinha anotado nas minhas pesquisas para conhecer era a Gothwall Art, na Rua Gangour Ghatt Marg, número 20. O casal de artistas proprietário é muito gentil e simpático, eles produzem todos os desenhos e também atendem na loja. O trabalho deles é lindo e comprei gravuras pintadas pelos dois. No final, claro, foto desse casal super querido!

img_7088

img_7202

Como fiquei sem rúpias precisava trocar euros, então pedi para o proprietário de uma  loja de objetos (onde comprei estatuetas de Ganesha, encomenda da minha mãe, sim, eu tenho uma mãe que faz encomendas quando eu viajo) para me informar onde tinha uma casa de câmbio. Ele me informou? Não! Ele me levou lá! Só que estava fechada.

Daí ele disse que conhecia uma pessoa para trocar e nos levou. Era uma loja escondida dentro de um pátio, um ambiente escuro, com cheiro de mofo, nos fechou lá dentro com o proprietário e saiu. O dono depois também saiu para buscar o dinheiro. Ficamos sozinhos uns 15 minutos, morri de medo. Mas, deu tudo certo, trocou o dinheiro, um câmbio bem favorável. Quando saímos o dono da loja de estatuetas ainda estava lá fora nos esperando! Só que desta vez, como eu tinha comprado na loja dele, ele não me pediu gorjeta, disse que queria me levar na casa dele, para me “mostrar” para a família! Eu disse que não dava, estava atrasada e ele insistindo, então saímos correndo o marido e eu. Que gente doida credo!

img_7090
Loja onde comprei estatuetas de Ganesha

Ganesha é o deus hindu da fortuna e prosperidade. Tem cabeça de elefante.

img_7197
Templos por todos os lados

Outro detalhe: comprei muito pouco na Índia. Os artigos bons são caros, bem caros mesmo. Os baratos, na sua maioria, tem muita porcaria, mal feitos, roupas com bordados exagerados, nada a ver. Conseguir extrair algum item legal, com preço idem é um verdadeiro exercício de paciência. Os comerciantes são muito insistentes, não deixam a gente ver os produtos com calma (e olha que sou bem ligeira para compras) ficam empurrando tudo que tem na loja, nada tem preço, eles dão o preço que querem, daí tem que ficar negociando, achei uma chatice, um cansaço. Na Turquia já foi assim, mas na Índia é muito pior.

Depois dessa aventura, que foi um Krishna nos acuda, voltamos para o hotel sãos e salvos.

Estava no programa da agência fazer um passeio de barco pelo Lago Pichola, mas como o nosso hotel também faz esse passeio com os hóspedes resolvi agendar com o barquinho do hotel, achei mais charmoso do que o barco maior. Reservei para o final de tarde para ver o Sunset.

img_7274

img_7273

img_7252

O passeio pelo Lago Pichola é lindo, as paisagens são incríveis, a arquitetura dos prédios nas suas margens e outras construções dentro do lago o tornam fascinante, é um passeio imperdível na cidade.

img_7266

E em uma parte do lago as mulheres estavam lavando roupas e se banhando, mas o barco não passou muito perto, então as fotos não ficaram tão boas.

img_7270

E chegamos na Ilha Jagmandir onde tem o outro palácio do lago. Aqui o barco faz uma parada e descemos para visitar.

 

img_7290

O Palácio Jagmandir foi construído entre 1551 a 1652, iniciado pelo Maharana Amar Singh para ser o resort de verão da família real de Udaipur. A entrada é ladeada por elefantes de pedra. No local hoje funciona um pequeno museu e um hotel com bar e restaurante.

img_7323

img_7321

img_7313

img_7318

img_7331

img_7326

img_7310

O caminho de volta com o por do sol foi mágico, inesquecível. O sol estava um bola enorme de fogo, lindo demais!

img_7253

img_7256

img_7334

img_7350

img_7352

Resolvemos jantar novamente no hotel, no Restaurante Bhairo de cozinha européia, localizado no rooftop.

img_7371

O restaurante é a céu aberto e foi uma das experiências mais marcantes da viagem. Sua vista é realmente de sonho.

img_7380

img_7372

img_7374
A nossa mesa

img_7388

img_7381
A vista das mesas – marido é o segundo da esquerda para direita

img_7385

img_7390

Udaipur foi a cidade mais bonita que eu conheci na Índia. Seus lagos e palácios compõem um cenário fascinante. Andar pelas suas ruas é vivenciar o caos típico das metrópoles indianas com arte, cultura, história, arquitetura e fé que fazem da Índia um destino realmente singular.

img_6719

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Índia – Impressões gerais

Estava ansiosa para começar a escrever sobre a viagem à Índia que fiz entre o final de outubro e início de novembro de 2019 para comemorar o meu aniversário de 50 anos.

img_8667
Museu Albert Hall – Jaipur

A viagem durou 9 dias inteiros. Comecei por New Delhi (1 dia) fui de avião para Udaipur (2 dias) e depois todos os outros deslocamentos de carro: Jodhpur (2 dias), Jaipur (2 dias), Agra (1 dia) e novamente New Delhi (1 dia). Ranakpur e Pushkar foram visitas (paradas) no meio do trajeto entre as cidades. Foram 1.000 km por terra. Contratei a agência Pioneer Journeys (www.viajarparaindia.com) e fiquei muito satisfeita com o serviço. Tour privativo com motorista e guia (em espanhol), entregaram exatamente o que foi contratado. Seriedade e profissionalismo.

Eu adorei a Índia! Mesmo com vários pontos negativos (já vou falar sobre eles) foi uma viagem espetacular, me sentia como em um filme! Não vou recomendar a Índia para você caro leitor pelo fato de que é um destino muito pessoal, tem que ter perfil, estudar muito, se preparar psicologicamente e acho necessário o suporte de uma boa agência. Guardo na memória lembranças maravilhosas dessa viagem, não sei se um dia irei voltar, acho que está visto, mas quem sabe o que a vida nos reserva? Não digo “nunca mais” para a Índia.

img_9651
Taj Mahal – Agra

Fiz uma viagem turística, não fui a procura da Índia espiritual. Sou católica e uma religião que tem milhões de deuses, um com cabeça de macaco, outro com cabeça de elefante mais um com quatro cabeças e quatro braços, não me diz nada. Respeito como espero que respeitem a minha crença. Também não pratico ioga ou meditação. A “energia” que dizem haver lá eu sinceramente não senti. Mas, friso novamente, embora tenha conhecido cidades e templos sagrados, não fiz um roteiro espiritual.

img_7492
Templos Jain – Ranakpur

Achei a comida horrível, mesmo não sendo vegetariana gosto muito de legumes e vegetais, por não ter carne de boi, comi cordeiro e frango. Também gosto de comida apimentada, só que lá é pimenta pura.  Quando se pede sem o condimento não tem gosto. Então, por exemplo, arroz temperado com vegetais, um prato muito comum, para mim foi impossível, a boca chegava a formigar, comi mal, até emagreci. Adoro peixe e frutos do mar, minha principal opção em viagens só que os rios na Índia são poluídos e os produtos importados não são armazenados corretamente, o risco de contaminação é alto, não é seguro comer esses alimentos. Fiquei muito mal humorada neste quesito, poucos foram os locais em que a comida agradou.

Abaixo prato com arroz e vegetais e frango, se não fosse a quantidade absurda de pimenta estaria bom. A entrada neste restaurante foi o único prato que eu realmente gostei, um queijo grelhado com vegetais e pimenta claro.

img_8535
Restaurante Suvarna Mahal – Hotel Rambagh – Jaipur

Tive uma preocupação neurótica com a higiene. Tinha muito medo de ficar doente e não conseguir aproveitar os passeios. Medo de pegar uma bactéria, passar mal, morrer, enfim, a gente lê tanta barbaridade que fica apavorada, não tinha coragem de comer nada dos buffets, inclusive de café da manhã nos hotéis que eram bem fartos e variados. Meu café da manhã se resumia a chá preto com pão e manteiga. O marido tomou suco de laranja e comeu ovos fritos. Não tive coragem. Frutas nem pensar. É preciso ter em mente que a água na Índia é contaminada, então precisa ter muito cuidado.

Como estava sempre com fome comprava nos paradores da estrada pacotes de bolacha, batata chips, chocolate, coca cola e suco em caixa ou lata. Nunca comi tanta “porcaria” em viagem como na Índia.

img_6763
Buffet de Café da manhã – Hotel Taj Lake Palace Udaipur

Em relação a prevenção o que eu fiz: 1) Só escovei os dentes com água mineral 2) Só tomava água mineral, principalmente com gás, coca cola e vinho 3) Gelo nem pensar      4) Carne de boi, não tem e nem pensar 5) Peixe e frutos do mar, de jeito nenhum 6) Não consumi frutas, sucos e nem ovos 7) Nada de drinks  8) Passava álcool gel nas mãos 200 vezes por dia. 9) Levei uma mala de remédios: principalmente antibiótico e probiótico (tomava um por dia). Assim, não tive nenhum problema, nenhum piriri, NADA! Também, com todas essas restrições e precauções tinha graça acontecer alguma coisa não é mesmo?

A poluição estava a pior dos últimos 20 anos, em New Delhi e Agra a níveis absurdos. Difícil respirar, enxergar e apesar de não ser época de chuva e o dia ser ensolarado, não era possível ver um céu azul porque estava sempre branco ou cinza, o que também compromete a beleza das fotos, já que não há o contraste do céu azul que deixa tudo mais bonito. No primeiro dia em New Delhi o marido já se sentiu mal, não conseguia respirar. Eu só me senti mal no penúltimo dia, em Agra, não sei o que eu tive. Era um cansaço extremo, dores nas costas, dificuldade para respirar, olhos ardendo, tudo ocasionado pelo ar que os indianos chamam propriamente de “contaminação”, eles tem razão, o ar é muito contaminado.

img_9465.jpg
Chegada em Agra – Taj Mahal ao fundo – Não é neblina é poluição

A miséria e a sujeira são realmente absurdas, como eu comentei, fiz todo um trabalho psicológico para enfrentar. É muito triste sim, principalmente quando se vê crianças em situações tão adversas. Na Índia as crianças não são obrigadas a estudar, trabalham em serviços pesados e vivem pelas ruas mendigando. O marido ficou sensibilizado. Da minha parte procurei pensar que estava conhecendo uma cultura muito diferente. Não fui para julgar. Tem que tentar abstrair. Se absorve é uma indignação que nos faz mal e infelizmente não temos o que fazer.

Em uma das situações, com o carro parado em um semáforo, crianças se aproximaram  da janela para pedir dinheiro e eu dei, o guia me orientou a nunca mais fazer isso, que as crianças são usadas, o dinheiro não fica para elas, enfim, é muito difícil de lidar.

img_8057

Abaixo um mercado de compras (comida e roupas) em Jodhpur. Lixo por todos os lados

Os indianos me passaram a impressão de que são pessoas tranquilas, pacientes e felizes. Acho que eles pensam que a vida é assim mesmo e pronto, não tem o nosso inconformismo. Possuem uma fé e resignação impressionantes. O sistema de castas que não está mais em vigor, mas culturalmente ainda existe,  “ajuda” nessa percepção de que na vida você nasce, cresce e morre na mesma situação.  Ascensão social é praticamente inexistente.

img_0957.png
Casal que me pediu foto em New Delhi

Outra coisa é a adoração que eles tem pelos marajás. Embora tenham sido extintos os seus poderes ainda exercem muita influência nas suas cidades. E porque “dão hospital, escola ou comida” o povo os idolatra. O que para nós é esmola, eles acham generosidade, algo realmente muito importante na Índia.

img_9049

E por falar nos Marajás, o nome do roteiro da viagem era: os Palácios do Rajastão. Fiquei hospedada em Udaipur, Jodhpur e Jaipur em palácios que foram as residências dos marajás, administrados pela rede Taj Hotels. Inclusive em Jodhpur o marajá ainda vive lá com a sua família em uma parte do palácio. A beleza e riqueza das construções impressionam e contrastam com a realidade do seu povo.