Vale dos Reis – Luxor

No segundo dia do Cruzeiro pelo Nilo, no mês de março de 2021, com a agência http://www.memphistours.com o navio ainda estava ancorado no porto de Luxor para a visita ao Vale dos Reis, Templo da Rainha Hatshepsut e os Colossos de Memnon.

Alguns lugares despertavam muito o meu interesse nesta viagem ao Egito e o Vale dos Reis era um deles. Estava ansiosa para conhecer e realmente foi incrível!

O Vale dos Reis visto assim na chegada não tem nada de mais. É uma pedreira de calcário e outros tipos de rochas. Toda a sua riqueza e esplendor está embaixo da terra. E, para compreender melhor o lugar é importante esclarecer que no Egito Antigo a vida se desenvolvia às margens do Rio Nilo. Na cidade de Luxor, ao sul do país, se localizava a antiga capital Tebas. No lado oriental do rio (margem direita) era consagrada aos vivos onde visitamos os templos de Karnak e Luxor que você lê aqui Templo de Karnak – Luxor e aqui Templo de Luxor E no lado ocidental (na margem esquerda) era consagrada aos mortos.

Assim, nos dirigimos para a margem esquerda do Rio Nilo, para visitar o Vale dos Reis, um desfiladeiro com 63 tumbas construídas para abrigar os restos mortais dos faraós e nobres.

O Vale dos Reis funcionou como necrópole dos séculos XVI a XI a.c. Depois, foi um local de turismo na Antiguidade e há mais de dois séculos escavações são realizadas aqui. O primeiro registro de descoberta de uma tumba (Amenofis) na era moderna foi no ano de 1799 por membros da expedição Napoleônica. Na sequência várias tumbas foram encontradas, porém, não possuíam nada no seu interior, além das suas maravilhosas pinturas, pois já haviam sido produto de saques.

Somente no ano de 1922, quando todos já haviam desistido de encontrar algo a mais, dando o Vale dos Reis como esgotado, o arqueólogo Howard Carter, financiado por Lord Carnavon encontrou a entrada da Tumba do Faraó Tutankhamon.

E a surpresa foi impressionante!

A tumba do Faraó Tutankhamon estava intacta, com todos os seus tesouros originais. Foram encontrados 5.398 itens, inclusive o seu sarcófago e múmia. As peças encontradas estão em exibição no Museu do Cairo sendo o seu item mais valioso a máscara mortuária em ouro maciço. Além disso foram encontrados seu trono (também em ouro) sandálias, comida, bebida, roupa, tudo que fosse necessário para a sua vida após a morte.

A tumba é pequena possuindo do lado direito o sarcófago e do lado esquerdo a múmia do Faraó que se encontra em uma caixa de vidro com controle de temperatura. Tutankhamon foi faraó da XVIII Dinastia. Filho de Akenaton subiu ao trono com 9 anos de idade e governou o Egito de 1.332 a 1.323 a.c. Faleceu ao 18 anos de idade.

O faraó Tutankhamon media 1,67m de altura e possuía a arcada dentária superior projetada para a frente. Tinha uma deformação no pé esquerdo que o obrigava a andar com uma bengala (foram encontradas 130 na tumba). A causa provável da morte foi malária.

A emoção de conhecer esta tumba é realmente sensacional. Mesmo Tutankamon à sua época não ter tido muita importância, se tornou com a descoberta da sua tumba intacta o mais famoso faraó do Egito. Considero visitar a sua tumba de grande importância para os aficcionados por história (como eu). E, depois, ir tão longe para visitar o Vale dos Reis, não dá para perder de entrar neste tumba, não é mesmo? O seu ingresso é comprado à parte.

Continuando o tour pelo Vale dos Reis não foi fácil escolher apenas 3 tumbas para visitar. Por indicação do nosso guia Amro Salah Tawfek da http://www.memphistours.com conhecemos então: 1) Tumba de Ramsés IX – Oitavo Faraó da XX Dinastia. Governou o Egito de 1.127 a 1109 a. c. Os desenhos nas paredes são impressionantes, tão perfeitas as cores mesmo após 3.000 anos.

2) Tumba de Meremptah – Quarto Faraó da XIX Dinastia, governou o Egito de 1.213 a 1.203 a.c. Filho de Ramsés II (o maior de todos os faraós) e pai de Seti II. Foi o 13º filho de Ramsés II e subiu ao trono com 60 anos de idade após o falecimento de seus irmãos. Foi o construtor do templo de Ptah e a sua tumba é uma das maiores do Vale dos Reis.

3) Tumba de Ramsés III – Segundo Faraó da XX Dinastia e o último do Império Novo a exercer forte poder sobre o Egito. Governou por 31 anos, de 1.194 a 1.163 a.c. Foi morto por uma tentativa de golpe por sua mulher a Rainha Tiyi que almejava levar o seu filho ao trono quando o sucessor legítimo era o filho de sua primeira esposa Isis.

A Tumba de Ramsés II foi a que eu mais gostei. É linda demais!!! Com muitos corredores e salas com pinturas perfeitas. Uma festa para os olhos. Se você leitor tem dúvidas em qual escolher para visitar esta com certeza merece entrar na sua lista.

Para chegar ao Vale dos Reis saímos do navio e fomos de carro por um percurso de aproximadamente 30 minutos. Na entrada do Vale é possível pegar um trenzinho para chegar nas tumbas. A distância não é tão longa, mas sempre que tenho a oportunidade de poupar as minhas pernas eu faço. E depois durante o trajeto do trenzinho, que é bem aberto, dá perfeitamente para fotografar e filmar a pedreira.

Li em alguns sites que é proibido fotografar nas tumbas. Eu fotografei e filmei tudo com o meu celular sem problema. Só não vi turistas usando câmeras fotográficas.

O Vale dos Reis é um dos lugares mais importantes para se conhecer no Egito e assim como os outros templos às margens do Rio Nilo fica muito mais fácil a logística da visitação através de um Cruzeiro que eu recomendo fortemente, além de toda a beleza do trajeto.

Após o Vale dos Reis nos dirigimos de trenzinho para o Templo da Rainha Hatshepsut

HATSHEPSUT era filha do Faraó Tutmose I e casou com seu meio-irmão Tutmose II. Quando seu marido morreu, seu filho era muito pequeno (outros sites de pesquisa dizem que era enteado) então ela se tornou Faraó. Governou o Egito por 22 anos de 1.470 a 1.458 a.c.

A Rainha Hatshepsut foi a 2ª Faraó do Egito (a 1ª se chamava Sobekneferu). Foi muito mais poderosa que Cleópatra e Nefertiti. Era muito inteligente e seu governo foi famoso por restabelecer a paz no Egito e ainda fortalecer as relações econômicas.

Hatshepsut foi quem encontrou a cesta com o bebê Moisés às margens do Rio Nilo sendo considerada “a mãe adotiva de Moisés”. O templo é uma necrópole e foi construído entre 1.473 a 1.458 a.c. com uma arquitetura inovadora para a época se inspirando na Grega Clássica.

O templo foi descoberto em 1891 e Hatshepsut significa: “Primeira (ou principal) das mulheres nobres”.

A Faraó Hatshepsut construiu dezenas de edifícios em todo o vale do Rio Nilo e muitas estátuas com a sua imagem. Em algumas delas ela aparece de barba, o cone comprido colocado no queixo, símbolo da divindade, masculinidade e de poder à época.

Apenas no ano de 2007 a múmia de Hatshepsut foi encontrada. Estava na tumba n° 60 no Vale dos Reis. Ela morreu aos 50 anos de idade, era diabética e usava nas unhas esmaltes preto e vermelho. A provável causa da morte foi uma infecção na gengiva.

Após o templo passamos em uma cooperativa de Alabastro com uma explicação rápida e muito interessante sobre o trabalho milenar executado pelos artesãos locais nesta pedra.

Depois fomos na loja da cooperativa para adquirir uma peça. Difícil escolher entre tantas opções lindas. Por fim, comprei um vaso pequeno para colocar vela (luminária) já que a beleza da pedra Alabastro mostra todo o seu esplendor quando iluminada.

Detalhe: Há dois tipos de peças em Alabastro, à máquina e manual. Na foto acima exposição de peças feitas à máquina. A que comprei foi de confecção manual, pois a transparência é mais evidente à luz, como na foto abaixo.

Por fim, nos dirigimos a última parte do tour, os Colossos de Memnon

Os Colossos de Memnon são duas estátuas gigantes construídas há 3.4000 anos guardiães do antigo Templo do Faraó Amenófis III, com 385.000 metros e que foi corroído pelas cheias do Rio Nilo.

As estátuas foram feitas em blocos de pedra quartzito, medem 18 metros de altura e pesam 1.300 toneladas cada. Representam o Faraó Amenófis III sentado em seu trono e em cada uma das suas pernas está a sua mãe.

Por que Memnon? Na era cristã os gregos visitaram o templo e ao ver as estátuas lembraram de Memnon um grande herói grego morto por Aquiles. A partir de então as estátuas passaram a ser denominadas Colossos de Memnon.

Após o tour, voltamos para o navio, onde após o almoço a navegação começou, deixamos Luxor em direção a Edfu.

Toda a logística dos passeios ficaram sob a coordenação da Memphis Tours agência que escolhi para visitar o Egito. O Guia Amro Salah Tawfek que nos acompanhou é egiptólogo com dois mestrados em hieróglifos. Suas informações foram imprescindíveis para compreender mais e melhor essa cultura tão fascinante. Além de toda a tranquilidade e conforto de não se preocupar em como fazer para chegar nas atrações, deslocamentos, etc. Foi tudo perfeito.

Aguardem o Próximo Post: O magnífico Templo de Hórus em Edfu

E a navegação começa – Rio Nilo em Luxor – Vista da janela da cabine

Templo de Luxor

No primeiro dia do Cruzeiro pelo Rio Nilo o barco fica ancorado na cidade de Luxor, na margem leste (oriental), para visita aos templos. Após a visita ao Templo de Karnak que você lê aqui Templo de Karnak – Luxor fomos para o Templo de Luxor distante aproximadamente 3 Km.

O Templo de Luxor é dedicado ao Deus Egípcio Amon (Deus dos Ventos). Construído entre 1400 a.c. a 1000 a.c. pelos Faraós Amenhotep III e Ramsés II em arenito, sua fachada possui 260m de largura.

Na entrada havia dois obeliscos. Porém foram doados por Muhammad Ali, vice-rei do Egito para a França em 1830. Como o tamanho e o peso dificultaram o transporte, somente um foi levado, que está atualmente na Place de la Concorde em Paris. O obelisco mede 23 metros de altura. O segundo obelisco ficou aqui.

As estátuas e esculturas representam a figura de Ramsés II, o mais importante de todos os faraós do Egito, que reinou de 1279 a 1213 a.c.

Luxor – do árabe significa “Palácio com mil portas”. As colunas possuem 15m de altura e tem a forma de papiros abertos no topo.

A antiga Tebas – Luxor foi capital do Egito por mais de 1500 anos. Situada a 750 km ao sul da cidade do Cairo, é conhecida como o maior museu a céu aberto do mundo.

O templo de Luxor foi construído para coroações, celebrações e festividades. Ficou soterrado pelas areias do deserto por séculos sendo descoberto em 1881.

É o único monumento do mundo que continha documentos das épocas faraônica, greco-romana e islâmica. Havia uma mesquita e também afrescos coptas. Pela duração de seu funcionamento serviu então para outras épocas e religiões.

A margem direita do Rio Nilo (leste/oriental) era consagrada aos vivos, com seus templos para governar ou para celebração e adoração. Já a margem esquerda (oeste/ocidental) era dedicada aos mortos, onde se encontra o Vale dos Reis.

A explicação tem a ver com o sol. No leste ele nasce, vem a luz e a vida começa. A oeste ele se põe, vem a escuridão, a vida acaba.

Assim, como na Índia, no Egito também tive algumas fãs que pediam fotos rsrsrs. Desta vez, no Templo de Luxor a menina também pediu para rodar comigo! Ok, sem problema. Foi muito legal! Os egípcios são muito carinhosos e hospitaleiros.

Para chegar até os templos e fazer o passeio é melhor ter o suporte de uma agência. Fomos pela Memphis Tours http://www.memphistours.com que cuidou de toda a logística dos deslocamentos. Tivemos um carro com motorista sempre a disposição, que nos deixava e pegava na porta dos templos ou o mais próximo possível. O acompanhamento de um guia, no nosso caso o egiptólogo Amro, com dois mestrados em hieróglifos, que falava um português perfeito, fez toda a diferença para o conhecimento do local.

Apaixonada por história, foi incrível conhecer este templo, fiquei feliz demais por estar aqui (Março/2021).

Templo de Karnak – Luxor

Em março deste ano (2021) fomos para o Egito – o primeiro post você lê aqui Egito – O Início e a partir de agora nos posts não vou seguir a sequência exata da viagem, porque gostaria de começar pela parte do roteiro que eu mais amei: os templos às margens do Rio Nilo, que visitamos durante o cruzeiro de 4 dias.

O nosso tour começou por Luxor em direção a Aswan. É possível fazer o contrário.

Luxor – Egito

Luxor – cidade que se situa a 670 Km ao sul do Cairo, era a antiga Tebas, capital do Egito no período de 1.550 a 1.069 a.c. Conhecida como o maior museu ao ar livre do mundo, hoje possui 1.300 milhões de habitantes.

Dividida ao meio pelo Rio Nilo, na margem oriental (a cidade dos vivos) ficam os Templos de Karnak e Luxor. Na margem ocidental (a cidade dos mortos) a necrópole do Vale dos Reis e Vale das Rainhas.

O Templo de Karnak foi a nossa primeira visita

O Templo de Karnak era o centro administrativo, religioso e palácio dos Faraós em Tebas. Começou a ser construído em 2.200 a.c e funcionou até 360 a.c. Estima-se que no seu apogeu, durante a XVIII dinastia que durou de 1550 a.c a 1295 a.c. trabalhavam aqui 80.000 pessoas. Os faraós mais famosos deste período foram: Aménofis, Tutemosis, Hatshepsut, Aquenaton e Tutancamon,

O templo de Karnak era dedicado ao Deus Amon-Rá (vento-sol) e o animal que o simboliza é o carneiro. Foi o maior templo já construído, possuía uma área de 1,5 km x 0,8 km.

Karnak era dividido em 3 complexos: recintos de Amon-Rá, de Mut e de Montu.

Embora não esteja completo é possível ficar admirado com a Sala Hipóstila no templo de Amon-Rá. Trata-se de um salão (o maior do mundo com 5.000 m²) sustentado por 134 colunas.

A Sala Hipóstila foi construída no século XIII a.c. pelos Faraó Seti e seu filho Faraó Ramsés II. As 134 colunas tem diferentes tamanhos, sendo que as maiores possuem 21 metros de altura e diâmetro de até 3 metros.

As colunas são gravadas com inscrições em hieróglifos e ainda existe a tinta original no teto.

Eu tenho 1,65m de altura e a minha cabeça não ultrapassa o primeiro alinhamento da coluna! É impressionante a grandiosidade deste templo e imaginar o quanto deveria ser imponente todo decorado.

No templo de Amon se encontra o maior obelisco do Egito. Com 27 metros de altura e 320 toneladas foi construído pela Rainha Faraó Hatshepsut. A sua inscrição diz: “Vós que vireis este monumento nos anos vindouros e falarem disto que fez.” O mais impressionante dos obeliscos é que eles eram construídos em um único bloco de pedra, geralmente granito, proveniente das pedreiras de Aswan há muitos quilômetros do local do destino. O transporte destes imensos monumentos naquela época é algo extraordinário.

Como em todo templo egípcio há esculturas representando os Faraós. Esta posição com os braços cruzados em cima do peito é bastante comum no Império Egípcio. Significa que o ponto de interseção dos braços sobre o peito marca o lugar do coração (Fonte: lumenagencia.com.br). Geralmente estão segurando a Cruz Ansata (Ankh) ou Chave da Vida, um símbolo da vida eterna que representa proteção, conhecimento, fertilidade e iluminação. A chave que conecta o mundo dos vivos com o mundo dos mortos. (Fonte: dicionariodesimbolos.com.br).

O Templo de Karnak funcionou por 1.500 anos e tem vestígios de vários impérios, porém o mais forte e importante neste local foi o Império Novo (Hatshepsut/Ramsés II), sendo as estruturas mais conservadas.

O templo possui uma escultura de besouro: o Escaravelho de Amor que segundo a lenda se você der 7 voltas em torno da estátua nunca mais terá problemas de relacionamento. Eu até tentei, mas depois da segunda volta já estava cansada e desisti rsrsrs.

Há também neste local um lago considerado sagrado pelos Faraós pois acreditavam que era onde os deuses faziam a sua purificação.

Por fim, a profusão de estátuas de Amon- Rá simbolizado pelo Carneiro.

Karnak foi o primeiro de uma série de templos magníficos que conhecemos no Egito através do Tour Cruzeiro pelo Nilo com a agência http://www.memphistours.com tendo início em Luxor. O acompanhamento de um guia é fundamental para este tipo de passeio, não só pela facilidade de deslocamento até os sítios arqueológicos, mas, principalmente, pelas valiosas informações deste período fascinante da história.

Egito – O Início

Finalmente aconteceu uma viagem internacional!!! Estava muito ansiosa, minha alma de viajante já não aguentava mais. E o país escolhido foi o Egito. Por dois motivos: primeiro porque é um dos poucos países que está aberto para os brasileiros sem exigências absurdas (apenas o teste do Covid). Segundo, porque fazia parte da minha lista de desejos há muito tempo, estava aguardando a abertura do novo Museu Egípcio, que parece será ainda este ano, só que não quis esperar mais.

Confesso que viajar em época de pandemia não é fácil. Existem muitos temores: adiamento ou cancelamento de vôos, pegar o Covid (ainda não fui infectada), fechamento de fronteiras. Tem também a parte burocrática que aumentou, exigência de teste negativo na ida e na volta, preenchimento de formulários de saúde. Enfim, para quem ama viajar tudo se enfrenta e acredito que sempre vale a pena. Desta vez, então, foi como um prêmio por tanta espera, porque a viagem foi MARAVILHOSA, PERFEITA, UM SONHO!!!

O Egito é um país incrível, voltei encantada e com uma vontade enorme de retornar (só penso nisso rsrsrs). É seguro tanto na parte de criminalidade quanto da pandemia. Em relação propriamente ao vírus os índices são baixos, consegui ter uma sensação de segurança e normalidade que há muito tempo não tinha. Os locais visitados, que mostrarei nos próximos posts, são deslumbrantes, de arrepiar mesmo. Para uma apaixonada por história, não conseguia acreditar que estava ali em templos e monumentos que estudei no colégio, nos livros. Poder ver pessoalmente a grandiosidade do Antigo Império Egípcio é um grande um privilégio.

Kioske de Trajano – Templo de Philae – Aswan

Quanto a agência acho imprescindível contratar uma porque a logística dos passeios é muito complicada para fazer sozinho. Sempre precisa ter o acompanhamento de um guia, então é mais fácil já chegar lá com um suporte profissional que trata do visto (feito no aeroporto na hora da chegada) do check in dos voos e dos hotéis. Já ter todos os ingressos dos monumentos, passeios, enfim, é uma tranquilidade. Como disse tenho muita vontade de voltar e mesmo já conhecendo um pouco do Egito nem penso em ir sozinha, o apoio de uma agência é fundamental.

Abu Simbel – na fronteira com o Sudão

Para isso pesquisei pela internet e resolvi contratar a Memphis Tours (Trans Travel) http://www.memphistours.com que tem uma reputação excelente (merecida) no TripAdvisor e posso recomendar sem sombra de dúvida. Desde o primeiro contato com a querida Shaimaa Hassan, por email e whatsapp, que fala e escreve um português perfeito senti uma empatia imediata. Em um mês fechamos o roteiro. Com suas dicas preciosas montamos o que chamamos do meu “Egito dos Sonhos” e foi! O serviço prestado pela Memphis foi de excelência, só tenho a agradecer a todos os envolvidos, guias Ahmed e Amro, motorista Mustafá. Os receptivos de Aswan, Luxor e Sharm el Sheik e principalmente ao seu Diretor Executivo Mahmoud Hussein que faz o receptivo do Cairo e mantém contato por todo o tour monitorando a viagem, um profissional espetacular. No final, não me despedi apenas de profissionais sérios e competentes, deixei amigos e foi muito difícil a partida. Os egípcios são muito carinhosos e hospitaleiros e amam os brasileiros.

Detalhe: todos os guias e receptivos falam português.

Já mencionei em outros posts, mas é sempre bom repetir: a gente sai de casa, do nosso país, para um outro país diferente, com outra cultura e costumes, precisa se preparar bem, ter um suporte para dar tudo certo. Viagem é investimento. Sou detalhista e hoje revisando todo o meu tour posso afirmar: não teve defeito, nenhum problema, nada. Foi tudo tão bom que faria exatamente igual. Às vezes, depois que a gente conhece um país acha algo que poderia ter feito melhor ou diferente. Não aconteceu! A Memphis foi perfeita em tudo! Valeu a pena! A expertise da Memphis que cuidou de todos os detalhes foi fundamental para que a viagem fosse assim tão incrível. Um sonho realizado!

Templo de Karnak – Luxor

O tour foi de 12 dias nesta sequência: 3 dias no Cairo, 4 dias de Cruzeiro Nilo, 3 dias no Cairo, 2 dias em Sharm el Sheikh.

O vôo chegou no Cairo às 2:30h da manhã, pela Turkish Airlines, então precisei de 3 diárias no hotel para conseguir entrar direto no quarto, o que na prática reduz para 2 dias inteiros na cidade. Isso é uma coisa que sempre devemos ter em mente. Os deslocamentos “roubam” dias da nossa viagem, então precisamos aumentar o número de dias para conseguir aproveitar bem as cidades ou atrações.

Quanto aos hotéis resolvi personalizar o meu tour e escolhi os da Rede Four Seasons que eu amo e no Egito são fantásticos com ótimas tarifas.

Na chegada ao Cairo, as primeiras 3 diárias, fiquei no Four Seasons First Residence, que é muito bonito e super bem localizado.

Ahhh as flores da Rede Four Seasons

Este hotel fica no distrito de Giza, as margens do Rio Nilo e alguns quartos tem vista para o Rio Nilo ou as pirâmides. O quarto era muito confortável, tamanho e limpeza excelentes.

Uma coisa que eu achei muito legal neste hotel é que ele possui um complexo de restaurantes e bares chamado NILE BOAT. É separado dos prédios principais, fica na parte de trás, atravessando a rua, no Rio Nilo mesmo e tem como opções a XODÓ uma churrascaria brasileira, o NAIRU comida asiática e indiana, o RIVA pizzaria e bar e o ZOE que foi o meu escolhido para a primeira noite. Culinária grega, na parte de cima, com linda vista. Foi ótimo!

Depois de passar 2 dias no Cairo fomos para Luxor de avião pela companhia Egyptair para o Cruzeiro no Rio Nilo de 4 dias. Os cruzeiros começam por Luxor e descem até Aswan ou começam em Aswan e sobem até Luxor, depende do dia da semana que você chega para o tour.

Estava um pouco apreensiva com esta parte do roteiro porque já havia feito um cruzeiro pela Grécia e achei horrível. Só que para conhecer com mais facilidade os templos no sul do Egito o cruzeiro é a maneira mais indicada. E…foi maravilhoso, amei.

O nosso barco era o MS Salacia. Pelas pesquisas vi que não era um barco de luxo, para esse perfil tem outras opções, como Oberoi por exemplo. O que eu gostei neste barco é que originalmente era para 159 pessoas e foi “transformado” para 59. Na prática o que fizeram foi que em cada duas cabines, tiraram a parede de divisão e se tornou uma. Então a nossa cabine tinha a parte do quarto com cama, penteadeira, janela, armário, banheiro e ar condicionado e a parte da sala com sofá, poltrona, mesa de centro, rack, televisão, janela, ar condicionado e outro banheiro. Achei bastante confortável, as janelas são grandes, mesmo sendo lacradas, não dá sensação de claustrofobia, mas a sua decoração é antiga e os banheiros são bem pequenos.

Em razão da pandemia o turismo não está com a sua atividade em 100% então eu calculo que havia uns 30 passageiros.

O staff do barco era sensacional, principalmente o do restaurante. Simpatia e amabilidade, nos sentimos muito bem acolhidos. A gente se sentia em casa, em família. A comida era deliciosa em todas as refeições. E à noite sempre tinha um evento, como jantar temático no deck e show de dança Núbia por exemplo.

O barco possui um deck com bar, lounge, academia, piscina. Várias espreguiçadeiras, mesas e cadeiras garantem que você tenha sempre um lugar para apreciar a vista durante a navegação que é linda demais! Ele navega bem suavemente, diferente do cruzeiro no mar, a gente não sente nada. Não existe possibilidade de enjoo. As margens estão sempre perto o que dá uma sensação agradável também. Conseguimos ver algumas casas, animais das pessoas que moram às margens do Nilo e as crianças abanam para nós.

A sensação de paz e tranquilidade ao navegar pelo Cruzeiro do Rio Nilo é indescritível. E o por do sol o mais lindo do mundo! Sorry Santorini, você perdeu esse posto!

Durante todo o cruzeiro fomos acompanhados pelo guia Amro Salah Tawfek da http://www.memphistours.com, egiptólogo com dois mestrados em hieróglifos, uma honra e privilégio ter um profissional de tão alto nível nos conduzindo nos passeios diurnos. Fim de tarde e à noite ficávamos juntos no deck conversando. Sintonia total com o marido. Outro amigo que fizemos no Egito que foi difícil a despedida.

Quando o cruzeiro terminou a gente não queria ir embora (quanta diferença do mar). Foram quatro dias que a gente não sentiu passar! Se tem algo que eu quero muito repetir pelo menos uma vez mais na vida é o cruzeiro no Rio Nilo. O marido ficou encantado só fala nisso, temos que voltar! Foi maravilhoso, considero imperdível.

Vista da janela da nossa cabine
Almoçar no restaurante do barco com esta vista

Farei posteriormente um post com todos os detalhes da navegação pelo Nilo.

Rio Nilo – Aswan

Após o cruzeiro, fomos conhecer os templos de Abu Simbel, no extremo sul do Egito, na fronteira com o Sudão, e retornamos para o Cairo à noite em um voo da Egyptair partindo de Aswan, para mais 3 diárias (dois dias inteiros) agora no outro Hotel Four Seasons da rede na cidade o NILE PLAZA.

Este hotel é sensacional, achei o melhor da viagem, a sua tarifa é mais cara que o First, mas vale a pena, é lindo e completo demais! Fiquei apaixonada, se voltar ao Egito me hospedarei nele novamente.

Four Seasons Nile Plaza

O Four Seasons Nile Plaza tem um lobby lindo com piano bar e La Gallerie, um espaço com patisserie francesa, chás Dammann e refeições leves. Inclusive aqui é possível tomar o café da manhã. Todo o hotel é decorado com quadros de arte egípcia moderna. Amei!

La Galerie – Patisserie Francesa
La Galerie – Chás Dammann
Marido que já virou Tea Lover

As opções gastronômicas do Hotel Four Seasons at Nile Plaza são excelentes. Fomos no Bullona o restaurante italiano. Lindo demais, comida deliciosa e atendimento muito gentil.

Outra opção é o restaurante chinês 8. O ambiente é lindo demais! Confesso que não sou muito fã da culinária asiática, mas o prato que escolhemos (camarão com legumes) estava muito bom!

Na parte da piscina tem o restaurante Pool Grill onde almoçamos e o Upper Deck Lounge ótimo lugar para drinks.

Restaurante Pool Grill – Hotel Four Seasons at Nile Plaza
Upper Deck Lounge – Hotel Four Seasons at Nile Plaza
Vista do Upper Deck Lounge

Para drinks outra opção é The Bar, ambiente Art Deco com pianista e linda vista do Rio Nilo.

Mais uma opção para refeições é o restaurante Zitouni de culinária egípcia. Fomos para o café da manhã que era servido só na modalidade à la Carte.

Breakfast with the view – Zitouni Restaurant – Hotel Four Seasons at Nile Plaza

Para completar o Hotel Four Seasons at Nile Plaza tem um shopping – Beymen Mall que é fantástico! Várias grifes internacionais, só que o que mais me chamou a atenção foi a curadoria de brands egípcias de alta qualidade com ótimos preços. Roupas, joias (bijouxs), artigos para cama, mesa, banho e objetos de decoração de surtar!

Café Beymen no Shopping

A estada no FS Nile Plaza foi perfeita em todos os sentidos, saudade desse hotel tão especial, com arte por todos os lados.

Depois desta segunda parada no Cairo (que incluiu o Museu Egípcio e um bate e volta a Alexandria) a última parte da nossa viagem foi em Sharm El Sheikh, balneário na Península do Monte Sinai, banhado pelo Mar Vermelho.

Antes de conversar com a agência Memphis Tours eu não conhecia esse balneário, nunca tinha ouvido falar. Foi Shaimaa Hassan que me falou que era imperdível e resolvi aceitar. Ela tinha toda razão, que lugar lindo, incrível. Foi maravilhoso terminar a viagem em um lugar de praia, com tempo para descanso e contemplação da natureza.

Também reservei o Hotel Four Seasons que tem um resort a beira mar lindo demais!

Lobby – Hotel Four Seasons Sharm El Sheikh

A arquitetura me lembrou o Marrocos, árabe/mourisca. Os jardins eram todos em bouganvílias brancas e rosas com palmeiras. Os quartos são como vilas, parecia uma “casinha”. Sensação de conforto, paz e bem estar.

Varanda do quarto – Hotel Four Seasons Sharm El Sheikh
Varanda do quarto – FS Sharm El Sheikh
Vista do quarto – FS Sharm El Sheikh

A praia é privativa do resort com toda a infraestrutura de espreguiçadeiras, toalhas e atendimento de bar para lanches e bebidas. Junto a praia tem um kiosk com inúmeras opções de esportes náuticos.

O melhor deste hotel é que não precisa ir longe para mergulhar. O mar vermelho, na Península do Monte Sinai é um dos melhores lugares do mundo para mergulho. Seus corais tem uma variedade e quantidade imensa. No final do deck já é possível encontrá-los.

A minha intenção neste hotel era relaxar e descansar e como não sou adepta de esportes aquáticos não tive interesse. Também há passeios de quadriciclo no deserto ou para conhecer o Monastério de Santa Catarina (distância de 200 km) local onde Moisés recebeu as Tábuas com os 10 Mandamentos.

Fiz dois passeios enquanto estive no resort, assim como suas opções gastronômicas e noites de pura magia, vou comentar no post sobre Sharm El Sheikh.

A área da piscina é fantástica, com água climatizada e vários lounges que garantem a privacidade.

Caminhar pelo resort é uma delícia, mas para quem não quer descer e subir do hotel para a praia e piscina tem um funicular que é puro charme.

O Hotel Four Seasons Sharm El Sheikh conta com um SPA completo, com váris terapias e tratamentos relaxantes e estéticos. No último dia, para enfrentar a maratona de vôos e aeroportos da volta até a nossa cidade, eu e o marido fizemos uma massagem divina, voltamos refeitos, bom demais! Até porque não é fácil ir embora do paraíso.

Hotel Four Seasons Sharm el Sheikh – um paraíso

O Egito me surpreendeu de várias maneiras e todas muito positivas. Antes de viajar achava que seria bom demais conhecer seus monumentos, mas não esperava muito além disso. Que impressão maravilhosa eu tive desse país incrível. Como eu poderia imaginar que ficaria tão apaixonada?

Só que o mais importante eu ouvi do marido, que me disse: “Foi a melhor viagem da minha vida!” Amei!

Com o Egito chegamos a marca de 24 países, não é muito nesse mundão de Deus que temos para conhecer. Existem lembranças fantásticas de tantos lugares que já passamos, mas alguns tocam mais a alma da gente e o Egito foi assim. Fiquei emocionada muitas vezes, com os lugares e principalmente com as pessoas que lá conheci. Eu voltei, mas o meu coração e o meu espírito ficaram lá!

A melhor viagem é sempre a última e o Egito não fugiu a regra. Foi puro encantamento. Tomara que seja um até breve!

Jantares Temáticos – África

Até dois anos atrás o continente africano nunca esteve na minha lista de desejos. Então, em março de 2019, conheci o Marrocos e amei. Tenho loucura para conhecer o Egito (estou esperando abrir o novo Museu do Cairo), mas aquela viagem clássica para fazer um safári não me inspirava.

Só que comecei a ver tantas influencers que sigo viajando para lá, fazendo passeios incríveis que me contagiou. Elas influenciam mesmo! Quem sabe um dia eu consigo montar um roteiro para a África do Sul, Tanzânia, Quênia e ver de perto, no seu habitat, os big five.

Por isso resolvi montar um jantar especial para o Dia dos Namorados e sonhar com este roteiro, com o tema: Uma noite na Savana. Para a “chamada” dos convidados virtuais contei com a participação especial da filha mais nova, Peggy que arrasou como Simba, o Rei Leão, mais a trilha sonora do filme de animação.

Quando pensei na montagem da mesa não encontrei nenhum prato do meu “acervo” que servisse para o tema. Em pesquisa na internet vi uns pratos com desenhos de Zebra que amei. Comprei nos sites Mykhome e Letícia Abreu Casa, esta última onde também comprei as taças de vidro de zebra.

São três pratos: raso, sobremesa e fundo da marca Maison Blanche. Cada um tem um desenho diferente. O sousplat ganhei do marido há muito tempo da loja Roka Ideias e Objetos.

Queria um conjunto de talheres com cabo de bambu faz tempo, mas não me agradava do acabamento, até que para esse jantar (que teve 1 mês de planejamento) encontrei no site da Letícia Abreu Casa (com loja física na cidade de Criciúma/SC). Vi um faqueiro com dourado e bambu que achei tão lindo que resolvi comprar, chegou na minha casa em 3 dias. As fotos do site não decepcionaram, ele é ainda mais bonito e perfeito ao vivo.

Para a toalha de mesa comprei o tecido na loja Kotzias do Shopping Beiramar. É um cetim muito leve e com textura e brilho maravilhosos. Quando fui pedir para a minha mãe fazer a bainha ela me disse que depois do jantar queria o tecido para fazer uma roupa! Como era o final da peça comprei os 3 metros e fiquei com pena de cortar, então usei assim até o chão, ficou diferente, nunca tinha usado assim.

Retirei as cadeiras das pontas para visualizar bem a toalha e arrematei com esse bicho da Loja Klim Decorações do Shopping Beiramar, que parece uma mistura de garça com pelicano, peça que possuo há quase 20 anos.

O tecido em estampa de onça era muito escorregadio, daria muito trabalho para a minha mãe fazer a bainha, então desisti e optei por cortar com um estilete. Trabalho da mana Renata que também fez os guardanapos (um pequeno pedaço que cortamos do tecido para fazer apenas dois). Comprei uma renda preta para o acabamento e sinceramente não gostei do efeito, ficou parecendo uma camisola hehehe. Porta guardanapos de zebra da Maison Blanche, no site Mykhome.

A maioria dos objetos que utilizei na mesa foram comprados em viagens. Embora só tenha ido ao Marrocos, possuo peças de muitos países da África, adquiridos principalmente na feira africana do bairro Harlem, em New York, já que o marido e eu gostamos muito de objetos de decoração étnicos.

O macaco sentado em alpaca veio de São Francisco na Califórnia, é uma peça asiática que eu achei que combinava com o tema, mais alguns cachimbos de ópio em madeira espalhados pela mesa.

Os objetos egípcios nas fotos acima e abaixo, acredite se quiser, compramos em Las Vegas, no Cassino Luxor, que tem um pequeno museu egípcio e loja de produtos importados do Egito. Não preciso dizer que foi o cassino que mais amei, mesmo porque quando fui em 1996, os top cassinos de hoje ainda não existiam.

Amo Escaravelho – Cassino Luxor Las Vegas

Em alguns jantares gosto de informar algo a mais sobre o local. Pode ser filme, música, livro, tudo o que me inspirou para aquele tema. Um dos objetos que usei na decoração da mesa é uma escultura de uma mulher negra que adquirimos em São Francisco, na Califórnia.

Esta escultura se trata da representação da Vênus Hotentote, uma sul africana que foi para Londres em 1808 para servir como atração de circo, em razão do vasto tamanho de suas ancas (quadril), extremamente exótico na Europa daquela época. A história é verídica e muito triste. Seu nome era Saartjie Baartman, ela pertencia ao povo Khoisan, cuja etnia é conhecida como Hotentote. Para quem se interessa foi feito um filme baseado na sua história chamado Venus Noire.

A peça de alpaca a esquerda da foto da loja Artshop Center (que não existe mais) representando as “mulheres girafas” da tribo Ndebele da África do Sul que usam argolas para esticar o pescoço. Mais dois blackamoor, peças produzidas na Itália, principalmente em Veneza que representam negros/ mouros/muçulmanos.

Para arranjo floral usei somente a orquídea oncidium, que como o nome já diz, suas pétalas imitam as cores da onça. Também é conhecida como orquídea chuva de ouro.

No menu, para a entrada, o marido preparou uma sopa de frutos do mar. A receita é de bouillabassie, um caldo com peixe, marisco, ostra e camarão que no jantar virou “African Fish Soup”. Ficou bem grosso o caldo, quase não aparece e o Chef marido também colocou ovos, ficou um espetáculo!

O Prato Principal pedi no restaurante dos meus queridos amigos Rico e Jó, o Bistrô da Praça, que é a nossa segunda casa, frequentamos há 15 anos. No cardápio se chama Congro à Martinica. Um peixe com molho de manga que vem acompanhado de arroz selvagem e banana. Apesar da Martinica ser uma ilha de possessão francesa no Caribe a maioria da sua população é africana e portanto sua culinária tem forte influência desse continente, assim, achei que o prato combinava com o tema do jantar e estava uma delícia!

E a sobremesa sorvete de maracujá com cocada mole também do Bistro da Praça.

O vinho branco para acompanhar a refeição foi sul africano, claro!

O look que usei no jantar foi um vestido da Mixed, coleção de 2018 (acho), inspirada na África e o colar comprei em Marrakech na Loja 33 Rue Majorelle.

Para arrematar, um café para o marido (eu não bebo) da edição da Nespresso com grãos cultivados na África (Etiópia, Uganda e Zimbabwe), seleção especial Origens.

N decoração da mesa procurei usar todos os objetos que eu tinha que se relacionassem com o tema. Fiquei impressionada como possuo peças sem nunca ter visitado estes países africanos. Esculturas de ébano da feira africana do Harlem NYC, porta jóias de máscara vermelha africana, cabeça de carneiro, porta vela de bode em bronze, cabeça de Órix (antílope) pratada, cachimbo de ébano, pente de madeira africano e objeto de chifres entrelaçados comprado em Paris.

Neste jantar resolvi também decorar a sala de estar. Usei uma manta de leopardo para cobrir um sofá, almofadas com rostos de africanas que estava na casa da minha mãe (o tecido é Donatelli). Cabeça de moura e vaso com arranjos florais da Oficina da Terra Loja, no Beiramar Shopping, com folhas verdes grande e orquídeas cymbidium amarela. Máscaras africanas da feira do Harlem NYC. Manta de zebra em outro sofá, cabeça de boi pintada de branco (arte do marido), mais alguns objetos espalhados pela casa que tinham a ver com o tema: prato com desenho de hipopótamo, fruteira de bananas, bustos de negras em gesso e em papel machê.

Anita Nala e Peggy Simba – O Rei Leão

Foi um jantar para o Dia dos Namorados bem diferente de tudo que já havia feito. Alguns anos saímos para jantar, outros passamos em casa com o marido cozinhando e eu caprichando na mesa. Mas, desta vez, o planejamento e montagem foram bem pensados e demorados, amei! Esta mesa foi uma das minhas preferidas. Gostei tanto que no outro dia fiquei com pena de desmontar. A toalha, os arranjos e enfeites ficaram mais alguns dias.

E, também pela primeira vez, fizemos uma foto com o timer da câmera do celular, para registrar esta noite que para mim foi muito especial, já que adoro celebrar o Dia dos Namorados! Look do marido bata africana do Harlem, NYC.

Jantar Africano – Dia dos Namorados – Uma Noite na Savana – 12 de junho de 2020

Jantares Temáticos – Grécia

Viagem que fizemos em 2018 a Grécia é um dos lugares mais lindos do mundo. A saudade é imensa e o marido vive me perguntando quando a gente vai voltar. Pronto, resolvido! Nesta edição do Jantar Temático “visitamos” a nossa ilha preferida com o tema: Sunset em Santorini.

Inspiração
Anita a filha mais velha “adorando” participar

Essa foi a mesa mais difícil de montar porque eu não tinha muitos elementos. Não fiz quase compras na Grécia, visitei várias ilhas e precisava ficar e me manter “leve” no decorrer da viagem que ainda tinha Istambul no final. Então partindo das cores da bandeira azul e branco, com muito olho grego e flores o resultado foi esse.

Toalha de mesa em renda que comprei na lua de mel (1997) em New York (não lembro o nome da loja, foi na 5ª Avenida, bem para baixo – direção sul de Manhatan). Guardanapos da marca Couleur Nature de Paris e porta guardanapos de miçanga verde imitando coral da loja Roka Ideias e Objetos. Faqueiro em prata WMF (nada a ver com a Grécia). Taça azul de cristal Bohemia e copo bico de jaca azul emprestado do restaurante Bistro da Praça. Vasinhos pequenos azuis e brancos com flores tudo da Oficina da Terra, floricultura do Shopping Beiramar. Uma chaleira azul da Indonésia (Artshop Center loja que não existe mais)

Pratos Linha Mediterrâneo Azul, da Tânia Bulhões, ganhei de presente do marido em um aniversário. Jogo americano redondo azul marinho da Maison Trois no Shopping Beiramar.

E a minha paixão, dois pratos nas laterais como decoração: um com estampa de cavalo marinho o outro com concha nautilus, verdadeiras jóias, comprados na ilha de Rhodes.

Os potes verdes vazados grandes usados como lamparinas tenho há muito tempo, são da Primavera Garden na Rodovia SC 401 e os pequenos com bolinhas verdes e azuis que parecem de gude, compramos em Los Angeles, em um balneário que se chama Santa Mônica em 1996!!!

Os peixes grandes azuis, estilo Bordallo Pinheiro também são da Primavera Garden, servem como jarras, vasos ou só decoração.

Os outros arranjos de flores em vasos baixos (tipo potiche) nos tons azul e branco foram feitos com hortênsias azuis e flores desidratadas pela Juliana Hames. Na foto abaixo é possível visualizar melhor o arranjo.

Como comentei, não compramos muita coisa na Grécia, mas sempre dá para trazer uma lembrança. As peças acima foram garimpadas pelo marido nas ilhas de Rhodes, Patmos, Santorini e também em Atenas.

Todos os colares, saquinhos e olho grego foram comprados nesta viagem.

O arranjo floral do centro da mesa foi o meu querido amigo Rafa Beduschi da Mercado Astral que fez. Uma caixa redonda azul marinho com flores em tons de azul e roxo e um olho grego com um tassel lindo pendurado, amei!

O menu teve três participações. De antepasto a maravilhosa Terrine da Gi de queijo feta (típico grego) com castanhas e mel trufado, que é a coisa mais maravilhosa da vida (seu insta é @terrinesdagi). Servi com grissini em prato azul e branco espanhol. A toalhinha redonda com motivo de olivas negras é da ilha de Rhodes.

A entrada fria eu que fiz! Preparei uma salada grega, também muito típica, que todo restaurante serve. Fiquei viciada lá, comia quase todos os dias. Vai diversos tipos de folhas (alface, rúcula), queijo feta, azeitonas, cebola, pimentão, pepino, ameixa, morango. Cada lugar servia de uma maneira, com todos os ingredientes ou só com alguns. Servi em um prato que comprei em Istambul, regada com muito azeite grego claro.

A entrada quente e o prato principal encomendei do restaurante Ilhas Gregas, pelo Ifood. A comida vem congelada para aquecer na hora. Fiquei com um pouco de receio mas resolvi arriscar. E foi simplesmente sensacional! Amei, virei fã.

A entrada: TIROPITAKIA são mini folhados recheados com ricota e espinafre. Servi em um prato comprado em Atenas. Crocantes, sequinhos, com um recheio delicioso.

Prato principal MOUSSAKÁ, lasanha de carne bovina, com camadas de fatias de berinjela e rodelas de batatas, coberta com molho bechamel e parmesão. Leve e deliciosa. Recomendo muito esses pratos, vale a pena ter sempre em casa.

Para sobremesa comprei iogurte grego e montei em uma taça, na parte de baixo coloquei uma camada de geleia de mirtilo da marca francesa St. Dalfourque eu amo, e por cima, mais geleia e granola para decorar. Ficou muito bom. Não precisei adoçar porque o azedinho do iogurte com o doce da geleia combinou bem.

Para acompanhar os pratos vinho grego lógico! Como não consegui em Florianópolis comprei pela internet no site da Mistral Importadora de Vinhos. Um branco e um tinto. Só conhecia o branco e já gostava e achei o tinto muito bom também. Não entendo nada de vinhos, então não é uma indicação, só uma opinião mesmo.

Eu sempre uso o vinho neste porta garrafas de prata. O de cima só tirei para fazer a foto. Acho muito prático quando se trata de vinho gelado para não molhar a toalha ou mesa. E no vinho tinto que caso escorra, impede de manchar a toalha. Este da foto eu comprei no site da Theodora Home. Amo as peças de prata dela, tem uma seleção fantástica.

Yamas – Saúde em grego – Se pronuncia Yeeamas

Também coloquei umas flores e peças na mesa de centro e uns colares e olho grego no lustre da sala.

A playlist toda grega claro. No vídeo da mesa, a tradicional música “Zorba o Grego”, que eu acrescentei depois e só consta na postagem do Instagram.

Neste jantar resolvi “convidar” alguém. Então o nosso querido amigo Matheus “esteve” com a gente e “participou” um pouco da noite

O meu look comprei é Atenas, saia e top da marca Nejma

No final dancei muito e balancei o guardanapo porque quebrar pratos não é comigo!

Jantar SUNSET EM SANTORINI realizado em 23 de maio de 2020

JANTARES TEMÁTICOS – INDIANO

O último post do blog foi em março. Não acredito que fiquei tanto tempo sem escrever. Nos últimos meses, bem difíceis com tudo o que está acontecendo por causa da pandemia do Covid 19, não tive ânimo para postar sobre o assunto tema deste blog e que eu tanto amo – VIAGENS.

Tinha uma viagem marcada para a Riviera Francesa e Suíça em junho que foi cancelada e está complicado achar uma data para remarcar a passagem, já que as fronteiras da maior parte do mundo continuam fechadas para nós brasileiros. Este fato me entristeceu muito.

Para enfrentar a quarentena e tentar me animar resolvi então viajar pelas minhas mesas.

Sári comprado em Délhi

Uma outra paixão que tenho é tableware. Adoro receber amigos, caprichar na montagem das mesas, amo tudo que se relaciona a este universo: louças, copos, talheres, toalhas, guardanapos e flores. Com a primeira ideia (jantar português), vieram em avalanche vários outros países na cabeça. Anotei tudo em um caderno e praticamente todo fim de semana, aos sábados, montei um jantar inspirado em um país para lembrar (onde já estive) ou para sonhar (pretendo ir).

Assim, surgiu a série JANTARES TEMÁTICOS que a cada novo episódio foi se aperfeiçoando e virou sucesso de público (hehehe), com a “companhia” dos amigos virtuais do Instagram, já que em virtude do isolamento social os jantares eram só para o marido e eu. Algumas pessoas perguntavam: Nossa, mas tudo isso só para vc e o seu marido? Sim!!!!! Cada um inventa a sua maneira de enfrentar a quarentena, a minha foi essa. Cada vez mais elaborados, cada vez mais “trabalhosos” a preparação me ocupava durante todo o fim de semana.

O fato dos restaurantes estarem fechados para o público por um período também foi preponderante, já que assim podia divulgar o serviço de delivery.

Não vou seguir a sequencia cronológica dos jantares, só queria deixar registrado aqui o quanto viajar e conhecer o mundo me inspira, até quando não é possível fazê-lo.

Como o último post do blog foi sobre a Índia resolvi começar com o jantar que homenageou este país incrível que eu amei conhecer. Experiência que ficará para sempre na memória.

Compartilho com o marido o interesse pela decoração. Gostamos de garimpar objetos pelo mundo e nestes quase 25 anos juntos adquirimos algumas peças que fazem parte da nossa história. Outras já eram dele, porque ele desde solteiro sempre gostou do assunto. Então todas as peças usadas nos jantares são nossas, a maioria adquiridas há muito tempo.

Este boneco indiano da foto acima, infelizmente não possui a marca do artista que o produziu, compramos na nossa cidade Florianópolis, em uma loja de produtos asiáticos que não existe mais a Artshop Center que ficava na praia de Jurere Internacional, de uma grande amiga, que hoje mora em Miami.

A vaca, animal sagrado para os indianos, os dois objetos de bronze na foto acima compramos em Paris. O leque com penas de pavão (fake) é de Jaipur.

Escolhi montar a mesa em tons de dourado e vermelho porque essa combinação é bem comum na Índia dos Marajás. O jogo americano e guardanapos são da Jacquard Français comprados em Paris. A louça é a coleção Ouro da Tânia Bulhões e as taças da Strauss, sendo a vermelha da coleção Overlay. Os arranjos de flores são da loja Oficina da Terra do Shopping Beiramar.

Como porta guardanapos resolvi usar pulseiras que comprei em Udaipur. A seda pintada a mão que ainda não enquadrei são de Udaipur da Vintage Arts & Crafts – Kohinoor Designers. A Ganesha em primeiro plano é da loja Oficina da Terra. No placement o “nome indiano” do marido.

Os castiçais são de prata, inglês, do século XIX, presente de casamento de um saudoso amigo do meu marido que foi nosso padrinho.

Mais uns objetos que achei que podiam compor a mesa como romã na cor laranja comprada em Istambul, prato tipo cinzeiro com estampa de elefante, um cavalinho de madeira de Paris, porta velas com estampa de elefante do Mercado Astral loja de flores de Florianópolis, porta incenso indiano da Artshop Center, porta velas de vidro vermelho. Jarra de prata presente de casamento. Porta vela com tampa, frisos dourados e tassel, um preto e um branco da Camicado. O centro de mesa em prata da Loja Roka Ideias e Objetos. Molheira em prata.

Bebemos ótimos vinhos tintos na Índia, só que não encontrei para comprar em nenhuma loja ou site, então foi vinho tinto italiano mesmo e sempre uso um porta vinho de prata da Theodora Home.

Os talheres são de prata WMF, aproximadamente ano 1910, aquisição de solteiro do marido em um antiquário e possui as iniciais H.S. do antigo proprietário. As lâminas são de aço, pois naquela época não existia o aço inoxidável, que foi descoberto logo depois. Assim que são usados preciso lavar porque o ácido dos alimentos as corroem com facilidade. E no bowl resolvi fazer uma brincadeira para lembrar que na Índia a comida era pimenta pura!

Na foto acima, em primeiro plano um cachimbo de Ópio. Na Índia fiz foto com um homem e seu cachimbo no forte de Jaipur. Um elefante de osso que o marido comprou em um parador na estrada para Ranakpur e caixinha de um anel que ganhei do Hotel Umaid Bhawam Palace de Jodhpur. O mini elefante é da Rússia.

Abaixo em outra composição para mostrar um outro cachimbo com cabeça de elefante e corpo em alpaca também com mais de 30 anos. Ganesha preta de Udaipur, cidade que consegui fazer compras com um pouco mais de facilidade na Índia, atividade lá que considerei irritante.

Para o menu achei melhor contratar um profissional. Falei com o amigo e Chef Narbal Correa, pescador e proprietário dos restaurantes O Rei do Mar Bistro, Rancho do Bom Pescador e Do Mar Fish and Grill. Durante uma semana conversamos por telefone para combinar sobre os pratos.

Só não podia imaginar o tão perfeito e completo que seria o cardápio.

A entrada THALI – fatias de pão Naan com cinco pastas: chutney de manga (a melhor da vida), ervilhas, lentilha negra em gravy de tomate, creme de iogurte e vinagrete de camarão

O Chef Narbal recomendou que a entrada era para comer com a mão direita.

Prato principal FRANGO MASALA – Arroz com legumes, frango em molho de tomate decorado com lâminas de côco, castanhas de caju e coentro.

Não resisti e coloquei um pouco do chutney de manga para acompanhar porque estava muito bom!

Sobremesa: ARROZ NEGRO DO ORIENTE, um arroz doce com creme simplesmente incrível!

O jantar foi uma verdadeira experiência de sabor e aromas. Tempero picante na medida certa. Quem dera eu tivesse comido bem assim na Índia! Viagem que no quesito gastronômico foi um pesadelo!

Para finalizar, montei em um garden seat de alpaca a mesa de chá. Coloquei um sousplat como bandeja. O bule de prata inglês Harry Winston 1872, compramos em um antiquário no Camden Market em Londres e as xícaras na feira de antiguidades do Masp em São Paulo.

O meu look é um Sári que comprei em Délhi e passei o maior trabalho para vestir sozinha. Se trata de um pano de 6 metros de comprimento que é enrolado na cintura e uma parte joga por cima do ombro fazendo um drapeado. Tinham muitos tipos de sári para comprar, a maioria em tecido fino, acredito que mais fáceis de usar. Mas, na minha predileção pelo complicado, escolhi esse de tecido bem armado. Brincos e pulseiras de Jodhpur, na loja do Forte Mehrangarh.

O elefante de madeira no chão também da Artshop Center e o pano no sofá se trata do turbante que o marido ganhou no Hotel Umaid Bhawan Palace de Jodhpur, que desmontou e para nós é impossível fazer igual de novo!

Queria muito postar o vídeo da mesa, mas não sei o que está acontecendo com o meu celular que não está compatível para publicar. Quando descobrir faço a edição aqui 😉

O marido não quis se vestir de indiano, uma pena porque um amigo emprestou uma roupa linda, então para fechar essa noite muito especial, com trilha sonora toda indiana claro, posto a foto que eu mais amei. Com as minhas pequenas que fazem a minha quarentena feliz.

Bindi – marca na testa (fiz com blush) simboliza a força feminina e usado como proteção. Namastê!

Jantar NAMASTÊ realizado em 30 de maio de 2020.

Taj Mahal – Agra – Índia

O mundo está vivendo uma época triste e absurda com a pandemia de Covid-19  – Coronavírus. Viagens canceladas, adiadas, prejuízos financeiros imensos, mas que não podem ser comparados ao pior deles: a perda de vidas.

E embora possa parecer um momento inapropriado falar em viagens eu penso diferente. Tenho a esperança de que um dia isso tudo vai passar e possamos retomar as nossas vidas com normalidade. Até porque para mim viajar não se resume a quinze ou trinta dias fora de casa. É todo um envolvimento em sonho, pesquisa e planejamento no antes, a curtição no durante e as memórias maravilhosas que ficam no depois.

Também porque me solidarizo com todos os profissionais que trabalham com turismo e para a sua recuperação desses tempos difíceis, nós precisamos voltar a viajar, o tão mais breve seja possível.

Assim, vou continuar publicando as minhas viagens, porque principalmente em época de confinamento, relembrar bons momentos é o remédio da alma.

Parto agora para o último post da série da viagem para a Índia, em novembro de 2019, os outros registros você lê aqui Índia – Impressões gerais Udaipur – Rajastão – Índia Jodhpur – Rajastão – Índia

E aqui New Delhi – Índia Jaipur – Rajastão – Índia Ranakpur e Pushkar – Índia

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O emblemático símbolo do amor TAJ MAHAL, uma das 7 maravilhas do mundo moderno e Patrimônio da Humanidade pela Unesco, está localizado na cidade de Agra, a 215 Km da capital New Delhi. Cidade de 1.700 milhão de habitantes, fundada no século XI, às margens do rio Yamuna, foi a sede do Império Mongol.

Ficar na cidade de Agra foi muito difícil. A poluição estava absurda, a pior dos últimos 20 anos. A miséria e a sujeira também, a mais “agressiva” de toda a viagem. Foi o único dia que passei mal na viagem. Dores no corpo todo, ardência nos olhos e garganta, até uma dor horrível na costas na região dos rins, enfim, tomei um remédio e nem saímos para jantar, dormi super cedo. No outro dia já estava boa.

O Hotel não era bom, claro que fica difícil comparar com os palácios do Rajastão. O ITC Mughal tem áreas comuns bem bonitas, mas o quarto era feio, com ar pesado, cheiro de mofo, banheiro minúsculo, nada a ver com a classificação 5 estrelas que possui. Ainda bem que foi só por uma diária. Não recomendo esse hotel, foi o único previsto no tour que eu não gostei, deveria ter trocado pelo Oberoi.

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A cidade de Agra gira em torno do Taj Mahal, mas o Forte Vermelho é uma atração impressionante e também merece a visita.

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O Forte de Agra, conhecido como Forte Vermelho foi construído a partir do ano de 1080 em arenito vermelho e mármore branco, às margens do Rio Yamuna. O Imperador Mongol Humayun foi coroado aqui em 1530. Em Delhi conheci a sua tumba.

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Porta Amar Singh

Passando o portão de acesso – Porta Amar Singh visualizamos o primeiro pátio e o Jahangir Mahal – palácio construído para ser o harém principal onde viviam as concubinas do Imperador. Jahangir filho de Akbar o Grande e pai de Shah Jahan (do Taj Mahal) possuía 300 mulheres e 5.000 concubinas. Que disposição!

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Vou dizer que pelas fotos não gostei do meu look, parecia uma cigana. A saia tem um tom de rosa lindo que não apareceu, mas, paciência, vamos em frente.

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Os detalhes de incrustações das paredes com pedras semi preciosas como no Taj Mahal

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Palácio do Rei: Khas Mahal, um salão de mármore com pilares hindus onde o Imperador se reunia com a corte e do seu trono assistia o seu passatempo favorito: briga de elefantes (que horror). Aliás, o Imperador Jahangir (1569-1627) possuía 12.000 elefantes, 2.000 camelos, 100 leões, 4.000 cães, 3.000 veados, 500 búfalos e 10.000 pombos.

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Foi neste forte que o construtor do Taj Mahal, o Imperador Shah Jahan foi aprisionado pelo seu filho na Torre Musamann Burj. Conto essa história mais abaixo.

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Torre Musamann Burj

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Sala do Trono

Enquanto estávamos tentando ver a vista do Taj Mahal (impossível com a poluição) um macaco tentou roubar o celular de um turista. Ele chegou a pegar o celular, mas o aparelho não passou pela grade. Levamos um susto, eu estava bem do lado, foi muito rápido!

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O ladrão e seu comparsa

No caminho de volta temos uma visão panorâmica do complexo de palácios e mesquitas do Forte de Agra. O Salão Diwan-i-Am ou o Hall de Audiências Públicas era o local onde o Imperador ouvia os pedidos e recebia as petições de seus súditos

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Salão Diwan-i-Am

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Saindo do Forte fomos de carro até o jardim, do outro lado do rio Yamuna, para ter a primeira visão do Taj Mahal. Pelo caminho passamos no centro de Agra. Pensem em uma cidade feia e sem graça, é essa.

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Ainda bem que sempre tem um amigo pelo caminho. Observem a cor da foto, parece em meio a fumaça.

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Chamar esse local de jardim só pode ser piada e de mau gosto. Se trata de um terreno com terra, poeira e mato. Uma mureta impede o acesso ao rio Yamuna e aqui dizem, se tem uma “visão privilegiada” do Taj Mahal, em um dia de céu azul acredito. A minha foi essa.

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Estou de óculos escuros para proteger um pouco os meus olhos, já que a poluição, que parecia mais uma fumaça ardia os olhos. No aplicativo de previsão do tempo dizia que o dia estava ensolarado. Até pode ser. Mas a poluição não permitia ver. Parecia uma neblina muito densa. O guia explicou que se você sai de casa com uma roupa clara ela fica escura até o final do dia. É  impressionante como as pessoas conseguem viver assim, em uma condição tão adversa. A cara de animação do marido é contagiante.

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Abaixo consegui um ângulo um pouco melhor, de um pedaço do terreno que tem algumas plantas, por isso chamam de jardim. É muito mal cuidado.

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No outro dia acordamos bem cedo para a visita oficial ao Taj Mahal. O dia amanheceu assim, mas logo a poluição tomou conta novamente. Abaixo a chegada na bilheteria.

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E no caminho do complexo para chegar no Taj Mahal

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No fundo do arco da entrada, o Portão de acesso Darwasa já dá para ver um pedacinho dele. Dá para acreditar que em menos de 10 minutos o céu que estava assim…

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Virou assim? E eis que ELE surge diante de mim, impossível não ficar martelando na minha cabeça a música de Jorge Ben Jor…”Foi a mais linda história de amor, que me contaram e agora eu vou contar. Do amor do príncipe Shah Jehan pela princesa Munthaz Mahal (bis)…te te te te teterete te teterete te tereteteteeeeeee Taj Mahaaaalllllll”

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A vontade era de chorar, rir, pular e gritar: Genteeeeeeeeee eu estou no Taj Mahal!!!!   Abaixo o portão de entrada – Darwasa – visto pelo lado de dentro

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A quantidade de turista é grande, olhando da entrada assusta, mas dá para fazer umas fotos mais exclusivas com paciência e pelas laterais. Agora, vamos a história.

Shah Jahan foi um Imperador Mongol, seu nome vem do persa que significa Rei do Mundo. Ele nasceu no Paquistão (1592-1666) e mandou construir o Taj Mahal, que iniciou em 1632, em honra a sua esposa Aryumnd Ban Began que havia falecido no ano anterior no parto do 14° filho. Era a sua esposa favorita e conhecida por Mumtaz Mahal (a joia do palácio). O Imperador queria um monumento grandioso para que o mundo lembrasse para sempre da sua rainha.

Apesar de Mahal significar palácio, nunca foi a função deste local. Trata-se de um mausoléu porque aqui repousam os restos mortais de Muntaz Mahal que foram trasladados quando a obra ficou pronta (em alguns sites de pesquisa não consta essa informação).

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A emoção de estar lá foi imensa, mesmo com a decepção inicial do céu encoberto pela poluição, ter a oportunidade de conhecer é realmente única, um privilégio.

A arquitetura do Taj Mahal é islâmica, típica muçulmana. A sua cúpula branca tem 44 metros e foi “costurada” com fios de ouro. No seu entorno tem quatro cúpulas menores. O Taj é todo simétrico. Os seus quatros lados, as suas quatro fachadas são exatamente iguais. Levou 20 anos para ser construído, trabalharam 20.000 homens e custou 50 milhões de rúpias. Recebe 20 milhões de turistas por ano.

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Tinha a imagem na cabeça do banco onde a Princesa Diana em visita a Índia sentou em um banco sozinha. E aqui estou eu! Tenho várias fotos com o marido também. Contratamos um fotógrafo profissional que ofereceu seus serviços na entrada do Taj Mahal. A vantagem é que ele conhecia os melhores ângulos e como indiano pedia para as pessoas se afastarem em alguns cliques, como a maioria dos turistas é da Índia ficava tudo bem, pois não é fácil conseguir uma vaga nos bancos.

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O fotógrafo também fornece no CD fotos profissionais do Taj Malhal para se ter uma ideia da sua magnitude.

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Foto: J.R.S. Colour Lab

Quando vai se aproximando do Taj Mahal percebemos que ele não é todo branco, já que possui muitas incrustações de várias pedras semi preciosas. Os desenhos em preto, inscrições em painéis caligráficos, são versos do Corão.

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O Taj Mahal foi construído em mármore branco extraído da jazida de Makrana, decorado com jade e cristais da China, turquesas do Tibet, safiras do Sri Lanka, ágatas do Yemen, ametistas da Pérsia (Irã), lápis-lazulis do Afeganistão, corais da Arábia saudita, quartzo do Himalaia, âmbar do Oceano Índico, 500 quilos de ouro e centenas de diamantes.

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Todo esse trabalho de flores são das pedras semi preciosas que relacionei acima, que também estão no seu interior (não pode fotografar) e brilham com a luz de lanterna. A delicadeza dos desenhos da sua decoração é impressionante.

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Brasileira tem que tocar não é mesmo? Não é proibido!

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E também aqui os fãs não deram trégua, muitos pedidos para fotos 😉 Saudade!

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O interior do Taj Mahal é bem pequeno (não pode fotografar), uma sala octagonal com altura de 25 metros adornada por 8 arcos. A cúpula no seu interior é bem menor para servir de base e sustentação para a cúpula externa. Tem dois túmulos, porém foi projetado todo em simetria para ter apenas o túmulo de Muntaz Mahal no centro.

No extremo da plataforma tem 4 minaretes com 40 metros de altura cada um que foram construídos ligeiramente inclinados para fora, no caso de abalo sísmico não caírem em cima do Taj Mahal.

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O Imperador Shah Jahan também planejou construir um mausoléu para si, do outro lado do rio (existe só a fundação até hoje), todo em ônix preto com uma ponte de prata que fizesse a ligação entre os dois palácios. Conseguem imaginar se isso tivesse sido construído?

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Porém, um filho do Imperador, Aurangzeb, achando um absurdo os gastos da construção do Taj branco, mais o projeto mirabolante do Taj preto, matou seus irmãos mais velhos, prendeu o pai que estava doente na torre do Forte de Agra e assumiu o trono em 1658. Shah Jahan ficou encarcerado por 8 anos e através do reflexo de uma moeda na sua torre da prisão conseguia visualizar o Taj Mahal, seu sonho realizado. Ele faleceu em 1666, quase 18 anos após o término da obra. O filho mandou construir um túmulo para Shah Jahan dentro do Taj Mahal, ao lado do túmulo da esposa, só que maior, tirando assim a simetria interna do palácio na qual foi projetado.

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O entorno do Taj Mahal é lindo com jardins bem cuidados. O espelho d’água estava com depósito de areia de tanta poluição.

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O Taj Mahal tem duas mesquitas, uma de cada lado, construídas em arenito vermelho. De frente para o Taj, a da esquerda vale a pena entrar para fazer a famosa foto com o contorno, emoldurando o palácio.

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Visitamos o Taj Mahal pela manhã cedo de uma quinta-feira. Como já estava aberto não pegamos fila para entrar. A bilheteria estava bem tranquila. Sexta feira não abre. O tempo não estava bom, encoberto com bastante poluição. A visita é rápida, em menos de 30 minutos dá para conhecer, só que eu não tinha vontade de ir embora, queria ficar olhando para ele, de todos os lados, ângulos, absorvendo toda a sua beleza e gravando na memória cada detalhe. Também porque no fundo queria acreditar que estava ali de verdade, que não era um sonho.

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Conhecer a Índia foi romper um ciclo na minha vida, pausar um roteiro que eu sempre seguia: certo, seguro e pré-determinado, mas também sem sobressaltos, sem adrenalina. Foi o querer me aventurar, desvendar o desconhecido, ver e fazer coisas que eu não estava acostumada, o choque cultural elevado a máxima potência.

Tive medo, preocupação, quis desistir. Só que depois refleti e cheguei a conclusão que eu deveria enxergar como um privilégio ter a oportunidade de conhecer um país tão distante, que poucos se aventuraram. Através de uma viagem quis deixar uma marca profunda e inesquecível em mim e consegui. A Índia não é para todos, uns dizem que é um “chamado”. Para mim foi um impulso, passar meu aniversário de 50 anos em um lugar diferente, que com coragem ou loucura levei até o fim. E foi inesquecível! Penso que determinados destinos e a Índia é um deles, a gente não deve pensar muito, deve ir, se jogar mesmo, porque acredite o retorno é mágico. 

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Final de viagem e felizes

Paris, Roma, Lisboa, Madri são cidades que eu amo e estarão sempre nos meus roteiros. Passei momentos maravilhosos em todas elas, mas são o “nosso mundo”. Marrakech, Istambul e a Índia foram os meus destinos “exóticos” até agora e foram tão diferentes, incríveis, realmente “um outro mundo”, uma outra forma de pensar, de viver e que, a par de conhecer atrações lindas, tem o poder de nos transformar, sem a gente querer e no início sem a gente perceber. Acho que foi esse o motivo preponderante de eu ter amado a Índia. Voltar com algo a mais, algo diferente, um olhar em formato panorama, que enxerga muito além do que o universo da nossa vida cotidiana permite e que acabamos nos acostumando.

Hoje, mais do que nunca, percebo que um destino novo, inexplorado e pelos nossos olhos ainda não visto nos traz experiências ainda mais fantásticas, para sempre na memória. Nunca tive passagens tão incríveis, tantas histórias para contar, como nas viagens de Istambul, Marrakech e agora da Índia. A cabeça vem cheia, um turbilhão de emoções e eu adorei essa sensação.

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Namastê  “o divino que habita em mim saúda o divino que habita em você”

Agora que o mundo se abriu pra mim fiquei viciada. São muitos os lugares que eu quero conhecer, muitas aventuras que quero vivenciar. Israel, Egito e China (torcendo para o Coronavírus passar logo) estão na minha cabeça há algum tempo. Claro que ainda tenho muito o que explorar na Europa, principalmente a sua parte oriental como Polônia, Romênia e Ucrânia. Destinos de praia como Croácia e ainda algumas ilhas gregas como Milos, Naxos e Zakynthos, enfim, a lista de desejos é imensa. Espero conseguir, então mundo me aguarde que aí vou eu!

 

New Delhi – Índia

Capital da Índia, situada no norte de país é a 2ª cidade mais populosa do mundo com 29 milhões de habitantes, atrás apenas de Tóquio (com 37 milhões).

Delhi foi capital do Império Mongol desde 1638. Em 1803 a capital passou a ser Calcutá e somente em 1947 com a independência do domínio britânico é que voltou a ser capital. Depois foi dividida em Old Delhi (antiga sede do império mongol) e New Delhi a nova cidade construída ao sul declarada capital e sede administrativa.

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Humayun’s Tomb

Chegamos na Índia pela Alitália, via Roma, de madrugada. Tivemos apenas um dia na cidade na chegada e um na partida, e apesar de ver quase tudo o que eu queria achei pouco, uma pena, porque amei, fiquei com aquela sensação de quero mais. Era o lugar que eu tinha “mais medo” na Índia porque muitas pessoas falam mal, reclamam do caos, enfim, um misto de curiosidade e pânico tomava conta de mim.

De fato New Delhi, onde fiquei hospedada e passei a maior parte do tempo, é um lugar impactante. Mexe com todos os seus sentidos. Um choque cultural muito grande. Tem áreas organizadas, limpas e bonitas (que eu não imaginava) e outras de lixo e miséria extrema. Poluição terrível, parecia uma neblina densa, uma fumaça constante, difícil de enxergar e respirar. O aplicativo de previsão do tempo dizia que o dia estava ensolarado, só que é impossível enxergar um céu azul e sol com o ar tão poluído. Aliás, eu nunca tinha visto e sentido algo assim. O marido começou a se sentir mal assim que chegou.

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Rashtrapati Bhawan – Casa do Presidente

O trânsito é muito louco, ninguém respeita regras, um verdadeiro Krishna nos acuda! É muita buzina, atordoante. Tem milhares de tuk tuk  que facilitam o deslocamento. Não fiquei parada em congestionamentos. E além de táxis tem também o transporte pelo aplicativo OLA, o equivalente ao Uber.

O hotel que fiquei hospedada Taj Palace é fantástico, da mesma rede que administra os palácios do Rajastão. Lindo demais. Muito moderno e confortável com uma decoração de extremo bom gosto. Tem restaurantes e bares incríveis. No dia da volta fiquei em outro hotel da rede – o Taj Mahal (aquele do atentado) e foi péssimo, tinha um ar decadente, nem se compara.

O lobby do Hotel Taj Palace foi um dos mais bonitos, no segmento Hotel Urbano, que já me hospedei. A decoração indiana faz toda a diferença.

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O elevador, tem mais lindo?

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Café da manhã

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Tea Lounge no lobby – café, doces e chás

O quarto era um sonho. Uma suíte espaçosa com sala e lavabo e depois o ambiente do quarto com closet e banheiro.

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Nosso guia em Delhi era um rapaz muito gentil e simpático, seu apelido é Saci, achei o melhor guia da viagem, cada cidade era um guia diferente. Ele nos contou que é solteiro, mas seu pai insiste que ele se case, porque na Índia a família da noiva tem que pagar um dote e seu pai está precisando do dinheiro. Também contou que para agilizar o casamento sua família já lhe mostrou várias fotos de moças, mas ele acha que em pleno século 21 é difícil casar com alguém sem conhecer, então ele vai enrolando.

A Índia é assim, cheia de contrastes, moderna e altamente tecnológica de um lado, antiga com tradições ultrapassadas de outro.

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Look do marido by Saci para entrar no Templo Gurudwara

Começamos no nosso tour passando pelo Índia Gate, o Arco do Triunfo indiano.

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Fica localizado na Rajpath Road, India Gate Circle. De 1921, possui 42 metros de altura. Homenageia os soldados mortos nas guerras anglo-afegãs e posteriormente os da 2ª Guerra Mundial. Embaixo tem o túmulo do soldado desconhecido.

Depois passamos pela casa do Presidente. Rashtrapati Bhawan é uma das maiores residências presidenciais do mundo. Aqui foi um local que eu fiquei com muita vontade de conhecer, mas no meu dia em Delhi não estava aberta para visitação. As visitas são só as sextas, sábados e domingos.

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O prédio foi construído para ser a casa do vice-rei da Índia a partir de 1931 até 1950. Possui 19.000m² em um terreno de 130 hectares, 4 andares e 340 quartos. Morou aqui Lorde Mountbatten, tio do Príncipe Philipp e primo da Rainha Elizabeth, designado para “devolver” a Índia aos indianos.

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Uma das atrações mais importantes de Delhi se chama QUTAB MINAR, um minarete que faz parte de um complexo de ruínas de uma mesquita do ano de 1.193 construída pelo governante turco Qutub-Ud-Din-Aibak. Patrimônio mundial da Unesco, possui arquitetura indo-islâmica.

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Pelo caminho tem muitos esquilos que pedem comida. Eu levei do Brasil pacotes de bolacha salgada para me salvar da comida indiana e dei um pedacinho para ele. Não quis, não gostou, claro não tinha pimenta!

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Qutab Minar – conhecida como Torre da Vitória é o minarete de tijolos mais alto do mundo. Com 72,5 metros de altura, base com 14,3 metros de diâmetro e topo com um diâmetro de apenas 2,75 metros.

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Foto “artística” por insistência by Saci

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A construção foi feita com arenito vermelho e mármore branco, com esculturas e versos do Corão.

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Namastê

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Foi aqui no Qutab Minar que tive o meu primeiro contato com indianos e a receber os pedidos de fotos que eles fazem para estrangeiros, principalmente para mulheres loiras. Logo depois, o guia disse para um grupo que eu era uma “celebridade de Hollywood”. Pra que! Começou a formar fila para fazer foto comigo, hilário!

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O marido aproveitava em alguns momentos para fotografar também quando eles estavam fazendo a foto. Tenho muitas fotos com esse povo tão gentil e amável (na sua maioria). Dá uma saudade imensa.

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Saída da Qutab Minar e o povo lá atrás esperando para fotografar comigo. Adorei ser celebridade hahaha!

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Segunda parada: Templo de Lotus. Casa de adoração da fé Baha’i. Um local de encontro de todas as religiões para adorar a Deus. A religião Baha’i é monosteísta (acredita em Deus e só nele) foi fundada na Pérsia em 1844. Seu símbolo é uma estrela de 9 pontas.

A arquitetura do templo foi inspirada na flor de lótus. Possui 27 pétalas em 9 lados. Recebe 4 milhões de visitantes por ano. Tem 9 portas de entrada e comporta 2.500 pessoas no seu interior, que não pode fotografar.

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De 1986 o templo está em uma área de 105.000 m² com lagos e jardins. Baha deriva do árabe que significa Glória.

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Um dos locais que eu queria conhecer, mas não estava no programa do tour era a Humayun’s Tomb – a tumba do Imperador Mongol Humayun. Conversei com o guia e por um preço adicional ele nos levou.

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Trata-se do mais antigo mausoléu mongol em New Delhi e serviu de inspiração para o Taj Mahal. Todo construído em arenito vermelho e mármore branco, pela viúva Hamida Banu Begum, nove anos após a morte de Humayun, de 1565 a 1572.

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O sarcófago do Imperador está sob a cúpula de 42,5 metros de altura. Aqui, repousam os restos mortais de Humayun – 2° Imperador Mongol da Índia, avô de Shah Jahan (construtor do Taj Mahal).

Vários parentes da dinastia etão enterrados aqui. O túmulo mesmo do imperador encontra-se no subsolo.

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Ao redor do mausoléu, nos seus jardins, tem construções incríveis, fazendo deste local uma das atrações que considero imperdíveis em Delhi.

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Outro local imperdível, que também não estava no tour e por um valor adicional conseguimos ir foi a mais incrível construção que eu conheci em toda a viagem: o Templo Akshardham, o maior templo hindu do mundo.

Todas as fotos e informações sobre este local eu retirei do blog http://www.gigantespelomundo.blogspot.com mais as informações do meu guia, porque quando eu fui não era permitido fotografar nem o seu exterior, tive que deixar o celular no carro, no estacionamento, distante do templo. Há seguranças por todos os lados impedindo fotografias.

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Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com

O Templo Akshardham foi obra de Pramuk Swami Maharaj, líder espiritual que contou com 7.000 artesãos e 3.000 voluntários para a sua construção. O seu exterior é de arenito rosa  e o interior de mármore de Carrara. Possui 43 m de altura, 96 m de largura e 110 m de comprimento, com 9 cúpulas, 20.000 estátuas do hinduísmo, 234 pilares esculpidos, 148 elefantes de pedra em tamanho real que pesam 3.000 toneladas.

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Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com

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Foto do site: gigantespelomundo.blogspot.com

Quando a gente vai se aproximando do Templo Akshardham vai sentindo o impacto da sua magnitude. Pelas fotos é possível observar a altura dele em relação as pessoas. Todas as suas paredes externas são trabalhadas, esculpidas na pedra com detalhes da flora, fauna, dançarinos, músicos e divindades.

O seu interior foi o local mais fantástico que eu já vi na vida. Seu altar todo em ouro e pedras preciosas é surreal, a demonstração mais forte dos contrastes presentes a todo momento na Índia, a riqueza extrema de um lado com a miséria absurda do outro.

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Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com

Não dava para acreditar no que os meus olhos estavam vendo!

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Foto do site: http://www.gigantespelomundo.blogspot.com

O templo foi oficialmente inaugurado em 2005. A entrada é separada para homens e mulheres e depois de passar pelo detector de metais há uma revista de bolsas e física. Nem em aeroportos eu vi uma segurança tão rigorosa.

Para quem tiver interesse em mais informações e ver fotos incríveis que não consegui copiar para o blog é só acessar: http://www.akshardham.com site oficial do monumento.

No almoço fomos em um restaurante lindo, indicado pelo guia: The Imperial Spice.

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A comida foi escolhida pelo guia atendendo ao nosso pedido de que não tivesse muita pimenta. Arroz e frango. E advinha? Era tanta pimenta que fritava a boca! Também com um nome desse o que eu esperava? Em todas as cidades a gente convidava os guias para almoçarem conosco, mas nenhum aceitou, isso só havia acontecido em Marrakech. Não sei se eles tem constrangimento em razão de comerem com as mãos, pois não usam talheres. Para mim não é problema, cada um com a sua cultura, é para isso que viajamos.

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Visitamos também a Gandhi Smriti – conhecida anteriormente como Birla House, um museu em memória de Gandhi. De todas as atrações de Delhi considero essa dispensável, só se você realmente é interessado na vida e obra de Mahatma Gandhi. O espaço é bonito e tem alguns de seus pertences pessoais.

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Gandhi morou neste local em seus últimos 144 dias de vida.

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Mohandas Karamchand Gandhi nasceu em 1869, casou-se aos 13 anos com Kasturba e fez os seus estudos na faculdade de Direito em Londres. Na volta se envolveu politicamente contra o domínio inglês, sempre pregando a não violência, com protestos pacíficos, então se tornou um líder que ficou conhecido como Mahatma, que significa Grande Alma.

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Homenagem a mulher de Gandhi – Kasturba

O domínio inglês terminou em 1947 separando o país em Índia para os hindus e Paquistão para os muçulmanos, sem opção, Gandhi aceitou a divisão o que gerou novos protestos dos nacionalista, inclusive contra ele. Em 1948, Gandhi sofreu um atentado por disparos de arma de fogo e foi fatalmente atingido aos 78 anos. Seu corpo foi cremado e parte de suas cinzas jogadas no Rio Ganges. Outros locais abrigam as cinzas.

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Por fim, conhecemos o templo GURUDWARA BANGLA SAHIB, da fé Sikh. Um palácio do século XVII, que foi residência do Marajá Jai Singh e hospedou o guru Har Krishan que veio a falecer neste local.

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Antes de atravessar o portal é necessário tirar os sapatos e cobrir a cabeça.

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A religião Sikh é panteísta. E mais uma vez, não é permitido fotografias no interior do templo que é belíssimo.

Anexo ao templo tem a cozinha e refeitório onde são servidas 10.000 refeições gratuitas por dia, com a ajuda de voluntários. Funciona das 9:00 às 15:00 e das 19:00 às 22:00 horas e a comida é vegetariana, claro.

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Nosso guia Saci mostrando os pães

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Refeitório do Templo Gurudwara

O guru Har Krishan (1656 – 1664) apesar de criança à época, já que faleceu com 7 anos, quando estava hospedado no palácio, durante uma epidemia, deu água do poço para ajudar os doentes, atraindo posteriormente fama e peregrinos para o local que acreditam no poder curativo de suas águas.

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Não só as mulheres, mas também os homens devem cobrir a cabeça neste templo, podem usar lenço, boné ou chapéu. O mais comum é o turbante, usado pelos fiéis Sikhs.

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Abaixo portal pelo lado da saída. Nas laterais do templo vimos muitas pessoas deitadas no chão (homens na sua maioria) sob o efeito de drogas alucinógenas.

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Detalhe do mármore incrustado do portal

À noite resolvemos jantar em um dos restaurantes o hotel. Quando estávamos descendo um hóspede no elevador nos indicou o Orient Express. Um restaurante em forma de vagão de locomotiva em homenagem a lendária ligação pelos trilhos entre Paris e Constantinopla.

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Fica a dica deste restaurante incrível, lindo, atendimento muito gentil e comida boa. No final o Chef veio nos cumprimentar e fez questão de fazer a foto abaixo. A melhor noite na Índia foi a primeira!

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Depois fomos no bar do hotel para tomar um aperitivo, sempre pedimos taça de vinho ou champanhe, nunca esqueçam que gelo é proibido na Índia, um perigo! O Blue Bar é lindo, badalado, amei!

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Ficou faltando conhecer Old Delhi que achei daria tempo na volta, mas não consegui.

New Delhi é caótica, vibrante, colorida, louca, intensa, o espelho do seu país. E eu amei! Para conhecer a Índia tem que ir de mente e coração abertos. Abstrair suas mazelas, tentar entender que é outro mundo, outra cultura para absorver toda a história e superação de seu povo que é fantástica. A Índia é um caldeirão de experiências e a sua capital a porta de entrada dessa incrível descoberta.

Ranakpur e Pushkar – Índia

No roteiro pelo Estado do Rajastão, em novembro de 2019, durante o trajeto de carro, fizemos duas paradas para conhecer as cidades sagradas de Ranakpur e Pushkar.

A primeira Ranakpur se localiza entre as cidades de Udaipur e Jodhpur, em Desuri, distrito de Pali. Saímos de Udaipur e a distância de 92 Km levou 2 horas. O caminho é por estradas que se alternam entre boas e ruins. E aqui passamos o único perrengue de toda a nossa viagem.

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Em um lugar que o GPS marcou entre Sayra e Maga, na Rodovia RJ SH 32, uma estrada de asfalto bom, só que estreita e sem acostamento, em uma curva um outro carro veio pra cima da gente na contramão. Para desviar e evitar a colisão o nosso motorista puxou rápido a direção para esquerda, saímos da estrada e como tinha um degrau do asfalto para o chão de terra, ficamos desgovernados e paramos a centímetros de uma ribanceira. Não tinha guard rail. Fiquei tão nervosa, a gente podia ter morrido se caísse. Da minha janela vi o buraco na mata lá embaixo! Não aconteceu nada. Foi Deus! O motorista verificou os pneus, estava tudo certo e continuamos a viagem. Foi um susto enorme.

Depois, no outro dia, percebi isso no carro:

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O nosso motorista preparou um bouquet de pimentas e amarrou na placa do carro.

Durante o trajeto cenas de uma Índia bem rural.

Erro
Este vídeo não existe

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Ranakpur possui um complexo de templos do século XV, um dos mais importantes da Índia, com 14.000 m de área total, no meio das montanhas Aravalli.

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Jainismo é uma das religiões mais antigas da Índia, contemporânea do budismo, surgiu no século VII a.c. na bacia do Rio Ganges. O seu fundador Mahavira assim como Buda, era nobre e abandonou a sua vida de conforto para se dedicar a sua fé.

Alguns preceitos do Jainismo: verdade, não violência, não roubar, castidade e desprendimento material.

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Nos templos Jain não pode usar (portar) produtos de origem animal. Assim, cintos e bolsas de couro são proibidos. Comprei bolsas de tecidos na viagem para esse fim. Calçados são proibidos também, qualquer um, de couro ou não, por respeito ao solo sagrado.

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Para entrar no templo não precisa pagar (a princípio) e tem um guichê que fornece audioguide em várias línguas inclusive em espanhol. O porém é que precisa deixar o passaporte como garantia, achei um absurdo, mas concordei. A gente deixa os sapatos na entrada. Na saída ao devolver o audioguide o funcionário pede uma gorjeta.

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Porta de entrada do templo

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Degrau de entrada do templo

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O código de vestimenta (para as mulheres) também deve ser respeitado. Ombros e pernas tem que estar cobertos. Não foi necessário lenço na cabeça.

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O templo principal – Chaumukha tem 3 andares e levou 50 anos para ser construído.  Tem 29 halls, 80 cúpulas e 1444 pilares todos diferentes um do outro, tem sempre algum detalhe que os diferencia. Foi todo construído em mármore branco, da mesma jazida que extraíram o mármore do Taj Mahal.

Dentro do templo tem uma parte no centro para oração e nós turistas não podemos entrar e nem fotografar, só os fiéis tem acesso.

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Acima das escadas local de oração

As incrustações dos pilares tem várias figuras como de dançarinas e flautistas. Posições de Ioga e Kama Sutra também.

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As cúpulas são lindas. Um trabalho tão detalhado e minucioso parece de renda.

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No Jainismo a sua tradição religiosa tem como centro os seres humanos e suas preocupações e ensina que o Universo é eterno e não possui um Deus criador.

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Mahavira fundador do Jainismo

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img_7492A arquitetura dos pátios e área externa do templo principal é incrível na riqueza de detalhes

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No interior do templo havia um homem preparando algo que não consegui identificar, parecia comida. No Jainismo eles usam máscaras para evitar engolir algum inseto voador, como preservação e proteção a qualquer ser vivo.

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A visita ao templo é muito interessante, mesmo que não pratique a religião ou não seja indiano, através da fé de um povo também conhecemos muito de sua cultura.

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A outra cidade sagrada que visitamos foi Pushkar, entre Jodhpur e Jaipur, no distrito de Ajmer, a 183 Km de Jodhpur, aproximadamente 4 horas de carro.

Nessa visita não tivemos guia. Os trajetos entre uma cidade e outra fazíamos só com o motorista. Em Pushkar ele estacionou o carro em uma grande feira de camelos, muito próxima do templo.

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A feira de Camelos de Pushkar é famosíssima, mas eu nunca tinha ouvido falar! E nem apareceu nos meus estudos pré viagem. Quando cheguei lá e vi essa maravilha, fui pesquisar a respeito.

É uma feira anual, sempre na primeira semana de novembro, onde se comercializa camelos (claro), entre outras atividades, como corrida de camelos (claro), passeios de balão e shows pirotécnicos

Eu acho esse bicho o máximo! Muito engraçado, tem um jeito de andar com um molejo completamente diferente. Só tenho medo de me aproximar muito porque eles mordem ou cospem. Mas, em Marrakech fiz várias fotos com eles, lá eles eram bem mansos.

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Os animais são todos bem decorados, com um colorido único, como tudo na Índia. Na feira são vendidos muitos apetrechos para enfeitar os camelos.

E muitos possuem uma carroça em formato de cama para passeios.

Junto com a feira, seguindo em frente, chegamos no mercado de Pushkar, com muitas lojas e barracas vendendo de tudo.

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Os lindos trajes coloridos das indianas, sou fascinada. Ombros e pernas cobertos. A barriga pode mostrar porque não é considerada uma parte sensual do corpo feminino. Cobrir a cabeça ou a face toda com o véu depende da região da Índia, se são casadas ou solteiras. Como estamos no norte e em uma área rural, essa prática é mais comum. Na feira e no templo haviam mulheres de várias regiões, assim vimos diferentes estilos.

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Aqui foi o lugar que eu consegui comprar com uma certa “tranquilidade” várias lembranças de viagem, presentes para parentes e amigas como bolsas, pulseiras, carteiras. Os vendedores não eram tão insistentes como nos outros locais e o da barraca que comprei a maior parte dos itens era bem tranquilo, deixava eu ver e escolher com calma.

Só que mais uma vez, não consegui desconto (sou péssima para negociar), só ganhei um brinde, um artigo a mais, à minha escolha, melhor que nada.

O mercado se estende por duas ruas e vende roupas, sapatos, tecidos, bolsas, bijouxs. Tem várias barracas de comida e bebida também, geralmente água, refrigerante e suco, já que é muito difícil encontrar bebidas alcoólicas fora dos hotéis (amei a Índia).

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No final do mercado chegamos na base do templo.

PUSH significa lótus e KAR mão. Os hindus acreditam que a cidade surgiu através de um lago que se formou por uma grande flor de lótus colocada naquele local pela mão do deus Brahma.

Pushkar é a terra do deus Brahma, a cidade mais sagrada da Índia para os hinduístas, que representam 70% da população. Pelo menos uma vez na vida, os fiéis devem fazer a peregrinação ao templo. O Hinduísmo é a terceira maior religião do mundo. São politeístas (acreditam em vários deuses) e em reencarnação.

No Hinduísmo há três deuses principais: 1) Brahma: deus da Criação, 2) Shiva: deus da destruição (transformação) é o deus da Ioga, 3) Vishnu: deus da Proteção. Um deus hindu bem conhecido do mundo ocidental é Ganesha (corpo de homem e cabeça de elefante) deus da prosperidade, que remove obstáculos e traz soluções.

A representação de Brahma é um homem que possui 4 cabeças, quatro braços e em uma das mãos uma flor de lótus.

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Foto do site: http://www.ocosmopolita.net

Foi o local de maior aglomeração de pessoas que visitei na Índia. Para subir as escadas do templo tinha fila, mas andava com rapidez.

Na base do templo precisa deixar os sapatos já que não é permitido entrar com eles no solo sagrado. O desespero do marido de ter que deixar os seus sapatos ali, naquele mundo de calçados espalhados e depois não encontrar na volta. Mas, na Índia sempre tem um jeitinho. Havia um comerciante oferecendo uma prateleira para deixar os sapatos, mediante pagamento claro. Beleza, problema resolvido.

E lá fomos nós, enfrentar a multidão para subir a escadaria do templo de Brahma.

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No interior do templo não pode fotografar, então só fiz essas fotos externas.

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A quantidade de gente na fila para entrar no templo era de chorar.

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No pátio do templo tem “mini templos” para orações e oferendas.

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Na saída do templo (o mesmo local da entrada) continuando pela rua em frente até o final se encontra o lago de Pushkar, onde os fiéis e turistas vão para fazer rituais de bençãos ao deus Brahma.

Como já mencionei anteriormente, fiz uma viagem turística e não tinha interesse (nem crença) nos rituais do hinduísmo. Li também que há diversos golpes neste local e muitos que se oferecem para fazer a benção, se dizendo sacerdotes (mas não são) cobram preços exorbitantes, bem no estilo pega turista.

Então não fui ao lago onde, além dos rituais de purificação e outras bençãos, realizados nos “ghats”, que são portões para colocar as oferendas e pedidos, os peregrinos vão visitar porque aqui foram jogadas as cinzas de Gandhi.

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Lago de Pushkar e seus ghats. Foto do site: http://www.civitatis.com

As paradas em Ranakpur e Pushkar foram muito interessantes pelo aspecto cultural, já que a Índia era para mim, e ainda é, um outro mundo, tão distante e diferente. Mergulhar em cidades do interior, locais de peregrinação e fé, foram episódios até então inéditos na minha vida como turista. Paisagens e memórias que ficarão para sempre.